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Voo Avianca 52

Acidente aéreo

4 min de leitura01/01/2024
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Na noite de 25 de janeiro de 1990, um Boeing 707 da companhia aérea colombiana Avianca aproximava-se lentamente do Aeroporto Internacional John F. Kennedy em Nova Iorque quando seus motores, um após o outro, começaram a falhar. O avião, que fazia a rota entre Bogotá e Nova Iorque, caiu sobre uma área residencial em Cove Neck, Long Island, e o desastre que se seguiu revelou não apenas uma falha técnica, mas uma cadeia de falhas humanas na comunicação que custou a vida de 73 das 158 pessoas a bordo.

A aeronave era um Boeing 707-321B, prefixo HK-2016, equipado com quatro motores Pratt & Whitney JT3D-3B. Havia feito seu primeiro voo em 1967 e acumulava mais de 61.100 horas de operação, um avião experiente mas ainda confiável. A rota entre Bogotá e Nova Iorque era um serviço internacional regular, e naquela noite de janeiro os passageiros embarcaram sem imaginar que a combinação de condições climáticas adversas e comunicações falhas transformaria a aproximação final numa tragédia.

As condições meteorológicas sobre Nova Iorque naquele dia eram severas. Quando o voo 52 se aproximava do aeroporto, o controle de tráfego aéreo instruiu a tripulação a executar três holding patterns, as manobras circulares de espera em que o avião gira em torno de um ponto fixo aguardando autorização para pousar. Juntos, esses três circuitos consumiram mais de uma hora de voo adicional. O combustível, calculado para a rota normal com reservas padrão, começava a se tornar um fator crítico.

Depois de finalmente receber autorização para iniciar a aproximação final pela pista 22L via instrumentos, a tripulação se deparou com mais um obstáculo: o windshear, fenômeno meteorológico de mudança brusca na direção e velocidade do vento que torna o pouso extremamente perigoso. O comandante foi obrigado a fazer uma arremetida, abortando o pouso e subindo novamente para realizar nova aproximação. Esse procedimento consumiu mais precioso combustível.

Quando o controle de tráfego aéreo vetorizou o avião para a segunda tentativa de pouso, o inevitável aconteceu. Os motores 3 e 4, situados no lado direito visto do cockpit, pararam por falta de combustível. Poucos minutos depois, às 21 horas e 34 minutos, a aeronave colidiu com um morro em área residencial de Cove Neck. O impacto foi devastador e a estrutura do Boeing sofreu danos irreparáveis.

As investigações conduzidas pelo NTSB, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos, apontaram uma constelação de fatores que convergiram para o desastre. A crítica mais contundente recaiu sobre a comunicação da tripulação com o controle aéreo: em nenhum momento os pilotos declararam emergência de combustível, o que teria dado prioridade imediata à aeronave e poderia ter mudado o desfecho. Em vez disso, solicitaram apenas prioridade, uma linguagem ambígua que os controladores de tráfego interpretaram como preferência de pouso, não como situação de risco iminente.

O relatório do NTSB também apontou diferenças culturais e linguísticas como fator agravante. A tripulação da Avianca era colombiana e, num contexto em que o inglês era a língua de comunicação com o controle aéreo de Nova Iorque, pode ter havido hesitação em usar expressões mais assertivas que soariam como uma violação de protocolo formal. A locução técnica para declarar emergência de combustível, que obrigaria o controle a agir imediatamente, simplesmente não foi pronunciada.

Além disso, o cansaço acumulado da tripulação após horas de voo e espera em holding pattern contribuiu para o julgamento deficiente nos momentos decisivos. O estresse de duas tentativas de pouso fracassadas, combinado com a pressão para finalmente colocar o avião no chão, provavelmente obscureceu a clareza necessária para comunicar a gravidade da situação.

O acidente do voo Avianca 52 teve consequências duradouras para a aviação civil. Tornou-se um caso de estudo em treinamentos de tripulação ao redor do mundo, especialmente na área de Crew Resource Management, o gerenciamento de recursos da tripulação, que enfatiza a comunicação clara e assertiva em situações de emergência. A NTSB reforçou suas recomendações sobre o uso obrigatório da terminologia correta para declarar emergências e sobre os procedimentos de replanejamento de combustível em condições de espera prolongada. O Boeing 707, nunca mais reparado após o desastre, virou símbolo permanente de como a falha de comunicação pode ser tão fatal quanto a falha mecânica.

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