Luís de Nassau nasceu em 10 de janeiro de 1538 na cidade de Dillenburg, no atual estado alemão de Hesse. Era o terceiro filho do conde Guilherme I de Nassau e de sua esposa Juliana de Stolberg, e nessa condição de filho mais jovem numa família numerosa de aristocratas, cresceu à sombra de seu irmão mais velho, o príncipe Guilherme de Orange-Nassau, figura que viria a ser conhecido como Guilherme, o Taciturno, e que lideraria a revolta dos Países Baixos contra o domínio espanhol. A história de Luís seria inseparável da de seu irmão, mas também profundamente original: enquanto Guilherme era estrategista e diplomata, Luís era combatente e crente, um calvinista convicto que coloria sua luta política com a intensidade de uma missão religiosa.
A diferença teológica entre os dois irmãos era significativa. Guilherme adotara uma postura de pragmatismo religioso, transitando entre confissões conforme as necessidades políticas do momento. Luís, ao contrário, abraçou o calvinismo com a totalidade de sua personalidade, e essa fé inabalável dava a suas ações uma determinação que tornava difícil qualquer recuo tático. Ele ajudou seu irmão de múltiplas formas ao longo dos anos, incluindo a mediação do segundo casamento de Guilherme com Ana da Saxônia, e em 1569 Guilherme o nomeou governador do Principado de Orange, conferindo-lhe uma posição formal na política francesa que ampliou sua rede de conexões.
O primeiro ato de grande visibilidade política de Luís foi sua participação no Compromis des Nobles, em 1566, uma liga de pequenos nobres que redigiu uma petição aberta ao rei Filipe II de Espanha exigindo o fim da Inquisição nos Países Baixos. Em 5 de abril daquele ano, acompanhado por duzentos cavaleiros, Luís e os demais signatários apresentaram o documento à regente Margarida de Parma. Foi durante essa audiência que o conselheiro conde de Berlaymont proferiu a frase que entraria para a história: ao tentar tranquilizar Margarida, disse que não valia a pena se preocupar com aqueles mendigos. A palavra mendigos, longe de intimidar os peticionários, foi apropriada por eles com ironia desafiadora, e assim nasceu o nome Geuzen, os Mendigos, com que os rebeldes passariam a se identificar orgulhosamente.
Com a chegada do Duque de Alba como governador militar espanhol dos Países Baixos, em 1567, a repressão se intensificou e Luís e Guilherme foram forçados a se retirar para o exterior. No exílio, articularam uma invasão coordenada de três frentes para recuperar o controle da região. A ofensiva de 1568 foi ambiciosa em sua concepção, mas rapidamente se fragmentou: as forças de Jean de Villers foram capturadas ao cruzar o rio Mosa, e os huguenotes franceses foram derrotados pelas tropas reais em Saint-Valery. Apenas a coluna de Luís, que entrou pela Frísia pelo norte, conseguiu obter uma vitória.
A Batalha de Heiligerlee, em 23 de maio de 1568, foi o primeiro triunfo significativo dos rebeldes. Luís preparou uma emboscada habilidosa contra o exército espanhol comandado por Jean de Ligne, Duque de Aremberg, e o derrotou de forma convincente. A vitória, no entanto, teve um custo pesado: seu irmão mais jovem Adolfo morreu no combate, a primeira das grandes perdas pessoais que Luís sofreria nessa guerra. A alegria do triunfo foi inseparável do luto do irmão.
A resposta espanhola foi rápida e esmagadora. O próprio Alba, com um exército muito maior, mais bem equipado e mais experiente, marchou contra Luís e o encurralou em Jemmingen em 21 de julho de 1568. A batalha foi um desastre para os rebeldes: sete mil homens foram mortos, e Luís salvou a própria vida apenas ao se despir de sua pesada armadura e atravessar a nado o rio Ems sob fogo inimigo. A derrota destruiu o exército que havia levado tanto tempo para reunir, mas não destruiu a determinação de Luís.
Nos anos seguintes, Luís frequentou a corte huguenote francesa, lutou nas batalhas de Jarnac e Moncontour como aliado dos protestantes franceses liderados por Gaspar II de Coligny, e reforçou as conexões diplomáticas que eventualmente se revelariam valiosas. Em 1572, quando os Mendigos do Mar capturaram Brielle e a revolta se reavivou nos Países Baixos, Luís agiu com rapidez: entrou em Hainaut em maio e capturou Mons, criando um segundo foco de resistência que dividiu a atenção de Alba e permitiu ao norte da Holanda se consolidar enquanto as atenções espanholas eram atraídas para o sul. Mesmo após ser forçado a evacuar Mons em setembro, com honras de guerra, a operação teve valor estratégico real: o norte se fortaleceu suficientemente para resistir à reconquista.
A morte de Luís de Nassau chegou em 14 de abril de 1574, na batalha de Mookerheyde, próxima à confluência do rio Mosa. Naquela primavera, ele cruzou o rio com um exército que incluía também seu irmão Henrique e Cristóvão da Bavária, filho do eleitor palatino, numa tentativa de criar uma distração que aliviasse o cerco espanhol a Middelburg e Leiden. O plano foi frustrado pelas tropas espanholas do experiente Sancho d'Avila. Luís foi atingido no braço durante o combate, mas continuou lutando, ocultando a gravidade do ferimento. Quando seus companheiros perceberam a extensão do dano e quanto sangue havia perdido, retiraram-no da linha de batalha, transportando-o a uma cabana próxima, onde ele ordenou que se salvassem. Luís jamais foi visto novamente, nem vivo nem morto. Henrique e Cristóvão da Bavária também pereceram naquele combate.
A ausência de um corpo encontrado alimentou por séculos especulações sobre seu destino final, tornando-o uma figura ainda mais mítica na memória das guerras de independência neerlandesas. Luís de Nassau tinha trinta e seis anos quando desapareceu em Mookerheyde, e havia dedicado a última década de sua vida a uma causa que seu irmão Guilherme venceria apenas depois de sua morte. Sua contribuição para a revolta dos Países Baixos foi concreta e decisiva: as vitórias que obteve, as derrotas que absorveu sem render e as alianças que forjou foram ingredientes indispensáveis na fundação daquilo que viria a ser a República das Províncias Unidas, um dos estados mais influentes da história moderna.

