tragedias

Vittorio Alfieri

Niccolò Vittorio Alfieri (Asti, 16 de janeiro de 1749 − Florença, 8 de outubro de 1803) fo

5 min de leitura01/01/2024
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Niccolò Vittorio Alfieri nasceu em Asti, no Piemonte, em 16 de janeiro de 1749, filho de pais ricos e de família nobre. Seu pai, o conde Antonio Alfieri, morreu quando o menino ainda era muito pequeno, e ele foi criado pela mãe até 1758, quando o tio materno o enviou para a academia militar de Turim. Aqueles anos de formação foram, segundo o próprio Alfieri recordaria mais tarde, de uma educação medíocre que não satisfez sua inteligência nem sua sensibilidade. O jovem nobre recebia instrução, mas não encontrava alimento para o espírito inquieto que já então o caracterizava.

De 1766 a 1772, Alfieri percorreu a Europa em longas viagens que o expuseram a diferentes culturas, línguas e ideias. Visitou a Inglaterra, a França, os países germânicos, a Holanda e a Itália, observando sociedades e políticas com o olhar de um jovem aristocrata que começava a formular suas próprias convicções. O contato com o pensamento iluminista, as discussões sobre liberdade e tirania que circulavam pelos salões europeus, foram deixando marcas profundas em sua visão de mundo. Ao retornar a Turim, Alfieri se viu incapaz de se conformar à vida de nobre ocioso ou de seguir a carreira militar, que lhe repugnava por ser, a seus olhos, uma forma de sujeição ao poder arbitrário dos príncipes.

A literatura foi o caminho que ele mesmo construiu. Em 1774, escreveu sua primeira tragédia, Antonio e Cleopatra, e o sucesso dessa tentativa dramática o convenceu de que havia encontrado sua verdadeira vocação. Reconhecendo a fragilidade de sua formação literária, Alfieri tomou medidas radicais para se corrigir: aprendeu latim e, em 1776, mudou-se para a Toscana com o objetivo específico de dominar o italiano literário em sua forma mais pura, afastando-se do dialeto piemontês que havia sido sua língua materna.

Em Florença, em 1777, conheceu Luísa de Stolberg-Gedern, condessa de Albany, esposa do pretendente jacobita ao trono inglês, Carlos Eduardo Stuart. O encontro foi transformador. Alfieri se apaixonou profundamente por ela, uma afeição que perdurou por toda a vida e moldou as décadas seguintes de sua existência. Para assegurar sua independência e poder permanecer próximo de Luísa, Alfieri tomou uma decisão financeira corajosa: cedeu sua fortuna e propriedades em Turim à irmã, a condessa Cumiana, em troca de uma pensão que garantia sua subsistência sem os laços que a propriedade criava com o estado piemontês.

Em 1780, a condessa de Albany abandonou o marido, que supostamente a maltratava com violência, e se instalou num mosteiro em Roma. Alfieri a seguiu, e em Roma completou catorze tragédias, algumas delas consideradas suas obras-primas. A proximidade com a amada, porém, tinha seus custos sociais: para preservar a reputação dela, Alfieri partiu de Roma em 1783 e viajou pela Itália. Voltando de uma passagem pela Inglaterra em 1785, foi reunir-se com a condessa em Colmar, na Alsácia, para onde ela havia se mudado. A partir de 1787 os dois viveram juntos exclusivamente em Paris.

Quando a Revolução Francesa estourou em 1789, Alfieri estava na Inglaterra e apressou-se a retornar a Paris. Como republicano convicto e adversário da tirania aristocrática, saudou inicialmente a revolução com entusiasmo, chegando a celebrar a queda da Bastilha numa ode. O entusiasmo, porém, durou pouco. Os acontecimentos dos anos seguintes, em particular a invasão das Tulherias em agosto de 1792, quando a monarquia foi deposta com violência, revelaram ao dramaturgo o que ele interpretava como uma nova tirania substituindo a antiga. Em 1792, Alfieri e a condessa de Albany deixaram a França em circunstâncias que ele descreveu como perigosas, e retornaram a Florença, onde passariam a última década da vida do escritor.

As consequências da Revolução foram pesadas para suas finanças: a propriedade que ele mantinha investida em fundos franceses foi confiscada pela convenção revolucionária, causando-lhe perdas consideráveis. O ressentimento que nasceu dessas experiências alimentou um ódio pelos franceses que cresceu com os acontecimentos posteriores na Itália, quando as tropas napoleônicas ocuparam a Península. Esse sentimento encontrou expressão literária no Misogallo, obra em que Alfieri derramou sua aversão pela França revolucionária e imperialista, publicada apenas dez anos após sua morte.

Em Florença, apesar do isolamento crescente e dos problemas de saúde, Alfieri manteve intensa atividade criativa. Aprendeu grego por conta própria, numa demonstração da determinação intelectual que sempre o caracterizara. A gota que o atormentou nos últimos anos, porém, foi limitando sua produção e seu ânimo. Ele morreu em Florença em 8 de outubro de 1803, aos 54 anos, e foi sepultado na Igreja de Santa Croce sob um monumento magnífico criado pelo escultor Canova. Em 1862, uma estátua de Bini foi erigida em Asti em sua homenagem.

A contribuição de Alfieri para a literatura italiana é medida não apenas pelo volume, mas pelo impacto que suas vinte e duas tragédias exerceram sobre a cultura do país. Antes dele, o diálogo dramático em italiano era invariavelmente lânguido e artificial; as tragédias pedantes do século XVI haviam dado lugar, nos séculos seguintes, a dramas marcados pela extravagância sentimental e pela improbabilidade da ação. Alfieri impôs ao gênero rigor formal, energia verbal e conteúdo político. Suas tragédias, permeadas pelas ideias republicanas de liberdade e pela repulsa de qualquer forma de tirania, influenciaram profundamente o Risorgimento, o movimento de unificação e libertação nacional italiano do século XIX, que via nelas uma voz antecipada dos anseios da nação.

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