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Paulo José

Ator, roteirista e diretor brasileiro

4 min de leitura20/08/2026
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Paulo José Gómez de Souza foi um dos nomes mais versáteis e influentes do teatro, cinema e televisão brasileiros. Nascido em Lavras do Sul, no Rio Grande do Sul, em 1937, herdou de seus pais — um engenheiro civil e uma pianista espanhola — uma formação cultural rica, que o levou a se aproximar das artes ainda jovem. Em Porto Alegre, aos 18 anos, começou a atuar no teatro, integrando o Teatro de Equipe, um grupo de vanguarda que reunia nomes como Paulo César Pereio e Lilian Lemmertz. Suas primeiras experiências no palco, em peças como *O Muro*, de Sartre, já demonstravam sua capacidade de se envolver em personagens complexos, um traço que marcaria toda a sua carreira.

Sua trajetória no cinema começou em 1966, com *O Padre e a Moça*, um filme que não só lançou sua carreira nas telonas como também lhe rendeu seu primeiro prêmio de Melhor Ator. O reconhecimento veio rápido, especialmente após *Todas as Mulheres do Mundo*, onde Paul José interpretou múltiplos papéis, consolidando sua imagem como um ator de grande expressividade. Nos anos seguintes, ele se tornou um dos rostos mais associados às comédias brasileiras, estrelando sucessos como *Edu, Coração de Ouro* e *O Rei da Noite*, que lhe valeram premiações importantes, inclusive no prestigiado Festival de Brasília.

Na televisão, Paulo José fez sua estreia em 1969, em *Véu de Noiva*, mas foi em *Assim na Terra Como no Céu*, dois anos depois, que ele conquistou o público interpretando o carismático Samuca. Essa fase marcou o início de uma relação duradoura com as telenovelas, que o levou a viver personagens inesquecíveis, como Shazan, na série *Shazan, Xerife e Cia.*, ao lado de Flavio Migliaccio. Sua habilidade em transitar entre gêneros — da comédia ao drama — o tornou um nome indispensável na programação da Rede Globo, onde atuou em produções como *O Tempo e o Vento* e *Tieta*.

Além de ator, Paulo José também se destacou como diretor e roteirista. No teatro, foi responsável por montagens importantes, como *Arena conta Zumbi*, espetáculo que unia dramaturgia e engajamento político em plena ditadura militar. No cinema, dirigiu e estrelou filmes que exploravam a identidade brasileira, como *Macunaíma*, adaptação do romance de Mário de Andrade, onde interpretou o personagem-título com irreverência e profundidade. Essa capacidade de transitar entre diferentes linguagens artísticas revelava sua visão inovadora, sempre em sintonia com os movimentos culturais de sua época.

Sua trajetória no teatro não se limitou à atuação. Paulo José foi um dos fundadores do grupo que assumiu o Teatro de Arena em São Paulo, ao lado de figuras como Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Nessa época, o teatro brasileiro passava por uma transformação, com grupos buscando romper com as estruturas tradicionais e aproximar-se de temas sociais urgentes. Nesse contexto, Paulo José não só participou como liderou iniciativas que ajudaram a moldar o teatro engajado, uma marca do período.

Na década de 1980, ele expandiu seus horizontes, dirigindo a minissérie *Joana* para a TV Manchete, um projeto independente que mostrava sua habilidade em conduzir narrativas fora do padrão das grandes emissoras. Nos anos seguintes, alternou entre telenovelas, seriados e minisséries, sempre mantendo um padrão de qualidade. Personagens como o empresário Celso Rezende em *Roda de Fogo* ou o cineasta Gregório em *Sampa* demonstram sua capacidade de criar perfis memoráveis, independentemente do formato.

Mesmo após décadas de carreira, Paulo José continuou a surpreender. Em 2009, após um período afastado dos palcos, retornou ao teatro em *Um Navio no Espaço ou Ana Cristina Cesar*, mostrando que sua vitalidade artística não conhecia limites. Nos anos 2000 e 2010, ele seguiu atuando em produções como *JK*, *Caminho das Índias* e *Em Família*, sempre com a mesma dedicação. Sua presença no seriado *As Brasileiras* ou na microssérie *O Pequeno Alquimista* confirmava que, mesmo em papéis menores, ele conseguia deixar sua marca.

Um aspecto menos conhecido de sua carreira foi seu envolvimento com a direção de programas como *Você Decide*, onde pôde exercer um controle criativo sobre histórias que abordavam temas sociais, como o episódio *Em Nome do Filho*. Essa faceta revelava um Paulo José preocupado não apenas em atuar, mas em participar ativamente da construção de narrativas, seja na televisão ou no cinema.

Paulo José faleceu em 2021, deixando um legado que transcende gerações. Sua trajetória reflete a história do entretenimento brasileiro, desde os tempos de ouro do cinema nacional até a consolidação da televisão como meio de massa. Ele foi um artista que soube se reinventar, transitando com naturalidade entre a comédia popular e o drama mais reflexivo, sempre com um olhar atento à realidade social. Sua morte deixou uma lacuna, mas sua obra continua a inspirar novos talentos e a ser revisitada por quem busca entender a evolução das artes cênicas no Brasil.

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