Aleksandr Stepânovitch Popov nasceu em 16 de março de 1859, pelo calendário gregoriano, em Turínskiye Rudnikí, uma localidade nos Urais que hoje corresponde à cidade de Krasnoturinsk, na Rússia. Filho de um sacerdote ortodoxo, cresceu num ambiente de seriedade intelectual e devoção, mas foi pela ciência que encontrou sua vocação mais profunda. O menino dos Urais que um dia descreveria as ondas invisíveis que percorrem o espaço em silêncio iria se tornar um dos pioneiros da comunicação sem fio, embora o reconhecimento pleno desse feito jamais fosse isento de controvérsias.
Popov cursou a Universidade de São Petersburgo, onde adquiriu sólida formação em física e matemática. O ambiente intelectual da capital russa da segunda metade do século XIX era efervescente: as descobertas de Michael Faraday sobre o eletromagnetismo e as equações de James Clerk Maxwell haviam aberto um novo continente científico, e uma geração de físicos experimentais buscava traduzir aquela teoria em fenômenos observáveis e controláveis. Popov era um desses pesquisadores ávidos, com habilidade notável para construir instrumentos que capturassem o que os olhos humanos não podiam ver.
A figura central que inspirou os experimentos de Popov foi Heinrich Hertz, físico alemão que, nos anos finais da década de 1880, demonstrou experimentalmente a existência das ondas eletromagnéticas previstas por Maxwell. Os experimentos de Hertz eram elegantes em sua concepção, mas ainda limitados ao laboratório. Popov viu neles não apenas uma confirmação teórica, mas um ponto de partida para aplicações práticas. Em 1890, deu início a investigações sistemáticas nessa direção, que avançariam ao longo dos anos seguintes com crescente precisão.
Em 1894, Popov construiu o que é considerado o primeiro receptor de rádio, desenvolvendo uma versão aprimorada do coessor, dispositivo criado originalmente pelo italiano Edouard Branly para detectar ondas de rádio. A inovação de Popov tornou o aparelho mais sensível e mais confiável, capaz de registrar perturbações eletromagnéticas com maior consistência. O dispositivo foi apresentado à Sociedade Russa de Física e Química em 7 de maio de 1895, data que a Rússia celebra até hoje como o Dia do Rádio, reconhecendo naquele momento a paternidade do invento pela perspectiva russa.
Os experimentos avançaram com rapidez notável. Em março de 1896, Popov realizou uma transmissão de rádio entre dois edifícios do campus universitário, demonstrando que a comunicação sem fio era tecnicamente viável em condições controladas. Em 1898, deu um salto ainda maior, transmitindo sinais entre a costa e um navio situado a 5 quilômetros de distância. A aplicação naval da tecnologia era óbvia e imediata: a capacidade de comunicar-se com embarcações em alto mar sem o uso de cabos submarinos representaria uma revolução para a marinha militar e comercial.
Enquanto Popov trabalhava em São Petersburgo, o italiano Guglielmo Marconi desenvolvia de forma independente investigações paralelas que percorriam caminhos semelhantes com objetivos igualmente ambiciosos. Marconi, com maior acesso a capital privado e ao mercado britânico, avançou rapidamente para experimentos de longa distância, culminando na primeira transmissão transatlântica sem fios em 1901. A questão sobre quem havia inventado o rádio gerou uma disputa histórica que ainda hoje divide historiadores da ciência: a Rússia reivindica Popov, a Itália reivindica Marconi, e os defensores de cada lado apresentam evidências legítimas que sustentam sua posição.
O prestígio de Popov cresceu dentro da comunidade científica russa independentemente das disputas internacionais. Em 1901, foi nomeado professor no Instituto Eletrotécnico de São Petersburgo, e em 1905 foi eleito diretor da mesma instituição, que atualmente leva seu nome em homenagem à sua contribuição para a ciência aplicada. Seu trabalho com a Marinha Imperial Russa também rendeu aplicações concretas durante o conflito russo-japonês, embora as circunstâncias exatas desses usos ainda sejam objeto de investigação histórica.
Popov faleceu em São Petersburgo em 13 de janeiro de 1906, pelo calendário gregoriano, aos apenas 46 anos, vítima de hemorragia cerebral. A morte prematura privou a ciência de um pesquisador no auge de suas capacidades, e privou a Rússia de seu maior defensor na disputa pela paternidade do rádio. Foi sepultado no Cemitério de Volkovo, em São Petersburgo. Em 1979, a astrônoma soviética Lyudmila Zhuravlyova descobriu um asteroide que recebeu o número 3074 e o nome Popov, inscrevendo a memória do físico nos mapas do cosmo. A história da comunicação sem fio é, em larga medida, a história de homens como Popov: visionários que converteram equações abstratas em palavras que cruzam oceanos.


