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Douglas Santos

Futebolista brasileiro

5 min de leitura21/06/2026
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Douglas Santos é um dos laterais-esquerdos mais consistentes do futebol brasileiro na última década, construindo uma carreira que mistura superação, versatilidade e sucesso em diferentes ligas. Nascido em João Pessoa, na Paraíba, em 1994, o jogador teve um início de trajetória marcado por obstáculos que poderiam ter encerrado sua carreira antes mesmo de começar. Aos 16 anos, uma fratura no fêmur o afastou dos campos por mais de um ano, período em que chegou a considerar abandonar o sonho de ser jogador. Sua persistência, no entanto, o levou de volta ao futebol, primeiro no futsal e depois nas categorias de base, onde enfrentou outra rejeição: após duas semanas de testes no Corinthians, em 2011, foi dispensado. Esse revés, porém, não o impediu de encontrar uma nova oportunidade no Náutico, clube que se tornaria o trampolim para sua ascensão.

Foi no Timbu que Douglas Santos começou a se destacar, ainda como adolescente. Sua estreia no time principal aconteceu em 2012, durante o Campeonato Pernambucano, em uma vitória sobre o Central. Embora tenha atuado em apenas três partidas no estadual, marcou um gol e chamou a atenção pela maturidade em campo. O técnico Waldemar Lemos foi o primeiro a lhe dar espaço, mas foi com Alexandre Gallo que o lateral ganhou confiança e se firmou como titular no Brasileiro daquele ano. Sua performance ajudou o Náutico a garantir uma vaga na Copa Sul-Americana de 2013, um feito notável para o clube na época. Ao final da temporada, foi eleito a revelação do time e uma das promessas do campeonato, dividindo os holofotes com o atacante Rhayner. O Santos, um dos gigantes do futebol brasileiro, chegou a monitorar seu desempenho, sinal de que seu talento já começava a transpor as fronteiras do Nordeste.

A transferência para o Granada, da Espanha, em 2013, marcou o início de sua trajetória internacional. O clube, na época controlado pelo grupo de investidores que também comandava o Udinese, da Itália, serviu como uma ponte para o futebol europeu. Douglas não chegou a se consolidar na La Liga, mas sua passagem pelo Velho Continente foi fundamental para seu amadurecimento. Em setembro do mesmo ano, foi repassado à Udinese, onde teve uma adaptação difícil, comum a muitos brasileiros que desembarcam na Série A italiana. A falta de oportunidades o levou de volta ao Brasil em 2014, desta vez por empréstimo ao Atlético Mineiro, um movimento que se revelaria decisivo para sua carreira.

No Galo, Douglas Santos encontrou o ambiente ideal para florescer. Sua estreia pelo clube mineiro aconteceu em agosto de 2014, e em pouco tempo ele se tornou peça-chave na defesa. Seu primeiro gol pelo Atlético veio em outubro, em uma vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense, em partida válida pelo Brasileiro. No ano seguinte, o clube exerceu a opção de compra e adquiriu 100% de seus direitos econômicos, assinando um contrato de quatro temporadas. Foi no Atlético que o lateral alcançou seu auge no futebol brasileiro: em 2015, foi eleito para a seleção do Brasileirão e recebeu a Bola de Prata, prêmio que reconhece os melhores jogadores da competição. Sua regularidade e capacidade de atuar tanto na defesa quanto no ataque o tornaram um dos laterais mais completos do país, atraindo olhares de clubes europeus.

A volta à Europa aconteceu em 2016, quando o Hamburgo, da Alemanha, o contratou por cinco anos. Apesar de não ter conseguido evitar o primeiro rebaixamento da história do clube, Douglas manteve um desempenho sólido, o que chamou a atenção do Zenit, da Rússia, em 2019. Sua chegada ao time de São Petersburgo marcou o início de uma era de conquistas. Com um investimento de 15 milhões de euros, o lateral se tornou um dos pilares da equipe, ajudando o Zenit a dominar o futebol russo nos últimos anos. Na temporada 2019-20, foi fundamental na conquista do Campeonato Russo, da Copa da Rússia e da Supercopa, repetindo o feito em edições seguintes. Sua consistência foi reconhecida em 2024, quando foi eleito o melhor defensor da Premier League Russa, um prêmio que coroou sua trajetória no país.

A relação de Douglas Santos com a Seleção Brasileira é um capítulo à parte em sua carreira. Sua primeira convocação para a equipe principal aconteceu em 2013, aos 19 anos, quando ainda atuava pelo Náutico. Desde então, alternou entre convocações e ausências, mas sempre se manteve no radar dos técnicos. Um dos momentos mais marcantes foi sua participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, onde atuou como titular em todas as seis partidas e ajudou o Brasil a conquistar a inédita medalha de ouro. Sua estreia oficial pela seleção principal ocorreu em maio daquele ano, em um amistoso contra o Panamá. Apesar de ter sido pré-convocado para a Copa América Centenário, sua presença em torneios de grande porte só se concretizou anos depois, com a convocação para a Copa do Mundo de 2026.

Um dos episódios mais curiosos de sua carreira envolve sua cidadania russa, adquirida em 2024. A naturalização abriu a possibilidade de defender a Seleção Russa, e em março de 2025, ele chegou a ser chamado para um amistoso contra a Zâmbia. No entanto, como o jogo não era oficial, Douglas pôde manter sua elegibilidade para o Brasil. A decisão de permanecer na seleção canarinho foi tomada meses depois, quando Carlo Ancelotti, então técnico da equipe, o convocou para as Eliminatórias da Copa de 2026. Sua escolha reforçou o vínculo com o país natal, mesmo após anos de sucesso no exterior. A convocação para o Mundial de 2026, a primeira de sua carreira, representou o reconhecimento de sua trajetória e a confiança em seu futebol.

Fora dos gramados, Douglas Santos é um exemplo de resiliência. Sua história, que começou com uma lesão grave e uma rejeição no Corinthians, é um lembrete de que o caminho para o sucesso no futebol nem sempre é linear. Sua capacidade de se reinventar, adaptando-se a diferentes ligas e estilos de jogo, é um dos seus maiores trunfos. No Zenit, onde segue como um dos principais jogadores, ele se tornou um ídolo, conquistando títulos e o respeito da torcida. Sua versatilidade, que permite atuar tanto como lateral quanto como ala, o torna um jogador valioso em qualquer esquema tático. Com a Copa do Mundo de 2026 no horizonte, Douglas tem a chance de consolidar seu nome entre os grandes laterais da história do futebol brasileiro, provando que, mesmo após altos e baixos, sua trajetória ainda reserva muitos capítulos emocionantes.

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