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NASA

Agência governamental dos Estados Unidos relacionada aos programas espaciais

7 min de leitura01/01/2024
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A criação da NASA em 29 de julho de 1958 não foi um ato isolado de visão científica, mas a resposta urgente de uma nação que se via ameaçada em sua posição de liderança mundial. O mundo estava em plena Guerra Fria, e a União Soviética havia dado uma demonstração dramática de capacidade tecnológica ao lançar, em 4 de outubro de 1957, o Sputnik-1, o primeiro satélite artificial da história. O choque foi imenso nos Estados Unidos, gerando o que ficou conhecido como a Crise do Sputnik, e o governo americano percebeu que precisava de uma resposta à altura.

Antes da NASA existiu o NACA, o Comitê Consultivo Nacional para a Aeronáutica, fundado em 1915 e responsável pela pesquisa aeronáutica americana por décadas. Entre o final de 1957 e o início de 1958, o NACA passou a estudar qual deveria ser o papel de uma agência espacial civil. Em 12 de janeiro de 1958, foi criada uma Comissão Especial de Tecnologia Espacial dirigida por Guyford Stever, que consultou o programa de foguetes da Army Ballistic Missile Agency, liderada por Wernher von Braun, o engenheiro alemão que havia desenvolvido os mísseis V-2 durante a Segunda Guerra Mundial e depois emigrou para os Estados Unidos.

O diretor do NACA, Hugh Dryden, foi enfático ao defender em janeiro de 1958 que o desafio do Sputnik deveria ser enfrentado com energia e que a pesquisa científica espacial deveria ficar sob responsabilidade de uma agência nacional civil. O argumento era de que o NACA, devidamente ampliado e reorientado, poderia liderar essa expansão. Em paralelo, os Estados Unidos deram sua resposta espacial imediata com o lançamento do Explorer 1, em 31 de janeiro de 1958, tornando-se o primeiro satélite norte-americano.

Em abril de 1958, o presidente Eisenhower discursou no Congresso favorecendo a criação de uma agência civil espacial e apresentou um projeto de lei. O Congresso aprovou a legislação com ajustes menores, e o National Aeronautics and Space Act foi formalizado em 16 de julho. Menos de duas semanas depois, em 29 de julho, Eisenhower assinou o ato que instituía a NASA. Quando a agência iniciou suas operações em 1 de outubro de 1958, absorveu integralmente o NACA com seus 8 mil funcionários, um orçamento de 100 milhões de dólares e três laboratórios de pesquisa principais: o Langley Aeronautical Laboratory, o Ames Aeronautical Laboratory e o Lewis Flight Propulsion Laboratory.

A herança tecnológica da NASA incluía ainda elementos da Army Ballistic Missile Agency e do Naval Research Laboratory. A tecnologia dos foguetes V-2 alemães de von Braun, que por sua vez havia sido influenciada pelo pioneirismo do americano Robert Goddard, deu à agência uma base sólida para competir com os soviéticos. Em dezembro de 1958, a NASA assumiu o controle do Jet Propulsion Laboratory, operado pelo California Institute of Technology.

Nos anos seguintes, a NASA protagonizou feitos que redefiniriam a relação da humanidade com o cosmos. O programa X-15, herdado do NACA, realizou 199 voos entre 1959 e 1968, testando os limites da aviação hipersônica a partir de Boeing B-52. Doze pilotos selecionados pela Força Aérea, Marinha e NACA participaram do programa, que estabeleceu recordes mundiais de velocidade e altitude. Em seguida vieram os programas Mercury, Gemini e Apollo, cada um ampliando as fronteiras do que era possível.

O ponto culminante veio em 1969, quando a missão Apollo 11 pousou no Mar da Tranquilidade e Neil Armstrong deu os primeiros passos humanos na superfície lunar. O feito, acompanhado ao vivo por centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, representou não apenas uma vitória tecnológica dos Estados Unidos na corrida espacial, mas um marco na história da civilização. A NASA enviaria outros astronautas à Lua em missões subsequentes, até que o programa Apollo foi encerrado.

Nas décadas seguintes, a agência expandiu seus horizontes. Trabalhou em cooperação com a Agência Espacial Europeia, a Agência Espacial Federal Russa e parceiros asiáticos na construção e operação da Estação Espacial Internacional. Desenvolveu missões robóticas como a sonda New Horizons, que viajou até os confins do sistema solar para fotografar Plutão, e o Earth Observing System, voltado para a compreensão da Terra a partir do espaço.

A NASA também investiu em propulsão elétrica e híbrida para aeronaves, como o X-57 Maxwell, explorando tecnologias que podem moldar o futuro da aviação. Sua missão oficial permanece a de fomentar o futuro na pesquisa, descoberta e exploração espacial, e a próxima grande meta declarada é uma viagem tripulada a Marte. Desde seus primeiros dias como resposta urgente ao Sputnik, a agência transformou-se na maior organização de exploração espacial da história, carregando consigo a curiosidade e o espírito aventureiro da humanidade em direção ao desconhecido.

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