O Panamá, a mais meridional das nações da América Central, ocupa uma faixa de terra de importância geopolítica desproporcional ao seu tamanho. Situado no istmo que conecta as Américas do Norte e do Sul, o país faz fronteira com a Costa Rica a oeste e com a Colômbia a sudeste, banhado pelo Mar do Caribe ao norte e pelo Oceano Pacífico ao sul. Essa posição geográfica singular moldou toda a história panamenha, desde os primeiros passos dos conquistadores espanhóis até o canal que transforma a cidade do Panamá num dos maiores centros financeiros e logísticos das Américas.
A origem do nome do país é envolta em incerteza. Uma teoria aponta para a Sterculia apetala, a árvore do Panamá, comum na região. Outra sugere que os primeiros colonos chegaram em agosto e se depararam com uma abundância de borboletas, e que o nome significa "muitas borboletas" em alguma das línguas indígenas pré-colombianas. Uma terceira teoria deriva o vocábulo da palavra Kuna "bannaba", que significa distante ou longe. O nome, qualquer que seja sua origem, tornou-se mundialmente associado tanto ao canal que liga os dois oceanos quanto, em sentido pejorativo, à corrupção e ao escândalo financeiro, associação que vem da Compagnie Universelle du Canal Océanique francesa e que foi reforçada em tempos mais recentes pelos chamados Panama Papers.
Os primeiros europeus a chegar ao território foram espanhóis. Em 1501, Rodrigo de Bastidas percorreu a costa caribenha do istmo. Cristóvão Colombo ancorou na baía de Portobelo em 1502 e, no ano seguinte, fundou Santa María de Belén, considerado o primeiro assentamento europeu em terras continentais americanas. Em 1508, a coroa espanhola ordenou a colonização do istmo, denominado Castilla de Oro, nomeando Diego de Nicuesa como primeiro governador. Em 1510, Nicuesa fundou Nombre de Dios na costa caribenha.
O verdadeiro salto na importância estratégica do Panamá veio com a fundação da cidade do Panamá em 1519 pelo governador Pedrarias Dávila. A cidade rapidamente se tornou o nó logístico do império espanhol nas Américas: todo o ouro e a prata vindos do Peru passavam pelo istmo antes de serem embarcados para a Espanha. Uma frota ligava o porto de Callao, próximo a Lima, ao porto da Cidade do Panamá, de onde mercadorias e pessoas cruzavam o istmo por terra até Nombre de Dios ou Portobelo, de onde seguiam para a Espanha. Esse papel de corredor obrigatório fez do Panamá um alvo permanente de piratas e potências rivais, especialmente inglesas e holandesas.
No século XVIII, o tráfego marítimo na região entrou em declínio. Em 1739, os britânicos tomaram Portobelo, desorganizando as rotas comerciais. O Panamá passou à jurisdição do Vice-Reino de Nova Granada, separando-se da órbita peruana. Em 28 de novembro de 1821, enquanto os movimentos independentistas varriam a América espanhola, o Panamá proclamou sua independência da Espanha. Poucos meses depois, integrou-se voluntariamente à Grande Colômbia de Simón Bolívar, ao lado de Venezuela, Colômbia e Equador. Quando a Grande Colômbia se dissolveu em 1831, o Panamá permaneceu unido à Colômbia como departamento do Istmo.
Em 1846, um tratado entre a Colômbia e os Estados Unidos garantiu neutralidade e livre trânsito no istmo, abrindo caminho para a construção da ferrovia interoceânica, inaugurada em 1855. A corrida do ouro californiana de 1849 havia revalorizado o istmo como via de comunicação entre as costas leste e oeste dos Estados Unidos, e a ferrovia tornou-se uma das fontes mais importantes de receita para o governo colombiano. A ideia de um canal que ligasse os dois oceanos ganhou força, e a companhia francesa de Ferdinand de Lesseps, financiada por capitais majoritariamente gauleses, iniciou as obras em 1880. A empreitada fracassou em 1889, vítima da má gestão, das doenças tropicais que dizimavam os trabalhadores e da subestimação brutal das dificuldades técnicas. A obra foi definitivamente paralisada em 1898.
Com a decisão americana de retomar o projeto, as negociações com a Colômbia tornaram-se prioritárias. Quando o Senado colombiano recusou ratificar o tratado provisório que havia sido estabelecido, os Estados Unidos financiaram e apoiaram um movimento separatista local. Em novembro de 1903, o Panamá proclamou sua independência da Colômbia, e os Estados Unidos foram um dos primeiros países a reconhecer a nova nação. Em troca, o Corpo de Engenheiros do Exército americano construiu o canal entre 1904 e 1914, conectando definitivamente o Atlântico ao Pacífico numa das maiores obras de engenharia da história humana.
A soberania sobre o canal permaneceu uma questão sensível por décadas. Em 1977, os Acordos Torrijos-Carter estabeleceram a transferência gradual do controle do canal dos Estados Unidos para o Panamá, completada ao final do século XX. A receita proveniente do canal representa hoje uma parcela significativa do PIB panamenho, e o país consolidou-se como o maior centro financeiro da América Central, atraindo empresas, investimentos e registros de navios de todo o mundo. Em 2013, o Panamá ficou em quinto lugar entre as nações da América Latina no Índice de Desenvolvimento Humano, reflexo de uma economia que cresce de forma consistente ancorada nos serviços, nas finanças e no comércio internacional que passam pelo coração geográfico das Américas.