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Aureliano Chaves

Político brasileiro, Vice-presidente do Brasil (1979-1985)

7 min de leitura01/01/2024
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Antônio Aureliano Chaves de Mendonça nasceu em 13 de janeiro de 1929 em Três Pontas, cidade do sul de Minas Gerais, em uma família que valorizava a educação e o engajamento público. Completou o curso primário em sua cidade natal, seguiu para Itajubá para cursar o científico no Colégio de Itajubá e posteriormente ingressou no Instituto Eletrotécnico de Itajubá, onde se formaria em Engenharia Eletromecânica em 1953. Ainda estudante, em maio de 1952, liderou uma comissão de 42 acadêmicos ao Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, para solicitar ao presidente Getúlio Vargas o apoio à federalização do instituto. Vargas prometeu o apoio, e o processo seria concluído por seu sucessor. Era uma antecipação da habilidade política que definiria toda a sua vida adulta.

Após a formatura, trabalhou na engenharia de obras rodoviárias e no serviço de terraplenagem do Aeroporto de Cumbica. Foi professor titular da Escola Federal de Engenharia de Itajubá entre 1955 e 1982 e exerceu a docência também no Instituto Politécnico da PUC Minas. Foi diretor técnico da Eletrobrás em 1961, função que o inseriu definitivamente nos altos escalões da tecnocracia brasileira antes de dar o salto definitivo para a política formal.

Iniciou a carreira política como deputado estadual pela UDN em 1958, integrando a corrente mais ortodoxa do partido, conhecida como a Banda de Música, ao lado de figuras como Carlos Lacerda, Afonso Arinos e Pedro Aleixo. Ocupou a liderança da bancada udenista e serviu ao governo Magalhães Pinto como secretário de Educação e depois de Obras Públicas. Participou do movimento que depôs o presidente João Goulart em 1964 e foi eleito deputado federal pela ARENA, exercendo o mandato entre 1966 e 1974. Nesse período, representou o Brasil na Conferência sobre Energia Nuclear em Viena em 1967 e relatou a CPI sobre Energia Nuclear da Câmara dos Deputados em 1974.

A ascensão ao governo do estado veio em 1974, quando foi eleito governador de Minas Gerais por via indireta. Administrou o estado por quatro anos, conseguindo articular as forças políticas mineiras em torno de um projeto de modernização e desenvolvimento. Em 1977, apoiou o presidente Ernesto Geisel durante a grave crise provocada pelo ministro do Exército Sílvio Frota, que tentava forçar sua própria candidatura à presidência da República. A lealdade a Geisel naquele momento delicado reforçou a imagem de Aureliano como um político confiável dentro dos limites estreitos do regime militar.

Em 1979, assumiu o cargo de vice-presidente da República na gestão de João Figueiredo, tornando-se o primeiro vice-presidente civil do regime militar desde Pedro Aleixo, que havia servido com Artur da Costa e Silva. Quando da Segunda Crise do Petróleo, em 1979, foi nomeado presidente da Comissão Nacional de Energia por delegação presidencial. Em decorrência dos problemas de saúde de Figueiredo, Aureliano exerceu interinamente a presidência por dois períodos relevantes: aproximadamente dois meses em 1981 e cerca de um mês em 1983.

Durante seu período como presidente interino, Aureliano demonstrou uma independência que o distinguia de muitos correligionários. Quando pressionado a assinar o ato de expulsão dos dominicanos franceses Aristides Camio e François Gouriou, da Comissão Pastoral da Terra, recusou-se a fazê-lo apesar de ser contrário às invasões de terra. A atitude irritou a ala mais conservadora das Forças Armadas. Os religiosos acabaram condenados a 10 e 15 anos de prisão, respectivamente, cumprindo 2 anos e 4 meses antes de serem expulsos do país. O episódio revelava um político que, mesmo dentro das estruturas autoritárias, mantinha um espaço para a consciência individual.

Em 1984, diante das eleições indiretas para a sucessão de Figueiredo, Aureliano apresentou sua candidatura dentro do PDS, mas foi derrotado na convenção por Paulo Maluf. Em resposta, juntou-se a Marco Maciel, Jorge Bornhausen e outros nomes para fundar o Partido da Frente Liberal, rompendo com o governo e apoiando Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. A divisão do PDS foi determinante para enfraquecer a candidatura de Maluf e garantir a vitória histórica de Tancredo, marco da transição para a democracia no Brasil.

No governo Sarney, exerceu o cargo de ministro das Minas e Energia e foi um defensor convicto do Pró-álcool, programa que buscava reduzir a dependência do petróleo importado. Candidatou-se à presidência nas eleições diretas de 1989 pelo PFL, obtendo cerca de 0,83% dos votos e terminando em nono lugar. Retirou-se formalmente da vida pública após a derrota, mas manteve influência nos bastidores políticos mineiros. Faleceu em Belo Horizonte em 30 de abril de 2003, deixando o legado de um político de trajetória longa e complexa, que oscilou entre o apoio ao regime militar e um papel significativo na redemocratização do país.

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