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Lauro César Muniz

Autor de novelas

7 min01/01/2024
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Entre os grandes arquitetos da teledramaturgia brasileira, Lauro César Muniz ocupa um lugar de destaque que poucas carreiras conseguem sustentar por tantas décadas. Nascido em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, em 16 de janeiro de 1938, com o nome completo de Lauro César Martins Amaral Muniz, ele construiu uma obra que combina sensibilidade social, humor perspicaz e rigor narrativo, deixando sua marca em algumas das novelas mais importantes da história da televisão brasileira.

A formação de Lauro foi marcada por uma trajetória incomum. Filho de um comerciante de algodão e de uma professora, ele graduou-se em Engenharia Civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, caminho que poderia tê-lo levado a construir pontes e edifícios. Em vez disso, Lauro optou pela dramaturgia e ingressou na primeira turma do Curso de Dramaturgia da Escola de Arte Dramática, formando-se em 1962. A engenharia que ele praticaria ao longo da vida seria a de construir personagens, tramas e sociedades ficcionais que refletissem o Brasil real.

Sua carreira na dramaturgia teve início com o teatro, em 1959, com a peça Este Ovo é um Galo, uma sátira sobre a Revolução Constitucionalista de 1932. Mas foi com O Santo Milagroso, encenado em 1963, que Lauro conquistou reconhecimento nacional. A peça, que explorava com humor e inventividade as contradições religiosas de uma cidade do interior brasileiro, revelou seu talento para capturar as tensões entre o tradicional e o moderno que atravessavam o país. A obra foi adaptada para o cinema e para a televisão, ampliando seu alcance para além do palco.

No campo da teledramaturgia, Lauro César Muniz foi um pioneiro. Em 1966, escreveu para a TV Excelsior Ninguém Crê em Mim, considerada a primeira novela de autor da televisão brasileira, uma produção em que o escritor assinava com voz própria e singular, sem os constrangimentos dos formatos mais comerciais. Naquela mesma emissora, adaptou o romance O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brontë para o formato de telenovela, demonstrando tanto erudição literária quanto capacidade de traduzir clássicos universais para a linguagem televisiva popular.

A chegada à TV Globo, em 1972, abriu para Lauro um palco de proporções nacionais. Depois de um trabalho de transição, estreou de fato como novelista na emissora com Carinhoso, inspirado no filme Sabrina de Billy Wilder. Mas foi em 1975 que ele entregou sua primeira obra-prima à grade nobre das vinte horas: Escalada. A novela narrava a trajetória de Antônio Dias, personagem inspirado no próprio pai do autor, desde a juventude até a velhice, atravessando décadas de história nacional, desde os anos 1930 até o período contemporâneo à exibição, em 1975. Tarcísio Meira deu vida ao protagonista em uma interpretação definitiva. Escalada consolidou Lauro como um dos maiores escritores de televisão do país.

Ao longo dos anos seguintes, ele continuou produzindo obras de qualidade. Roda de Fogo, exibida em 1986 e desenvolvida com Marcílio Moraes, é considerada uma de suas mais bem escritas telenovelas, combinando crítica social ao ambiente empresarial e político brasileiro com elementos do thriller norte-americano. A obra consagrou definitivamente Tarcísio Meira e Eva Wilma na televisão e é lembrada até hoje como um dos pontos altos da ficção serial brasileira.

Em 1989, com o Brasil vivendo o clima tenso das primeiras eleições presidenciais diretas em quase trinta anos, Lauro criou O Salvador da Pátria, comédia que narrava as aventuras de Sassá Mutema, um homem simples alçado ao poder por forças que não compreendia. A novela capturou com humor agudo o populismo, a manipulação política e o fascínio das massas por figuras messiânicas, um retrato que continuaria pertinente muito além de seu tempo de exibição. A interpretação de Lima Duarte no papel principal ficou gravada na memória da televisão brasileira.

Chiquinha Gonzaga, sua minissérie biográfica exibida em 1999, foi mais uma prova de sua capacidade de resgatar figuras históricas com rigor e humanidade. A história da compositora e pianista brasileira do século XIX, pioneira na luta por seus direitos artísticos e pessoais em uma sociedade profundamente conservadora, ganhou nas mãos de Lauro uma narrativa que honrava a complexidade do personagem real. A produção foi um sucesso de crítica e de público e contribuiu para redescobrir a importância de Chiquinha Gonzaga para a cultura nacional.

Ao longo de sua extensa carreira, Lauro César Muniz demonstrou uma fidelidade à dramaturgia comprometida com o Brasil real, suas contradições, seus tipos humanos e suas transformações históricas. Suas novelas frequentemente funcionaram como retratos de época, documentos ficcionais que ajudam a compreender as mentalidades e os conflitos de cada período que retrataram. É um legado que poucos escritores de televisão em qualquer país conseguiram construir.

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