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Tarcísio de Freitas

Político brasileiro, Governador do estado de São Paulo

5 min de leitura11/08/2026
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Tarcísio Gomes de Freitas é uma das figuras políticas mais influentes do cenário brasileiro atual, ocupando há pouco mais de um ano o cargo de governador de São Paulo, o estado mais populoso e economicamente relevante do país. Nascido no Rio de Janeiro em 1975, sua trajetória combina formação militar, expertise técnica em engenharia e uma carreira consolidada no serviço público, que o levou dos quartéis aos ministérios e, finalmente, ao Palácio dos Bandeirantes. Formado pela prestigiada Academia Militar das Agulhas Negras e pelo Instituto Militar de Engenharia, onde também obteve mestrado em engenharia de transportes, Freitas acumulou experiências tanto no campo operacional quanto no gerencial, com passagem pela Missão das Nações Unidas no Haiti. Essa combinação de habilidades e trajetória diferenciada ajudou a moldar sua imagem de gestor técnico, embora sua atuação política tenha gerado polêmicas e divisões.

Sua entrada na política ocorreu de forma direta, sem passar por eleições proporcionais ou cargos menores. Antes de se eleger governador em 2022, Tarcísio já havia ocupado posições estratégicas no governo federal, como a direção-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) durante parte do governo Dilma Rousseff, em um período marcado por uma "faxina ética" nos órgãos públicos. Mais tarde, assumiu o Ministério da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro, onde implementou um amplo programa de concessões e privatizações, transferindo ativos públicos para a iniciativa privada em setores como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Essa política de desestatização, embora defendida como modernizadora, também foi alvo de críticas por reduzir o controle estatal sobre infraestruturas estratégicas.

Como governador de São Paulo desde janeiro de 2023, Tarcísio tem mantido uma agenda agressiva de privatizações, leilões e concessões, com foco em setores como saneamento básico, energia, transporte público e até mesmo em serviços sociais. A Sabesp, empresa estadual de saneamento, foi uma das primeiras a ser alvo de privatização, assim como a Emae, responsável pela geração de energia elétrica, e trechos da CPTM, o sistema de trens metropolitanos que atende a Grande São Paulo. Além disso, o governo estadual tem promovido a cobrança de pedágios em rodovias antes gratuitas, uma medida que, segundo críticos, onera a população e beneficia empresas privadas. Essas ações refletem uma postura ideológica alinhada ao liberalismo econômico, em sintonia com setores do governo federal e com sua base política bolsonarista.

Outro aspecto controverso de seu governo diz respeito à segurança pública. Dados oficiais revelam um aumento significativo no número de mortes decorrentes de ações policiais desde o início de sua gestão, o que levanta questionamentos sobre o uso da força por agentes do Estado. Paralelamente, o governo tem direcionado recursos para o combate ao crime organizado, mas as críticas persistem, especialmente em relação à falta de políticas preventivas e de investimento em áreas sociais. Essa priorização da repressão em detrimento da prevenção é vista por analistas como um reflexo de uma visão de segurança pública que prioriza a resposta imediata, mesmo que com alto custo humano.

Na área social, Tarcísio implementou o programa Casa Paulista, voltado à regularização fundiária e à promoção do acesso à moradia para famílias de baixa renda. Embora o projeto tenha sido recebido como uma iniciativa positiva, ele também tem sido associado a críticas por facilitar a grilagem de terras públicas, especialmente em regiões rurais e de fronteira agrícola, onde grandes proprietários têm ocupado áreas de forma irregular. Essa política, segundo ambientalistas e movimentos sociais, pode agravar problemas como desmatamento e conflitos fundiários, especialmente em um estado com dimensões continentais como São Paulo.

Um ponto de destaque em sua gestão foi a regulamentação da distribuição de medicamentos à base de cannabis pelo Sistema Único de Saúde estadual, uma medida pioneira que atendeu a uma demanda histórica de pacientes que dependem desses tratamentos para condições como epilepsia e dores crônicas. Embora a iniciativa tenha sido elogiada por setores da sociedade civil e da área médica, ela também gerou resistência de grupos conservadores, que questionam o uso medicinal da substância. Essa dualidade reflete a complexidade de seu governo, que oscila entre políticas progressistas em áreas específicas e posturas mais alinhadas a pautas conservadoras em outros temas.

Politicamente, Tarcísio de Freitas se posiciona como um defensor do bolsonarismo, alinhando-se a pautas como a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e a flexibilização de leis ambientais. Essa postura tem consolidado sua base de apoio entre setores do agronegócio, do empresariado e da direita religiosa, mas também tem afastado eleitores de centro e esquerda, que veem em suas políticas um risco à coesão social e ao equilíbrio fiscal do estado. Sua relação com o governo federal, ainda que nem sempre harmoniosa, tem sido fundamental para viabilizar projetos de infraestrutura e obter recursos para São Paulo.

Antes de ingressar na política, Tarcísio teve uma carreira marcada por passagens pelo Exército Brasileiro, onde atuou como engenheiro militar e chegou ao posto de capitão. Essa experiência no setor de defesa e sua formação técnica são frequentemente evocadas por ele como elementos que garantem credibilidade em temas de infraestrutura e segurança. No entanto, sua trajetória no serviço público também é marcada por controvérsias, como os contratos irregulares firmados durante sua gestão no DNIT, que resultaram em prejuízos milionários ao erário e levaram a investigações da Justiça Militar e da Polícia Federal. Esses episódios, embora não tenham impedido sua ascensão política, ainda são lembrados por críticos que questionam sua idoneidade em determinados momentos.

Apesar das polêmicas, Tarcísio de Freitas se apresenta como um gestor pragmático, focado em resultados e na redução da máquina estatal. Seu estilo de liderança, marcado pela centralização de decisões e pela defesa de pautas liberais, tem dividido opiniões, mas sem dúvida tem colocado São Paulo no centro das discussões nacionais sobre políticas públicas. Se sua gestão será lembrada como transformadora ou como mais um capítulo de conflitos políticos e sociais, só o tempo dirá. Por ora, ele segue como uma das figuras mais relevantes e controversas da política brasileira contemporânea, com um legado que ainda está em construção.

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