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Portugal

País no sudoeste da Europa com 2 arquipélagos povoados no Oceano Atlântico

7 min de leitura01/01/2024
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Portugal é um dos países mais antigos da Europa, com fronteiras definidas ainda no século XIII e uma história que se estende por milênios, passando da pré-história às grandes navegações e chegando ao século XXI como uma democracia consolidada e membro ativo da comunidade internacional. Sua trajetória é marcada por uma combinação singular de resistência, expansão e adaptação que poucas nações conseguiram replicar.

O território que hoje corresponde à República Portuguesa foi habitado de forma contínua desde tempos remotos. Os vestígios humanos modernos mais antigos conhecidos na região datam de aproximadamente 24.500 anos, representando indivíduos que combinavam traços de humanos modernos e de neandertais, o que os torna também os registros mais recentes de seres com características neandertais conhecidos pela ciência. Com o tempo, a região foi sendo ocupada por povos celtas, como os galaicos e os lusitanos, além de visitada por fenícios e cartagineses. A resistência lusitana à expansão romana, encarnada na figura de Viriato, tornou-se um símbolo duradouro de identidade nacional, embora o território tenha sido finalmente integrado ao Império Romano como a província da Lusitânia.

A romanização foi profunda e deixou marcas permanentes, em especial na língua: o latim falado nessas terras evoluiu ao longo dos séculos para o português. Com o enfraquecimento do Império, a partir do século V, chegaram os povos germânicos, como os suevos e os visigodos. No século VIII, as terras foram conquistadas pelos mouros, iniciando um período de dominação islâmica que duraria séculos. Durante a Reconquista cristã, o Condado Portucalense foi estabelecido no século IX por Vímara Peres como vassalo do reino das Astúrias. Em 1097, o condado foi integrado ao Reino de Leão, mas a independência viria logo a seguir: após a batalha de São Mamede, em 1128, D. Afonso Henriques afastou sua mãe D. Teresa e seus aliados galegos do poder, e em 1139 proclamou-se rei de Portugal. O papa Alexandre III reconheceu oficialmente a independência do novo reino por meio do documento Manifestis Probatum, em 23 de maio de 1179. As fronteiras definitivas foram estabelecidas pelo Tratado de Alcanizes em 1297, tornando Portugal o mais antigo Estado-nação da Europa com fronteiras definidas.

O nome do país tem origem incerta. Uma das explicações mais aceitas deriva de Portus Cale, o nome latino-celta da região do atual Porto e de Vila Nova de Gaia. O topônimo "Portucale" já aparecia em textos do século V, e a forma "Portugal" foi sendo consolidada ao longo dos séculos IX e X. O rei Fernando I de Leão e Castela foi o primeiro a denominá-lo oficialmente Portugal ao dá-lo a seu filho D. Garcia em 1067.

Os séculos XV e XVI representam o capítulo mais grandioso e controverso da história portuguesa. Pioneiros na Era dos Descobrimentos, os portugueses expandiram rotas marítimas que ligavam a Europa à África, Ásia, Oceânia e América do Sul. A conquista de Ceuta em 1415 é considerada o marco inicial do Império Português, o primeiro império global da história. Navegadores como Bartolomeu Dias, Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral abriram caminhos que transformaram o comércio mundial e posicionaram Portugal como a potência política, econômica e militar mais importante do planeta por décadas. Esse império colonial seria também o mais duradouro dos impérios europeus modernos, com quase 600 anos de existência.

A importância internacional de Portugal foi declinando ao longo do século XIX, em grande medida com a independência do Brasil em 1822. Em 1910, a monarquia foi abolida pela Revolução Republicana, encerrando uma sequência de 34 monarcas que governaram o país desde 1139. A Primeira República mostrou-se politicamente instável, marcada por sucessivos governos de curta duração. Em 1926, um golpe de Estado instaurou uma ditadura militar, e em 1933 foi criado o Estado Novo, regime autoritário que sob António de Oliveira Salazar e, posteriormente, Marcello Caetano perdurou por quatro décadas.

A democracia foi restaurada pela Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974, que encerrou a guerra colonial em África e abriu caminho para a independência de colônias como Angola e Moçambique. Em 1999, a transferência da soberania de Macau para a China marcou simbolicamente o encerramento definitivo do ciclo imperial. Portugal ingressou na União Europeia em 1986, adotou o euro como moeda e integrou o Espaço Schengen, consolidando sua inserção plena no mundo ocidental contemporâneo. O país é hoje membro da ONU, da OTAN, da OCDE e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, participando ativamente de missões internacionais de paz. Com um Índice de Desenvolvimento Humano muito elevado e classificação entre os países mais pacíficos e globalizados do mundo, Portugal chegou ao século XXI como uma nação que soube transformar séculos de aventura e contradição em uma identidade única.

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