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Xuxa

Apresentadora, atriz, cantora, empresária, filantropa e ex-modelo brasileira

6 min de leitura28/07/2026
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Maria da Graça Meneghel, mundialmente conhecida como Xuxa, é uma das figuras mais emblemáticas da cultura brasileira, tendo construído uma trajetória que transcende os limites da televisão, do cinema e da música. Nascida em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, em 1963, ela carregou desde cedo o peso de um apelido que se tornaria sinônimo de alegria e entretenimento. A escolha do nome "Xuxa" veio de seu irmão, que a chamou assim ainda na infância, e anos depois, em 1988, ela conseguiu oficializar a mudança no registro civil. Filha de imigrantes italianos, poloneses, alemães e suíços, Xuxa herdou uma herança multicultural que, mais tarde, seria aproveitada em seus projetos artísticos, especialmente naqueles voltados para o público infantil.

A infância de Xuxa não foi marcada apenas pela simplicidade de uma menina do interior gaúcho. Aos sete anos, sua família se mudou para o Rio de Janeiro, onde ela cresceu no bairro de Bento Ribeiro, uma região humilde que contrastava com os futuros holofotes de sua carreira. Ainda adolescente, aos dezesseis anos, ela ingressou no mundo da moda como modelo, rapidamente se destacando nas passarelas e revistas brasileiras. Em pouco tempo, tornou-se um rosto conhecido, estampando capas de publicações femininas e conquistando espaço em uma das maiores agências de modelos do país, a Ford Models. Seu talento para a imagem chamou atenção, mas foi justamente um ensaio ousado, publicado na revista *Playboy* em 1982, que a levou a uma nova fase — e também a uma polêmica que a perseguiria por anos.

Em 1982, Xuxa estreou no cinema em *Amor Estranho Amor*, um filme polêmico que a mostrava em um papel adulto e controverso para a época. Interpretando uma prostituta que seduz um adolescente, a atriz enfrentou críticas e boatos infundados que associavam sua imagem pública à pedofilia. O filme, que chegou a ser proibido judicialmente anos depois, só foi liberado para exibição em 2018, após um longo embargo. Xuxa, no entanto, sempre defendeu seu trabalho, afirmando que a gravação ocorreu quando ela ainda era menor de idade e que não se arrependia da escolha artística. Essa experiência, embora marcante, seria apenas o prelúdio de uma carreira que a levaria muito além do cinema convencional.

O grande salto de Xuxa veio em 1983, quando o diretor Maurício Sherman a convidou para apresentar o *Clube da Criança* na Rede Manchete. Na época, ela já dividia sua rotina entre o Brasil e os Estados Unidos, onde trabalhava como modelo, mas a oportunidade de comandar um programa infantil representou um divisor de águas. Apresentando-se com energia e carisma, ela rapidamente conquistou o público infantil e, ao mesmo tempo, chamou a atenção da Rede Globo, que a convidou para um novo projeto em 1986: o *Xou da Xuxa*. O programa não apenas consolidou sua fama como a "rainha dos baixinhos", mas também transformou a televisão brasileira, introduzindo um formato inovador que mesclava música, brincadeiras e interatividade. Em questão de meses, Xuxa se tornou um fenômeno nacional, com milhões de crianças — e também adultos — sintonizando para assistir a seus shows.

Nos anos seguintes, Xuxa não só dominou a televisão brasileira como expandiu sua influência para além das fronteiras. Na década de 1990, ela comandou programas simultaneamente na Argentina, Espanha e Estados Unidos, alcançando uma audiência estimada de 100 milhões de telespectadores diários. No Brasil, continuou a bater recordes com atrações como *Xuxa Park* e *Planeta Xuxa*, que mantiveram altas as audiências mesmo em um cenário de forte concorrência. Paralelamente, sua carreira musical explodia. Com mais de 35 álbuns de estúdio e 23 de vídeo, ela se tornou uma das artistas mais bem-sucedidas do Brasil, com vendas superiores a 55 milhões de cópias. Álbuns como *Xou da Xuxa 3* foram reconhecidos pelo *Livro dos Recordes* como o mais lucrativo do gênero infantil de todos os tempos, enquanto canções como "Ilariê" e "Lua de Cristal" se eternizaram na cultura popular.

A trajetória cinematográfica de Xuxa também merece destaque, ainda que muitas vezes menosprezada pela crítica especializada. Filmes como *Lua de Cristal* e *Super Xuxa Contra Baixo Astral* atraíram milhões de espectadores, consolidando-a como uma das atrizes com maior média de público na história do cinema brasileiro. *Lua de Cristal*, lançado em 1990, vende mais de 4,1 milhões de ingressos, um feito impressionante que a tornou uma das estrelas mais rentáveis do setor. Embora suas produções fossem frequentemente rotuladas como "infantis" ou "comerciais", o apelo popular desses filmes demonstrou um fenômeno cultural difícil de ignorar: Xuxa não apenas refletia os gostos do público como ajudava a moldá-los.

A década de 2000 marcou um novo capítulo na carreira de Xuxa, com o lançamento da série *Xuxa Só para Baixinhos*, que se tornou um sucesso estrondoso. Os volumes da coleção, especialmente os lançados entre 2000 e 2010, receberam certificações de diamante e venderam milhões de cópias, reforçando seu status como ícone da música infantil. Além disso, ela continuou a explorar novos horizontes, como os prêmios Grammy Latino, que consagrou sua música com duas vitórias em seis indicações. Canções como "Doce Mel" e "Parabéns da Xuxa" se tornaram hinos para várias gerações, enquanto sua presença em programas como *Dancing Brasil*, na Rede Record, mostrou sua capacidade de se reinventar mesmo diante de mudanças no cenário midiático.

Fora dos palcos e das câmeras, Xuxa também se destacou por sua atuação filantrópica. Ao longo dos anos, ela esteve envolvida em diversas causas sociais, desde campanhas de saúde até projetos voltados para crianças e adolescentes. Seu compromisso com causas como a proteção da infância e o combate à violência doméstica a levou a criar fundações e participar de iniciativas de conscientização. Em 2019, sua fortuna foi estimada em US$ 160 milhões, o que a colocou entre as atrizes mais ricas do mundo, segundo rankings internacionais. Essa trajetória de sucesso financeiro, no entanto, não apagou as marcas de uma vida pública constantemente desafiada por controvérsias, sobretudo aquelas relacionadas ao seu passado no cinema adulto.

Xuxa também conquistou espaço no exterior como uma das poucas personalidades brasileiras a alcançar projeção global na década de 1990. Ao apresentar programas em países como Argentina e Espanha, ela se tornou uma espécie de embaixadora da cultura pop brasileira, mostrando que o entretenimento infantil poderia transcender barreiras linguísticas e culturais. Seu álbum homônimo lançado em 1989, voltado para o mercado hispânico, vendeu milhões de cópias, consolidando seu nome no exterior. Essa fase internacional, no entanto, contrastava com os desafios que enfrentaria no Brasil nas décadas seguintes, quando a televisão passou por transformações profundas com a chegada de novas mídias e formatos.

Apesar das mudanças no mercado de entretenimento, Xuxa manteve sua relevância ao longo dos anos, adaptando-se a novas plataformas e linguagens. Sua capacidade de se conectar com diferentes gerações — desde crianças que a acompanharam nos anos 1980 até novos públicos que descobrem sua obra por meio de *streamings* — é um testemunho de seu talento e resiliência. Hoje, aos 60 anos, ela continua sendo uma das figuras mais reconhecíveis do Brasil, com uma carreira que abrange mais de quatro décadas. Seja como apresentadora, cantora, atriz ou empresária, Xuxa deixou uma marca indelével na cultura brasileira, provando que, mais do que um ícone, ela é um fenômeno social que refletiu e ajudou a moldar os sonhos de milhões de pessoas.

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