tragedias

Acidente ferroviário de Hennenman–Kroonstad em 2018

O acidente ferroviário de Hennenman–Kroonstad refere-se ao desastre ocorrido em 4 de janei

7 min01/01/2024
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Na manhã de 4 de janeiro de 2018, um trem de passageiros da operadora sul-africana Shosholoza Meyl seguia seu percurso habitual de Porto Elizabeth com destino a Joanesburgo transportando 429 pessoas. Por volta das nove horas da manhã, no horário local, o trem se aproximava da Estação de Genebra, uma passagem de nível situada entre as cidades de Hennenman e Kroonstad, no Estado Livre, a cerca de duzentos quilômetros ao sudoeste de Joanesburgo. O que aconteceu em seguida marcaria a história ferroviária da África do Sul como um dos piores acidentes de que o país tem memória.

Um caminhão articulado com dois reboques tentava atravessar a passagem de nível no exato momento em que o trem se aproximava. O motorista do trem, percebendo o perigo, acionou a buzina para alertar o veículo, mas o caminhão não conseguiu parar a tempo. A colisão foi violenta. O trem arrastou o caminhão e seus dois reboques por cerca de quatrocentos metros. Um automóvel que estava sendo transportado no próprio trem também foi esmagado durante o impacto. A locomotiva, uma máquina diesel-elétrica da classe C30EMP pertencente à empresa Sheltam, e doze dos vagões do trem foram completamente descarrilados.

Dez minutos após a colisão, as primeiras chamas irromperam atrás da locomotiva. Os fios elétricos, rompidos pela força do impacto, geraram arcos elétricos que incendiaram os vagões descarrilados, onde muitos passageiros ainda estavam presos. Sete dos doze vagões pegaram fogo rapidamente. Os primeiros socorristas não foram equipes de emergência profissionais: foram os agricultores da região, que viram o acidente de longe e correram para o local com equipamentos improvisados de combate a incêndio, arrombando janelas e portas para retirar sobreviventes das carruagens em chamas. Willie du Preez, um dos agricultores que chegou ao local, descreveu o horror da cena e testemunhou as dimensões do desastre em tempo real.

As buscas pelos sobreviventes e pelos mortos duraram o dia todo. As operações de resgate foram encerradas às 20h50 do mesmo dia. Ao todo, vinte e uma pessoas morreram no acidente e 254 ficaram feridas — um balanço devastador. O porta-voz da polícia, Brigadier Sam Makhele, declarou acreditar que todos os restos mortais haviam sido recuperados dos vagões até o dia seguinte, 5 de janeiro, quando os trabalhos forenses encontravam os restos de dezenove pessoas. Dias depois, o número de mortos seria revisado para vinte e quatro, conforme apurado pelo relatório final das investigações.

O motorista do caminhão sobreviveu à colisão, mas tentou fugir do local. Foi detido pelas autoridades e levado ao hospital. Submetido a exame de alcoolemia, testou negativo. A polícia abriu um caso de homicídio culposo contra ele, e o proprietário do veículo, a empresa Cordene Trading, expressou condolências às vítimas por meio de seu advogado. O caso gerou intenso debate público sobre as condições das passagens de nível em estradas rurais da África do Sul e sobre a responsabilidade dos motoristas de veículos pesados.

A identificação das vítimas revelou-se um processo lento e doloroso. Apenas quatro dos mortos foram identificados visualmente logo após o acidente. As demais vítimas tiveram que ser identificadas por meio de testes de DNA, processo que levou semanas. Em 26 de janeiro de 2018, a Agência Ferroviária de Passageiros da África do Sul anunciou a conclusão dos testes genéticos e convocou uma reunião com as famílias das vítimas na Câmara do Estado de Virgínia, no Estado Livre, para a divulgação dos resultados. O órgão também prestou assistência governamental para os enterros.

A linha ferroviária foi reaberta ao tráfego em 7 de janeiro, apenas três dias após o acidente, depois que equipamentos pesados removeram os detritos do local. A rapidez na reativação da linha refletiu as pressões operacionais sobre o sistema ferroviário sul-africano, mas também gerou críticas de quem considerava precipitado reabrir o trecho antes de uma investigação mais completa das condições da passagem de nível.

O agricultor Willie du Preez levantou questões importantes sobre o trajeto que o caminhão percorria antes da passagem de nível: segundo ele, a estrada local segue paralelamente à linha férrea antes de fazer uma curva de noventa graus em direção ao cruzamento, criando um ponto cego que impede momentaneamente a visão dos trens que se aproximam. Buracos na via também reduziam a velocidade dos veículos pesados naquele ponto, tornando o cruzamento especialmente perigoso para caminhões com reboques longos. A hipótese era de que a cabine e o primeiro reboque haviam cruzado com segurança, e o impacto ocorreu com o segundo e último reboque.

O Regulador de Segurança Ferroviária da África do Sul conduziu uma investigação formal e divulgou um relatório em outubro de 2018. O documento concluiu que a causa do acidente foi a falha do motorista do caminhão em obedecer à sinalização de parada, ignorando os sinais de alerta dispostos ao longo da via de acesso. O relatório registrou que o trem trafegava a 78 km/h numa pista com limite de 90 km/h, portanto dentro da velocidade permitida, e que o motorista do trem acionou seu sinal sonoro a quatrocentos metros antes do ponto de impacto, sem que houvesse nada mais a fazer. O incêndio foi causado pelo arco de cabos elétricos de 3 kV que não desarmaram após a colisão, espalhando as chamas pelo interior e exterior dos vagões sem, contudo, atingir as demais carruagens. O relatório fixou o número final de mortos em vinte e quatro e de feridos em 240, corrigindo os números inicialmente divulgados na fase aguda do acidente.

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