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Margaret Leighton

Margaret Leighton, CBE (Bromsgrove, 26 de fevereiro de 1922 - Chichester, 13 de janeiro de

4 min de leitura01/01/2024
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Margaret Leighton foi uma das atrizes britânicas mais talentosas e versáteis de sua geração, uma artista que transitou com igual maestria pelo teatro, pelo cinema e pela televisão, acumulando prêmios e reconhecimento em cada um desses campos. Nascida em Bromsgrove, no condado de Worcestershire, Inglaterra, em 26 de fevereiro de 1922, ela revelou sua vocação teatral desde jovem e construiu ao longo de quatro décadas uma carreira de notável coerência e qualidade.

Leighton deu seus primeiros passos no teatro em 1938, quando ainda era adolescente, ingressando numa tradição britânica de formação cênica rigorosa que moldaria sua técnica e sua disciplina artística. Os anos de aprendizagem no teatro inglês foram fundamentais para que ela desenvolvesse a precisão vocal, a presença de palco e a capacidade de habitar personagens complexas que se tornariam suas marcas registradas.

Em 1946, fez sua estreia na Broadway, levando ao público americano um talento que os palcos britânicos já reconheciam como excepcional. A receptividade nos Estados Unidos foi imediata, e Leighton logo se estabeleceu como uma das atrizes inglesas mais requisitadas nos palcos de Nova York, onde o teatro americano atravessava um de seus períodos de maior efervescência criativa.

Ao longo de sua carreira no teatro, Leighton recebeu quatro indicações ao Tony Award, o mais importante prêmio do teatro americano, e venceu o prêmio duas vezes na categoria de melhor atriz. A primeira vitória veio com "Separate Tables", em 1957, peça de Terence Rattigan que explorava as vidas de inquilinos de um hotel britânico de segunda categoria. A segunda conquista chegou com "The Night of the Iguana", em 1962, peça de Tennessee Williams que narrava o colapso moral de um ex-padre num hotel mexicano. As duas vitórias em obras de autores tão distintos e exigentes demonstravam o alcance de sua arte.

No cinema, Leighton teve uma presença mais discreta do que no teatro, mas não menos significativa. Seu trabalho na tela grande incluiu participações em produções de peso, e foi pelo filme "O Mensageiro", dirigido por Joseph Losey em 1971, baseado no romance de L.P. Hartley, que recebeu sua maior atenção cinematográfica internacional. A performance como a aristocrática senhora Maudsley, que manipula o destino de um menino para proteger os segredos de sua família, rendeu-lhe o BAFTA de melhor atriz coadjuvante e uma indicação ao Oscar na mesma categoria, consolidando sua reputação como uma atriz capaz de dominar a linguagem cinematográfica com a mesma autoridade com que dominava o palco.

A televisão também ocupou um lugar importante em sua trajetória. Em 1970, sua interpretação numa versão televisiva de "Hamlet" rendeu-lhe um Emmy Award, tornando-a uma das raras atrizes britânicas a conquistar os três maiores prêmios do entretenimento anglófono — Tony, Oscar e Emmy — uma tríade que atesta a abrangência e a qualidade de sua arte em todas as mídias em que trabalhou.

Leighton era conhecida entre seus colegas por uma dedicação profissional quase ascética e por uma capacidade de mergulhar em seus personagens que dispensava os afetamentos que às vezes se associam às grandes estrelas do teatro. Ela era uma atriz de ofício, no melhor sentido da expressão, alguém para quem o trabalho era uma forma de rigor intelectual tanto quanto uma expressão emocional.

Sua vida pessoal foi marcada por dois casamentos notáveis. Casou-se com o ator e diretor Laurence Harvey e mais tarde com Michael Wilding, o ator galês conhecido por seus filmes com Anna Neagle e por seu casamento com Elizabeth Taylor. Leighton viveu os últimos anos de sua vida com esclerose múltipla, doença que foi progredindo sem que ela abandonasse completamente o trabalho enquanto tinha saúde para isso.

Margaret Leighton faleceu em Chichester, na costa sul da Inglaterra, em 13 de janeiro de 1976, com 53 anos, prematuramente para uma artista que ainda tinha tanto a oferecer. Sua morte provocou lamentos sinceros num meio artístico que raramente está de acordo sobre qualquer coisa, pois havia poucos que duvidassem do valor excepcional de sua contribuição ao teatro e ao cinema em língua inglesa.

O legado de Margaret Leighton é o de uma atriz que priorizou sempre a integridade artística sobre a celebridade fácil, que escolheu papéis difíceis e autores exigentes quando poderia ter optado por rotas mais confortáveis. Seu nome permanece respeitado entre os especialistas em teatro britânico e americano como o de alguém que elevou o nível de tudo em que participou.

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