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Fotos dos Mamonas Assassinas mortos

Conjunto de imagens do acidente do Learjet 25D em 1996 nas quais os corpos mutilados dos integrantes da banda Mamonas Assassinas são mostrados

5 min de leitura26/08/2026
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No sábado, 2 de março de 1996, a cena no Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos não passava de mais uma noite de movimento quando o Learjet 25D, com a banda Mamonas Assassinas a bordo, tentou pousar na pista. Ao arremeter, a aeronave colidiu com a Serra da Cantareira, transformando-se em um amontoado de destroços espalhados por 400 metros de mata. Entre os ocupantes estavam os cinco integrantes do grupo — Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli — além de três tripulantes e um segurança, todos mortos na queda. O acidente chocou o país não só pela morte repentina de uma banda que dominava as paradas musicais, mas também pela brutalidade do impacto, que deixou os corpos em condições irreconhecíveis, gerando uma das imagens mais controversas e discutidas do jornalismo brasileiro.

A comoção nacional foi agravada pela cobertura midiática que se seguiu. Enquanto equipes de resgate trabalhavam na mata densa para recuperar os corpos, jornalistas se aglomeravam na região, impedidos de acesso pela polícia e pela TV Globo, que havia fechado um acordo exclusivo com os socorristas. Entre eles estava Fernando Cavalcanti, fotógrafo do extinto jornal *Notícias Populares*, que, sem credencial oficial para a cena, se infiltrou disfarçado entre os agentes para registrar os destroços. Ao chegar, deparou-se com cenas de destruição total: pedaços da aeronave, objetos pessoais e, principalmente, os corpos mutilados das vítimas. A ausência de luz noturna impediu registros mais detalhados naquela madrugada, mas o amanhecer revelou a extensão do desastre.

Cavalcanti levava consigo apenas uma lente e um rolo de filme com 36 poses, o que o obrigou a escolher cuidadosamente cada enquadramento. O primeiro corpo que encontrou pertencia a Dinho, vocalista da banda, praticamente irreconhecível — faltavam-lhe um braço e uma perna, e apenas fragmentos do maxilar permitiram que fosse identificado por um familiar. O fotógrafo registrou não apenas os corpos, mas também equipamentos da banda, como microfones e instrumentos, que contrastavam com a violência da cena. As imagens, publicadas pelo *Notícias Populares*, chocaram o Brasil e se tornaram símbolo de um debate ético sobre os limites da imprensa.

O jornal, conhecido por seu estilo sensacionalista, viu suas vendas explodirem após a publicação das fotos. A tiragem do dia atingiu 250 mil exemplares, um recorde para a publicação, que não conseguiu atender à demanda dos leitores ávidos por detalhes do acidente. Em um segundo momento, o periódico emitiu um pedido de desculpas aos leitores, admitindo não ter conseguido suprir o interesse gerado — uma contradição que revelava a ambição comercial por trás da decisão editorial. A publicação das imagens explícitas expôs uma fratura na sociedade: enquanto parte do público defendia o direito à informação sem filtros, outra parcela questionava se a dignidade das vítimas havia sido violada.

O acidente dos Mamonas Assassinas ocorreu em um momento em que a banda estava no auge de sua carreira. Lançado em 1995, o álbum homônimo quebrou recordes de vendas, com mais de 1,75 milhão de cópias comercializadas, e emplacou sucessos como "Pelados em Santos" e "Vira-Vira". O grupo, que misturava humor escrachado com talento musical, já dava seus primeiros passos internacionais, com uma turnê marcada para Portugal. Estimativas da época sugeriam que, se mantivesse o ritmo de shows e vendas, cada integrante poderia arrecadar cerca de 188 milhões de reais até os 65 anos — um cálculo que, em retrospecto, soa como um presságio trágico. A morte do quinteto encerrou abruptamente uma trajetória que prometia ser ainda mais grandiosa.

As investigações posteriores revelaram falhas humanas e técnicas no acidente. O piloto, Jorge Luiz Martins, teria feito uma manobra arriscada e desrespeitado normas de segurança, enquanto o avião, já em condições precárias, não teria recebido manutenção adequada. A queda abriu uma clareira de 200 metros na Serra da Cantareira, e os destroços ficaram espalhados de forma tão violenta que a recuperação dos corpos exigiu horas de trabalho dos bombeiros e do Comando de Operações Especiais da PM. O resgate, iniciado à meia-noite de domingo, só terminou por volta das 10h45, quando os últimos corpos foram içados por helicópteros, já que o terreno acidentado impedia pousos.

O enterro da banda, realizado três dias depois em Guarulhos, reuniu cerca de 100 mil pessoas, um testemunho do impacto cultural que o grupo havia alcançado em poucos meses. A comoção foi tamanha que o evento se tornou um marco na história da música brasileira, associando para sempre o nome dos Mamonas Assassinas à tragédia. Anos depois, as fotos dos corpos ainda circulavam em páginas sensacionalistas, reavivando discussões sobre a exploração midiática da morte e a responsabilidade dos veículos de comunicação. O fotógrafo Fernando Cavalcanti, décadas depois, afirmou que a decisão de publicar as imagens nunca havia partido da imprensa, mas sim das redações, que ignoravam os apelos éticos dos profissionais de campo.

O legado dos Mamonas Assassinas transcendeu a música. O acidente expôs fragilidades na cobertura jornalística brasileira, onde o sensacionalismo muitas vezes prevalece sobre o respeito à memória das vítimas. As imagens, embora chocantes, serviram como um espelho da sociedade da época, refletindo tanto a admiração quanto a morbidez com que o público consumia a tragédia. Para muitos, aquelas fotos foram um marco na imprensa nacional, um momento em que a linha entre informação e exploração se tornou tênue demais para ignorar.

Duas décadas após o acidente, o debate sobre ética jornalística continua relevante, especialmente em uma era dominada pelas redes sociais, onde imagens de violência são compartilhadas em massa sem qualquer filtro. As fotos dos Mamonas Assassinas permanecem como um dos exemplos mais contundentes de como a imprensa pode cruzar limites, gerando não apenas audiência, mas também dor. Elas são, ao mesmo tempo, um registro histórico e um alerta silencioso sobre os custos da busca pelo espetáculo midiático em meio ao sofrimento alheio.

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