Zuenir Carlos Ventura nasceu no dia 1 de junho de 1931 em Além Paraíba, Minas Gerais, e trouxe consigo a vocação para o jornalismo que ele mesmo descobriu precocemente. Na infância, foi levado por sua família para viver em Ponte Nova, onde estudou no Colégio Salesiano Dom Helvécio como interno. No Rio de Janeiro, quando tinha 11 anos, começou a trabalhar com o pai, que era pintor de paredes e depois passou por diversas ocupações menores, incluindo contínuo de banco, faxineiro de bar e balconista. A educação foi sempre uma meta para ele, graças à insistência da mãe. Em 1954, já como bolsista no Colégio Modelo, recebeu a proposta de dar aulas a crianças do curso primário em troca do direito ao ensino noturno, experiência que o levou a considerar uma carreira na educação.
Ventura cursou Letras Neolatinas na Faculdade Nacional de Filosofia da então Universidade do Brasil (atual UFRJ) e trabalhou ao lado do filólogo Celso Cunha na cátedra de Língua Portuguesa na Faculdade de Jornalismo. Em 1956, enquanto ainda cursava a universidade, Ventura se tornou arquivista noturno da Tribuna da Imprensa e logo depois foi convidado para escrever um artigo sobre Albert Camus. A publicação do texto o levou a uma carreira de jornalismo que duraria cerca de sete décadas.
Durante sua trajetória, Ventura trabalhou em diversos veículos de comunicação, como a Tribuna da Imprensa, O Cruzeiro, Veja e Jornal do Brasil. Ele vivenciou momentos cruciais na história brasileira, especialmente durante o período da ditadura militar (1964-1985). Em 1968, Ventura foi preso por cerca de três meses após o Ato Institucional número 5, mas não sofreu tortura física. Sua experiência carcerária e a repressão política foram temas recorrentes em sua obra.
Ventura é conhecido por suas obras que combinam investigação jornalística, memória e narrativa para contar acontecimentos por meio das pessoas que os viveram. Entre as mais famosas estão "1968: O Ano Que Não Terminou", sobre a geração que viveu as tensões políticas e culturais daquele ano; "Cidade Partida", resultado de sua convivência em Vigário Geral; e "Chico Mendes: Crime e Castigo", obra resultante de seu trabalho sobre o assassínio do ambientalista Chico Mendes.
O jornalismo de Ventura foi marcado por uma forte ética na apuração. Ele defendia cuidados na coleta de informações, alertava contra a pressa em transformar impressões certezas e via a profissão como um registro dos acontecimentos. Em 2014, Zuenir Carlos Ventura foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira n.º 32 até sua morte, aos 95 anos, em 22 de setembro de 2026.
A trajetória de Zuenir Ventura retrata o jornalismo brasileiro no século XX e início do século XXI. Sua contribuição para a compreensão da história e cultura nacional é inegável, tendo produzido um rico corpus literário que continua inspirando novas gerações de jornalistas e escritores.