Alexandre Félix Joseph Ribot nasceu em 7 de fevereiro de 1842, na cidade de Saint-Omer, no departamento de Pas-de-Calais, no norte da França. Desde jovem, demonstrou talento excepcional para os estudos, percurso que o levou a uma carreira brilhante na Universidade de Paris, onde foi laureado pela faculdade de direito. Após a graduação, ingressou rapidamente na ordem dos advogados e logo se destacou como secretário da conferência de advogados, além de tornar-se um dos fundadores da Société de législation comparée, associação dedicada ao estudo comparativo dos sistemas jurídicos internacionais.
O ingresso de Ribot na política ocorreu em 1877, e a estreia não poderia ter sido mais conturbada. Aquele ano foi marcado pela crise constitucional do Seize Mai, quando o presidente Mac-Mahon dissolveu a câmara numa tentativa de reverter o avanço republicano. Ribot desempenhou papel notável no comitê de resistência legal durante o ministério do Duque de Broglie, posicionando-se firmemente ao lado dos republicanos. No ano seguinte, foi eleito deputado por Boulogne, em seu departamento natal de Pas-de-Calais, como representante republicano moderado, iniciando uma longa carreira legislativa.
Na câmara, Ribot rapidamente se firmou pela eloquência e pelo rigor argumentativo. Opôs-se a medidas violentas contra as congregações religiosas não autorizadas, posição que revelava seu temperamento moderado e sua resistência a excessos anticlericais. Dedicou-se com especial afinco às questões financeiras e, em 1882, foi designado relator do orçamento, tarefa que exigia tanto domínio técnico quanto capacidade de negociação política. Tornou-se um dos mais proeminentes críticos republicanos do Partido Radical, distinguindo-se por atacar o breve ministério de Gambetta e por se recusar a votar os créditos militares solicitados por Jules Ferry para a expedição de Tonkin. Em 1885, foi um dos articuladores da queda do ministério Ferry junto com Georges Clemenceau, embora as eleições gerais daquele ano o tenham surpreendido com uma derrota pessoal no Pas-de-Calais, afastando-o da câmara até 1887.
O retorno de Ribot à cena nacional veio acompanhado de uma guinada política relevante. O crescimento do movimento bulangista, que ameaçava as próprias bases da República com apelos populistas e nacionalistas exacerbados, converteu-o à política de concentração republicana, que buscava unir os diferentes setores do espectro moderado em defesa das instituições. Em 1890, assumiu o Ministério das Relações Exteriores no gabinete de Freycinet, cargo para o qual estava bem preparado: tinha profundo conhecimento das instituições inglesas, demonstrado em dois trabalhos publicados sobre o direito britânico, e possuía um talento natural para a diplomacia.
Foi justamente como ministro das Relações Exteriores que Ribot realizaria um de seus feitos mais duradouros. Em 1891, conduziu as negociações que estabeleceram o entendimento inicial entre a França e a Rússia, aliança que amadureceria nos anos seguintes até se transformar em tratado formal. Aquela parceria estratégica redefiniria o equilíbrio de poder na Europa, rompendo o isolamento diplomático que Bismarck havia imposto à França após a Guerra Franco-Prussiana de 1870. O alinhamento franco-russo seria uma das bases do sistema de alianças que moldaria os eventos até 1914.
Ribot ocupou a presidência do conselho pela primeira vez entre 1892 e 1893, acumulando também a pasta das Relações Exteriores. O governo, porém, caiu em março de 1893 diante da recusa da câmara em aceitar as emendas do Senado ao orçamento, um dos embates institucionais recorrentes da Terceira República. Em 1895, com a eleição de Félix Faure para a presidência da República, Ribot voltou ao cargo de premier, desta vez assumindo também o Ministério das Finanças. Em 10 de junho daquele ano, fez o primeiro anúncio oficial da aliança definitiva com a Rússia, momento de peso histórico. Seu segundo governo, contudo, caiu em outubro de 1895, derrubado pela questão do Chemin de fer du Sud e pelos custos humanos e financeiros desastrosos da Segunda Expedição a Madagascar.
A carreira de Ribot atravessou as turbulências do caso Dreyfus e as batalhas anticlericais do início do século XX. Embora tivesse sido crítico ácido das políticas do gabinete Combes contra as congregações religiosas, demonstrou pragmatismo ao aceitar o novo regime que substituiria a Concordata de 1801, negociando atenuações nos artigos da separação entre Igreja e Estado. Em 1906, foi eleito deputado novamente por Saint-Omer e ingressou na Académie française em sucessão ao duque d'Audiffret-Pasquier. Em 1909, migrou para o Senado, onde continuou sua atividade política intensa.
Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, a vasta experiência de Ribot em finanças e relações exteriores tornou-o indispensável. Em 27 de agosto de 1914, assumiu o Ministério das Finanças no governo de defesa nacional de Viviani, cargo que manteve nas sucessivas reconfigurações ministeriais que marcaram os duros anos de guerra. Em março de 1917, foi convocado novamente à presidência do conselho, desta vez em plena crise do conflito, acumulando também a pasta das Relações Exteriores. Em sua declaração de política à câmara, em 21 de março, enunciou com clareza os objetivos de guerra da França: recuperar as províncias perdidas, obter reparações e garantias e construir uma paz duradoura fundada no respeito aos direitos dos povos.
Alexandre Ribot faleceu em 13 de janeiro de 1923, deixando para trás uma carreira de mais de quatro décadas como um dos mais persistentes e habilidosos operadores da Terceira República. Moderado por convicção, internacionalista por visão e jurista por formação, representou a face mais institucional e menos espetacular do republicanismo francês, aquela que constrói com paciência o que o entusiasmo apressado pode desfazer.

