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Ptolemeu XIII Téo Filópator

Ptolemeu XIII Téo Filópator (62 a.C. — 47 a.C.) foi um rei do Reino Ptolemaico, que govern

4 min de leitura01/01/2024
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Ptolomeu XIII Téo Filópator nasceu por volta de 62 antes de Cristo, filho do faraó Ptolomeu XII, que havia governado o Egito em dois períodos separados e que, em seus últimos anos, dependera do apoio de Roma para manter-se no trono. O nome "Téo Filópator" significava, em grego, "amante do pai que é deus", uma fórmula helenística de autodivinização que os membros da dinastia ptolemaica adotavam como parte de sua afirmação de legitimidade sagrada. Ao herdar o trono, Ptolomeu XIII era apenas uma criança, e esse fato determinaria toda a dinâmica de seu brevíssimo e tumultuado reinado.

A morte de Ptolomeu XII, na primavera de 51 antes de Cristo, deixou o trono egípcio a ser partilhado entre Ptolomeu XIII, então com cerca de onze anos, e sua irmã mais velha, Cleópatra — aquela que a história conheceria como Cleópatra VII. O pai havia estipulado que os dois governariam juntos como co-regentes, e que seriam casados entre si, seguindo a tradição ptolemaica de casamentos entre irmãos para preservar a pureza dinástica. Desde o início, porém, a relação entre os dois foi de rivalidade, não de cooperação.

O verdadeiro poder por trás do jovem rei era o eunuco Potino, que atuava como regente e conduzia as decisões administrativas e políticas do reino. Em outubro de 50 antes de Cristo, Ptolomeu XIII foi promovido a governante sênior em relação à irmã, uma mudança que refletia mais as manobras de Potino do que qualquer força política própria do menino-rei. O nome de Cleópatra foi omitido de documentos oficiais, enquanto a efígie dela aparecia em moedas — sinal de que sua popularidade real era maior do que o arranjo político tentava suprimir.

Na primavera de 48 antes de Cristo, a tensão explodiu em confronto aberto. Ptolomeu XIII e Potino conseguiram forçar Cleópatra a abandonar o Egito e fugir para a Síria. A rainha, porém, não se rendeu: reorganizou-se no exterior, reuniu um exército próprio e retornou às fronteiras egípcias. Uma guerra civil instalou-se no país, tornando a situação ainda mais complicada pela entrada em cena de uma terceira pretendente ao trono, Arsínoe IV, outra irmã do casal, que também reivindicava o poder para si.

Foi exatamente nesse momento que o destino da República Romana cruzou-se com a crise dinástica egípcia. Pompeu, o Grande, derrotado na batalha de Farsália por Júlio César, chegou ao Egito em busca de refúgio. Ptolomeu XIII e seus conselheiros debateram o que fazer com o fugitivo romano. Acolhê-lo poderia desagradar ao vencedor César; recusá-lo poderia parecer covardia. A decisão tomada foi brutal: em 29 de setembro de 48 antes de Cristo, Pompeu foi assassinado por Aquilas e Lúcio Septímio logo ao desembarcar, e sua cabeça foi preservada para ser entregue a César quando este chegasse.

César desembarcou em Alexandria dias depois. Ao receber a cabeça de seu antigo aliado, o general romano reagiu com desgosto, segundo as fontes antigas, e ordenou que o corpo de Pompeu fosse localizado e recebesse um funeral digno. A tentativa de Ptolomeu XIII de ganhar o favor de Roma com esse gesto macabro fracassou completamente. Cleópatra, por outro lado, mostrou-se muito mais hábil: conseguiu encontrar-se com César de forma privada — a lenda conta que foi introduzida no aposento dele enrolada em um tapete — e tornou-se sua amante. César, impressionado com sua inteligência e determinação, passou a apoiá-la.

Com o respaldo romano, Cleópatra foi oficialmente reintegrada ao trono. Potino foi executado por ordem de César. Ptolomeu XIII, recusando-se a aceitar a derrota, aliou-se a Arsínoe IV e reorganizou as forças militares leais a eles. Em meados de dezembro de 48 antes de Cristo, os dois grupos opostos travaram batalhas dentro da própria Alexandria, causando destruição generalizada na cidade. Foi durante esse período caótico que ocorreu o célebre incêndio que danificou a Biblioteca de Alexandria, um dos mais dolorosos episódios de destruição cultural da Antiguidade.

A chegada de reforços romanos inclinou a balança definitivamente a favor de César e Cleópatra. A Batalha do Nilo, em 47 antes de Cristo, encerrou o conflito com a vitória completa do lado romano. Derrotado e sem saída, Ptolomeu XIII tentou cruzar o rio Nilo — se em busca de fuga ou de negociações, as fontes antigas divergem. Em 13 de janeiro de 47 antes de Cristo, ele se afogou no Nilo, encerrando um reinado que durou apenas quatro anos e que foi menos a história de um rei do que a de um peão nas mãos de adultos mais ambiciosos.

Com a morte do irmão, Cleópatra VII tornou-se a governante incontestável do Egito. Para preservar as formas ptolemaicas, nomeou seu irmão mais novo, Ptolomeu XIV, como co-regente, mas o poder real era inteiramente seu. A trajetória de Ptolomeu XIII ilustra com clareza como a infância no poder pode ser uma sentença de morte quando as forças externas são suficientemente poderosas e os conselheiros suficientemente ambiciosos para sacrificar o soberano em nome de seus próprios interesses.

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