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Renato Machado

Jornalista brasileiro

4 min de leitura18/07/2026
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Renato Machado foi um dos nomes mais emblemáticos do jornalismo brasileiro, cuja trajetória profissional se confundiu com a própria história da televisão no país. Nascido no Rio de Janeiro em 1943, ele não apenas cobriu os grandes eventos do Brasil e do mundo, mas também ajudou a moldar a linguagem do telejornalismo nacional, combinando rigor informativo com um estilo elegante e acessível. Com formação em Direito e jornalismo pela PUC-Rio, sua carreira teve início no rádio, mas logo se expandiu para a televisão, onde deixou marcas indeléveis em programas que se tornaram referência para milhões de brasileiros.

Antes de se consagrar como repórter e apresentador, Renato experimentou a atuação, participando de montagens teatrais e até mesmo de novelas na Globo nos anos 1960. Seu talento para a comunicação, no entanto, logo o levou para os bastidores do jornalismo, onde sua voz e presença se tornaram sinônimos de credibilidade. Trabalhou em veículos como o Jornal do Brasil e a extinta Rede Manchete, mas foi na Rede Globo que sua carreira atingiu o auge, ao lado de figuras como William Bonner e Fátima Bernardes.

Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória ocorreu em 1982, quando apresentou o primeiro Plantão JN da história da televisão brasileira, durante a cobertura da Guerra das Malvinas. Naquele ano, a televisão ainda engatinhava no formato de plantões, e Renato ajudou a estabelecer um padrão de urgência e clareza na transmissão de notícias ao vivo. Sua capacidade de sintetizar informações complexas em linguagem direta se tornou uma de suas marcas registradas, cativando o público e consolidando sua reputação como um dos grandes nomes do jornalismo nacional.

Além de suas atuações como repórter e apresentador, Renato teve uma passagem significativa como correspondente internacional, baseado inicialmente em Nova York e depois em Londres. De lá, cobriu eleições, conflitos armados e negociações políticas em regiões como a América Central e o Golfo Pérsico, sempre com a precisão e a profundidade que o caracterizavam. Suas reportagens para o Fantástico e o Globo Repórter levaram aos lares brasileiros histórias de pessoas comuns que, de alguma forma, se tornavam símbolos de resiliência ou superação.

No Brasil, Renato foi editor-chefe e apresentador do Bom Dia Brasil por 15 anos, entre 1996 e 2011, período em que o telejornal ganhou uma nova roupagem, incorporando temas como cultura, música e gastronomia. Ao lado de Renata Vasconcellos, ele ajudou a transformar o programa em um espaço de informação matinal não apenas política, mas também social e humanizada. Sua bancada se tornou um ponto de encontro para discussões que iam além dos fatos do dia, refletindo seu interesse por assuntos que enriqueciam o cotidiano do telespectador.

Fora das telas, Renato era conhecido por sua paixão pela música clássica e, especialmente, por sua erudição em vinhos e gastronomia. Como crítico de vinhos nos veículos O Globo e Rádio CBN, ele compartilhava seu conhecimento com o público, seja em colunas, seja em programas como "Reserva Especial", no GNT, onde desvendava os segredos da produção vinícola europeia. A parceria com o chef Claude Troisgros no programa "Menu Confiança" exemplificava sua habilidade em conectar culturas, unindo o prazer da boa mesa à apreciação dos melhores vinhos.

Sua vida pessoal também chamou atenção: foi casado com a icônica colunista Danuza Leão, com quem teve a atriz Maria Eduarda Machado, famosa por seu papel em "Malhação". Em 2009, Renato enfrentou um momento delicado de saúde quando precisou se submeter a uma cirurgia de ponte de safena, ficando afastado do Bom Dia Brasil por mais de um mês. A recuperação foi lenta, mas ele retornou ao programa com a mesma energia, demonstrando a determinação que o acompanhou por toda a carreira.

Nos últimos anos de sua trajetória na Globo, Renato retornou ao exterior como correspondente em Londres, produzindo matérias para os telejornais da emissora e mantendo uma coluna semanal no Jornal da Globo. Em dezembro de 2015, ao anunciar sua saída do Bom Dia Brasil, ele encerrou mais uma fase de sua carreira, retornando ao Brasil para se dedicar ao Globo Repórter como repórter especial. Suas reportagens, como a que contou a história de uma bailarina do Morro da Mangueira que alcançou sucesso em Nova York, mostraram que sua sensibilidade para as histórias humanas permaneceu intacta.

Em novembro de 2021, após mais de quatro décadas na Rede Globo, Renato Machado foi demitido, encerrando um ciclo de dedicação quase ininterrupta à emissora. A notícia surpreendeu muitos, mas não abalou a imagem de profissional que ele construiu ao longo dos anos. Sua demissão marcou o fim de uma era no telejornalismo brasileiro, onde sua presença era sinônimo de seriedade e elegância.

Renato faleceu em julho de 2026, aos 83 anos, vítima de insuficiência cardíaca. A notícia de sua morte foi veiculada pelo Jornal Nacional, relembrando ao país a importância de um homem que, por décadas, esteve à frente dos principais momentos da televisão brasileira. Seu legado, no entanto, transcende as telas: ele foi um contador de histórias, um observador atento do mundo e um profissional que acreditava no poder da informação como ferramenta de transformação. Ao longo de uma carreira que atravessou cinco décadas, Renato Machado deixou um rastro de profissionalismo, cultura e paixão pelo que fazia, consolidando-se como um dos grandes ícones do jornalismo brasileiro.

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