Matheus Cunha é um dos nomes mais promissores do futebol brasileiro na atualidade, mas sua trajetória revela uma carreira marcada por altos e baixos, superações e adaptações a diferentes ligas europeias. Nascido em João Pessoa, na Paraíba, o atacante de 25 anos construiu uma história que mistura talento precoce, versatilidade e a resiliência típica de quem precisa se reinventar em um dos esportes mais competitivos do mundo. Hoje, ele defende o Manchester United, um dos maiores clubes da Inglaterra, e veste a camisa da Seleção Brasileira, mas seu caminho até aqui foi pavimentado por desafios que vão além das quatro linhas.
A paixão pelo futebol começou cedo, no futsal do Esporte Clube Cabo Branco, onde Matheus desenvolveu habilidades que mais tarde o destacariam no futebol de campo. Aos 11 anos, um empresário o levou para testes no Coritiba, um dos clubes mais tradicionais do Paraná. Foi no Coxa que ele deu os primeiros passos rumo ao profissionalismo, chamando atenção em competições de base, como a Copa São Paulo de Futebol Júnior e a Dallas Cup, nos Estados Unidos. Esses torneios serviram como vitrine, e logo o jovem paraibano despertou o interesse do Sion, da Suíça, onde iniciaria sua carreira internacional.
O Sion foi o palco onde Matheus Cunha mostrou ao mundo que tinha potencial para brilhar. Em sua primeira temporada como profissional, aos 18 anos, ele já se destacava como um dos principais jogadores do time, conquistando até mesmo o prêmio de Melhor Jogador do Mês no Campeonato Suíço. Seu desempenho explosivo, que incluiu um hat-trick contra o Thun, o colocou no radar de clubes maiores. Com 10 gols em 29 jogos, ele terminou a temporada como artilheiro da equipe e o brasileiro com mais gols na liga suíça. Esse desempenho chamou a atenção do RB Leipzig, que desembolsou 15 milhões de euros para contratá-lo, tornando-o o primeiro atacante brasileiro da história do clube alemão.
Na Alemanha, porém, Matheus enfrentou seu primeiro grande desafio: a concorrência interna. No Leipzig, ele dividiu espaço com nomes como Timo Werner e Yussuf Poulsen, uma dupla que dominava as escalações e os holofotes. Ainda assim, o brasileiro conseguiu se destacar em momentos pontuais, como na disputa pelo Prêmio Púskas, que reconhece o gol mais bonito do ano. Seu lance contra o Bayer Leverkusen, embora não tenha vencido, ficou marcado como um dos mais espetaculares da temporada. Fora de campo, ele também representou o Brasil na Seleção Sub-23, ajudando na classificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, adiados para 2021 devido à pandemia.
A busca por mais minutos em campo levou Matheus ao Hertha Berlim, onde chegou por cerca de 20 milhões de euros. No clube da capital alemã, ele viveu uma montanha-russa: momentos de brilho, como os dois gols contra o Borussia Dortmund, se misturavam a lesões recorrentes que atrapalhavam sua sequência. Mesmo assim, ele conseguiu marcar 11 gols em 40 jogos, um número respeitável, mas insuficiente para garantir sua permanência em um time que lutava contra o rebaixamento. Sua saída do Hertha coincidiu com um novo passo em sua carreira: a transferência para o Atlético de Madrid, um dos gigantes da La Liga.
No Atlético, Matheus Cunha chegou com status de promessa, mas logo percebeu que a concorrência seria ainda mais dura. Com Luis Suárez como titular absoluto, o brasileiro teve que se contentar com participações esporádicas, marcando sete gols em sua primeira temporada. Na segunda, porém, a situação piorou. Sem balançar as redes e relegado ao banco de reservas, ele viu seu espaço na Seleção Brasileira diminuir. A convocação de Pedro, do Flamengo, para a Copa do Mundo de 2022, em seu lugar, foi um baque. Matheus admitiu publicamente sua frustração, reconhecendo que precisava de um novo desafio para recuperar seu futebol.
Foi assim que, no final de 2022, ele desembarcou no Wolverhampton, da Inglaterra, inicialmente por empréstimo. O clube inglês tinha uma cláusula de compra obrigatória caso o jogador atingisse determinadas metas, o que acabou acontecendo. Nos Wolves, Matheus encontrou um ambiente mais acolhedor, mas ainda lutava para recuperar a forma que o tornou conhecido. Seus primeiros meses na Premier League foram discretos, com apenas dois gols em suas primeiras aparições. Ainda assim, o brasileiro mostrou lampejos de sua qualidade, especialmente em jogadas de velocidade e finalização.
A transferência para o Manchester United, em 2024, representou um recomeço em um dos maiores palcos do futebol mundial. No United, Matheus Cunha tem a chance de reescrever sua história, agora sob o comando de um clube que busca retomar seu lugar entre as potências europeias. Sua versatilidade, capaz de atuar como ponta ou centroavante, é um trunfo valioso em um time que precisa de opções ofensivas criativas. Além disso, sua experiência em ligas competitivas como a Bundesliga e a La Liga pode ser decisiva para se adaptar à intensidade da Premier League.
O que torna Matheus Cunha um jogador interessante não é apenas seu talento, mas sua capacidade de se reinventar. De João Pessoa aos gramados europeus, ele enfrentou adversidades que vão desde a concorrência acirrada até lesões e momentos de baixa confiança. Sua trajetória serve como um lembrete de que o futebol nem sempre é uma linha reta rumo ao sucesso. Para ele, cada mudança de clube foi uma oportunidade de provar seu valor, mesmo quando as circunstâncias não eram favoráveis. Agora, no Manchester United, Matheus tem a chance de mostrar que ainda pode ser um dos principais nomes do ataque brasileiro. Se conseguir, sua história ganhará um novo capítulo, talvez o mais importante de todos.




