Schuyler Colfax Jr. nasceu em 23 de março de 1823, na cidade de Nova York, numa família de modestas posses que não preparava seu filho para a grandeza, mas também não lhe fechava os caminhos. Ainda jovem, mudou-se para Indiana, estado do meio-oeste americano onde encontraria o solo fértil para construir sua identidade política. Indiana era então uma fronteira em expansão, um estado jovem onde as hierarquias sociais ainda eram fluidas e onde um homem de talento e ambição podia subir com uma velocidade que a Costa Leste já não oferecia.
Os primeiros passos de Colfax na vida pública foram dados dentro do Partido Whig, força política que representava os interesses do comércio, da modernização e da contenção do poder executivo numa época em que Andrew Jackson ainda moldava o imaginário político americano. Em 1850, participou da convenção constitucional estadual de Indiana, oportunidade de aprendizado e visibilidade que revelava sua disposição para o trabalho de bastidores. Nesse mesmo período, tentou sem sucesso uma eleição para a Câmara dos Representantes, derrota que serviu como escola prática sobre as dificuldades do processo eleitoral e sobre a necessidade de construção paciente de coalizões de apoio.
A crise do Partido Whig na primeira metade da década de 1850, precipitada pela questão da escravidão e pela aprovação da Lei Kansas-Nebraska em 1854, abriu espaço para rearranjos políticos profundos. Colfax transitou brevemente pelo movimento Know Nothing, formação nativista e anti-imigrante que teve um apelo momentâneo antes de se dissolver, e logo encontrou no recém-fundado Partido Republicano a casa definitiva para suas convicções. Era um partido novo, coeso em torno da oposição à expansão da escravidão para os territórios ocidentais, e Colfax ajudou a construí-lo em Indiana desde os primeiros dias.
Em 1855, foi eleito para a Câmara dos Representantes como republicano, iniciando uma sequência de mandatos que se estenderia até 1869. Ao longo desses catorze anos no Congresso, Colfax acumulou experiência, influência e reputação como parlamentar confiável e habilidoso. Em 1863, foi eleito Speaker da Câmara, a posição mais poderosa dentro do poder legislativo federal, cargo que exerceu durante um dos períodos mais turbulentos da história norte-americana. Como Speaker, presidiu os debates sobre a condução da Guerra Civil, sobre o financiamento do esforço de guerra, sobre as emendas constitucionais que aboliriam a escravidão e sobre as primeiras medidas da Reconstrução.
Em 1868, o Partido Republicano escolheu o herói de guerra Ulysses S. Grant como candidato à presidência e Colfax para acompanhá-lo na chapa como candidato a vice-presidente. A vitória foi ampla, e Colfax ascendeu ao segundo posto mais alto do governo norte-americano, tornando-se o 17º Vice-Presidente dos Estados Unidos. A vice-presidência da era Grant foi um cargo de prestígio institucional, mas de poder limitado: o vice-presidente presidia o Senado, mas raramente interferia decisivamente nas questões de governo. Colfax era uma figura popular, conhecido por seu estilo afável e sua capacidade de construir consensos, qualidades que o tornaram um vice-presidente agradável mas não transformador.
O episódio que mancharia sua trajetória para sempre veio à tona durante o primeiro mandato de Grant: o escândalo do Crédit Mobilier. A empresa, criada pelos controladores da Union Pacific Railroad, havia cobrado tarifas exorbitantes pelo trabalho de construção da ferrovia transcontinental, desviando fortunas dos cofres públicos para bolsos privados. Para garantir silêncio no Congresso, os envolvidos distribuíram ações da Crédit Mobilier a vários congressistas e membros do governo em condições vantajosas. Colfax estava entre os beneficiados, tendo recebido ações antes de assumir a vice-presidência.
Quando o escândalo veio a público em 1872, o impacto político foi devastador. Colfax perdeu a indicação republicana para a vice-presidência no segundo mandato de Grant, substituído por Henry Wilson. Tentou se defender alegando que as ações haviam sido recebidas antes de sua entrada no executivo, mas os argumentos não convenceram o público nem a comissão investigativa do Congresso. Sua carreira pública, construída ao longo de décadas de trabalho, foi irremediavelmente comprometida pela associação com um dos maiores escândalos de corrupção da Era Dourada americana.
Schuyler Colfax faleceu em 13 de janeiro de 1885, em Mankato, Minnesota, a apenas 61 anos. Sua história é, em certa medida, a história da política americana do século XIX em seu conjunto: a ascensão meteórica possibilitada pela mobilidade característica de uma república jovem, o papel central nas decisões que moldaram o destino da nação durante a Guerra Civil e a Reconstrução, e a queda provocada pela corrupção sistêmica que a Era Dourada transformou em modo de operação rotineiro. Colfax ficou preso entre dois mundos — o republicanismo idealista da geração que aboliu a escravidão e o pragmatismo venalidade que veio a seguir.


