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Franklin Távora

Escritor e político brasileiro

6 min01/01/2024
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João Franklin da Silveira Távora nasceu em 13 de janeiro de 1842, em Baturité, no Ceará, numa época em que o Brasil ainda se consolidava como nação independente e a literatura nacional buscava encontrar sua própria voz. Filho de Maria de Santana da Silveira e Camilo Henrique da Silveira Távora, ele cresceu num ambiente familiar que valorizava a instrução, o que o levaria a percorrer um longo caminho de estudos até se tornar uma das figuras mais combativas e originais das letras brasileiras do século XIX.

Ainda criança, em 1844, Franklin Távora transferiu-se com os pais para Pernambuco, estado que deixaria marcas indeléveis em sua obra literária e em sua visão de mundo. Realizou seus estudos preparatórios em Goiana e Recife, duas cidades que lhe proporcionaram contato com a rica tradição cultural do Nordeste, suas festas, sua gente, suas lendas e seus dramas sociais. Em 1859, matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife, instituição que naquela época era um dos principais centros de efervescência intelectual do país, e lá se formou em 1863.

A vida profissional de Franklin Távora foi marcada pela diversidade. Além de advogado, ele atuou como funcionário público, deputado provincial, jornalista e homem de letras. Em 1873, passou um breve intervalo no Pará, como secretário de governo, antes de, em 1874, transferir-se definitivamente para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na Secretaria do Império. Essa trajetória entre o Nordeste e a capital do Império revelava um homem em trânsito permanente, mas cujas raízes intelectuais e afetivas jamais se desprenderam do Norte do Brasil.

Como jornalista, Távora fundou e dirigiu publicações importantes. Em Recife, entre 1872 e 1873, capitaneou a revista A Verdade, órgão que surgiu a convite da maçonaria para defender seus interesses diante da crise religiosa provocada pela chegada do bispo Dom Vital a Pernambuco. A publicação, que começou semanalmente e depois passou a circular duas vezes por semana, tornou-se uma trincheira de combate intelectual e foi proibida pelo bispo local, o que só aumentou seu alcance e sua repercussão. Além disso, Franklin Távora fundou a Revista Brasileira e colaborou em outros periódicos como A Consciência, consolidando sua posição como um dos mais ativos jornalistas de sua geração.

A faceta mais duradoura de sua atuação, porém, foi a literária. Franklin Távora travou uma polêmica histórica com José de Alencar, o mais célebre romancista do Romantismo brasileiro, usando o pseudônimo Semprônio para escrever cartas que questionavam o modelo literário alencariano. Para Távora, a literatura produzida no Rio de Janeiro era dominada por estrangeirismos e por uma visão de Brasil que ignorava a especificidade cultural das regiões do Norte e do Nordeste. Ele chamava essa produção de "literatura do sul" e a contrapunha a uma proposta de literatura verdadeiramente nacional, enraizada nas tradições populares, nos costumes regionais e na história local.

Essa visão programática ganhou corpo em sua produção literária. Sua obra Os Índios do Jaguaribe, de 1865, é considerada um romance indianista com forte coloração regionalista, representando as primeiras tentativas do autor de fixar literariamente a realidade nordestina. Já em Um Casamento no Arrabalde, de 1869, os críticos identificaram uma inflexão em direção ao Realismo, com uma representação mais direta e minuciosa da vida cotidiana, sinalizando que Távora estava atento às transformações que a literatura europeia já vinha produzindo.

O marco mais definitivo de sua carreira foi O Cabeleira, publicado em 1876. O romance narra a trajetória de um famoso bandido pernambucano do século XVIII, mergulhando no universo violento e complexo do sertão nordestino. A obra é unanimemente apontada como o ponto inaugural da literatura regionalista nordestina, uma corrente que teria enorme fecundidade nas décadas seguintes e que atingiria seu apogeu com autores como José Lins do Rego, Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz. Ao eleger um personagem histórico local e reconstruir o ambiente social e cultural de Pernambuco com riqueza de detalhes, Távora demonstrou que a literatura brasileira podia e devia voltar o olhar para dentro de si mesma.

A importância de Franklin Távora foi reconhecida pela Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897, alguns anos após sua morte: ele foi escolhido como patrono da cadeira 14, por indicação do jurista Clóvis Beviláqua. A patronagem de uma cadeira acadêmica é uma das mais altas honras que o sistema literário brasileiro pode conferir a um escritor, e a escolha de Távora para esse papel evidencia o respeito que sua obra conquistou entre os pares.

Além do romance, Franklin Távora também se dedicou ao teatro, produzindo peças que foram reunidas postumamente no volume Teatro de Franklin Távora, organizado por Cláudio Aguiar. Sua atuação intelectual estendia-se ainda à vida associativa: ele foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e participou da fundação da Associação dos Homens de Letras, revelando um comprometimento com a institucionalização da cultura nacional que ia além da escrita individual.

Franklin Távora faleceu em 18 de agosto de 1888, no Rio de Janeiro, poucos meses antes da abolição da escravatura e da proclamação da República, dois eventos que transformariam profundamente o Brasil que ele conhecera. Sua morte prematura impediu que ele testemunhasse as mudanças radicais que estavam por vir, mas seu trabalho havia lançado sementes que germinariam com vigor nas décadas seguintes. A ideia de uma literatura ancorada na identidade regional, que ele defendeu com tanto ardor, tornou-se um dos pilares mais sólidos da tradição literária brasileira.

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