civilizacoes perdidas

Atenas

Capital e maior cidade da Grécia

6 min01/01/2024
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Atenas é uma cidade que existe antes mesmo dos registros escritos que a descrevem. Sua colina rochosa central, a Acrópole, foi habitada de forma contínua há pelo menos 3.400 anos, tornando o território que ela ocupa um dos espaços urbanos mais persistentemente habitados de toda a história humana. Capital e maior cidade da Grécia, ela domina a região da Ática, espalhando-se pela planície rodeada pelos montes Egaleu a oeste, Parnita ao norte, Pentélico a nordeste e Himeto a leste, com o Golfo Sarônico abrindo seu horizonte a sudoeste. Essa geomorfologia singular moldou tanto a história quanto os problemas contemporâneos da cidade, criando uma bacia que favorece as inversões térmicas e agrava os problemas de poluição atmosférica.

A origem do nome Atenas está diretamente ligada à deusa Atena, protetora da cidade, em cuja honra a pólis foi nomeada. Na língua grega antiga, a cidade era chamada Athēnai, uma forma plural que sugeria uma reunião de comunidades originalmente distintas. Durante o século XIX, esse nome antigo foi recuperado formalmente como denominação oficial. Com o abandono do grego formal purista em 1976, a forma popular Athína tornou-se o nome oficial, aproximando a nomenclatura da fala cotidiana dos atenienses.

O período que os historiadores chamam de Idade do Ouro grega, abrangendo aproximadamente os séculos V e IV antes de Cristo, foi o momento em que Atenas alcançou sua máxima expressão como centro cultural, intelectual e político do mundo ocidental. Naquela época, a cidade sediou a Academia de Platão e o Liceu de Aristóteles, duas das mais influentes instituições filosóficas da Antiguidade, que definiram questões e métodos de investigação que ainda hoje estruturam o pensamento ocidental. A democracia, sistema de governo que Atenas pioneiramente desenvolveu, representou uma ruptura radical com as monarquias e oligarquias que predominavam no mundo antigo, e sua influência atravessou séculos até moldar as revoluções políticas da modernidade.

A grandiosidade clássica de Atenas se materializou em monumentos que sobreviveram às guerras, às conquistas e às transformações políticas dos milênios seguintes. O Partenon, templo dedicado à deusa Atena, erguido no alto da Acrópole no século V a.C., é considerado um dos marcos fundadores da civilização ocidental e símbolo universal da arquitetura grega. Ao lado dele, outros templos, teatros e monumentos compõem o que é hoje um dos sítios arqueológicos mais visitados e estudados do planeta, reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO.

Após o período clássico, Atenas continuou como um importante centro de estudos durante o Império Romano, mantendo sua reputação intelectual mesmo sob domínio estrangeiro. Com a conversão do Império Bizantino ao cristianismo, porém, as escolas filosóficas foram fechadas em 529, encerrando oficialmente uma tradição que durava havia quase mil anos. Atenas declinou ao status de cidade provinciana, perdendo gradualmente a centralidade que havia definido sua existência por séculos.

Entre os séculos XIII e XV, a cidade foi disputada por diferentes forças: os herdeiros do Império Bizantino e os cavaleiros do Império Latino, aventureiros francos e italianos que haviam chegado à região após as Cruzadas. Em 1458, o Império Otomano tomou Atenas, inaugurando um período de ocupação que duraria quase quatro séculos. Sob domínio otomano, a população da cidade foi minguando progressivamente, e partes consideráveis de sua estrutura física foram destruídas durante os conflitos dos séculos XVII, XVIII e XIX, quando diferentes facções disputavam o controle da região.

Quando Atenas foi declarada capital do recém-estabelecido Reino da Grécia, em 1833, a cidade estava praticamente deserta. A independência grega, conquistada após uma guerra prolongada contra o Império Otomano, devolveu à cidade seu papel central no destino nacional, mas exigiu uma reconstrução quase integral. Ao longo das décadas seguintes, Atenas foi erguida como uma capital moderna, e monumentos do século XIX como o Parlamento Helênico, a Biblioteca Nacional, a Universidade e a Academia passaram a compor o horizonte urbano ao lado das ruínas antigas.

A última grande expansão da cidade ocorreu na década de 1920, quando ondas de refugiados gregos expulsos da Ásia Menor chegaram em massa, e novos bairros foram criados às pressas para acomodá-los. Esse fluxo transformou radicalmente o perfil demográfico e urbano de Atenas, adicionando camadas culturais e arquitetônicas que ainda são visíveis na cidade contemporânea. Décadas mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, Atenas foi ocupada pela Alemanha nazista e sofreu os rigores de uma ocupação que deixou marcas profundas na memória coletiva grega.

Com o fim da guerra e a entrada da Grécia na União Europeia em 1981, Atenas se beneficiou de novos investimentos e de uma abertura econômica que acelerou seu crescimento, mas também trouxe consigo os problemas das grandes metrópoles: congestionamento, superpopulação e deterioração da qualidade do ar. A cidade que uma vez havia sido o centro do mundo intelectual antigo passou a enfrentar as tensões características da modernização acelerada.

A Atenas contemporânea concentra cerca de um terço da população total da Grécia em sua região metropolitana, que reúne mais de três milhões de pessoas. É o principal centro econômico, financeiro, cultural e político do país, sede do maior porto de passageiros da Europa e classificada como cidade global por sua inserção no comércio internacional, nas finanças e no turismo. Em 1896, foi anfitriã dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, e em 2004 recebeu novamente a chama olímpica, voltando ao centro das atenções mundiais no espaço de um século. O Museu Arqueológico Nacional, que guarda a maior coleção de antiguidades gregas do mundo, e o novo Museu da Acrópole completam o panorama de uma cidade que é, ao mesmo tempo, arquivo vivo do passado e metrópole em permanente transformação.

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