O Manuscrito Voynich, também conhecido por Código Voynich, é um codex manuscrito ilustrado, com 240 páginas datado do século XV, que contém um conteúdo incompreensível, ganhando a alcunha de "o livro que ninguém consegue ler". Foi descoberto na Polônia em 1912 pelo livreiro norte-americano Wilfrid Voynich.
Ao longo de sua existência registada, o Código foi objeto de intenso estudo por parte de muitos criptógrafos amadores e profissionais. Todos falharam em decifrar uma única palavra. Tal grande dificuldade na história da criptografia tornou o tema bastante famoso, contribuindo também para lhe atribuir a teoria de ser simplesmente um embuste ou uma possível fraude muito bem tramada, por conter uma sequência arbitrária de símbolos. Porém, como o texto do Código segue a Lei de Zipf, isso indica que o livro deve estar escrito em alguma linguagem desconhecida, ao invés de ser pura invenção.
O documento foi datado por carbono, sendo tão antigo quanto o começo do século XV. Apesar de não ter sido inteiramente traduzido, sabe-se que o Manuscrito Voynich está em “proto-romance”. Trata-se de um língua morta, ancestral das línguas românicas de hoje, incluindo o Português, o Espanhol, o Francês, o Italiano, o Romeno, o Catalão e o Galego. Embora esteja escrito em um idioma extinto, houve a tradução de um texto, registrado no próprio Código, afirmando que o documento foi compilado por freiras dominicanas, como fonte de referência para Maria de Castela, rainha de Aragão (tia-avó da primeira rainha de Henrique VIII da Inglaterra). A descoberta confirma a época do manuscrito.
O livro ganhou o nome do livreiro polaco-estadunidense Wilfrid M. Voynich, que o comprou em 1912. A partir de 2005, o manuscrito Voynich passou a ser o item MS 408 na Beinecke Rare Book and Manuscript Library da Universidade de Yale. A primeira edição fac-símile foi publicada em 2005 (Le Code Voynich), com uma curta apresentação em francês do editor, Jean-Claude Gawsewitch.
O manuscrito nunca foi comprovadamente decifrado, e nenhuma das muitas hipóteses propostas ao longo dos últimos cem anos foi verificada independentemente. O acadêmico Gerard Cheshire, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, alegou ter conseguido a proeza de o desvendar, mas a comunidade académica e científica rejeita essa pretensão sem provas em contrário.
O volume, escrito em pergaminho de vitelo, é relativamente pequeno: 16 cm de largura, 22 de altura, 4 de espessura. São 122 folhas, num total de 204 páginas. Estudos consideram que o original teria 272 páginas em 17 conjuntos de 16 páginas cada, outros falam em 116 folhas originais, tendo uma se perdido.
Percebe-se, pelo desalinhamento à direita no fim das linhas, que o texto é escrito da esquerda para a direita, sem pontuação. Análise grafológica mostra uma boa fluência. No total são cerca de 170 mil caracteres, num conjunto de 20 a 30 letras se repetem, além de cerca de 12 caracteres que aparecem apenas uma ou duas vezes. Os espaços indicam haver 35 mil palavras; os caracteres têm boa distribuição quantitativa e de posição, alguns podem se repetir (2 e 3 vezes), outros não, alguns só aparecem no início de palavras, outros só no fim; análises estatísticas (análise de frequência de letras) dão ideia de uma língua natural, europeia, algo como inglês ou línguas românicas.
Conforme datação por Carbono 14 feita pela Universidade do Arizona, o pergaminho data do início do século XV; Conforme a análise do “Mc.Crone Research Institut” a tinta é da mesma época, embora as cores dos desenhos sejam posteriores.
Nas páginas finais aparecem anotações mais recentes feitas em letras latinas nas formas de alfabetos europeus do século XV.
Acompanha o texto uma quantidade significativa de ilustrações em cores que representam uma ampla variedade de assuntos; os desenhos permitem que se perceba a natureza do manuscrito e foram usados como pontos de referência para os criptógrafos dividirem o livro em seções, conforme a natureza das ilustrações.
Seção I (Fls. 1-66): denominada botânica, contém 113 desenhos de plantas desconhecidas.
Seção II (Fls. 67-73): denominada astronômica ou astrológica, apresenta 25 diagramas que parecem se referir a estrelas. Aí podem ser identificados alguns signos zodiacais. Neste caso ainda fica difícil haver certezas acerca do que trata realmente a seção.
Seção III (Fls. 75-86): denominada biológica, denominação que se deve exclusivamente à presença de muitas figuras femininas, frequentemente imersas até os joelhos em estranhos vasos comunicantes contendo um fluido escuro.
Logo após essa seção vem uma mesma folha repetida seis vezes, apresentando nove medalhões com imagens de estrelas ou figuras que podem parecer células, imagens radiais de pétalas e feixes de tubos.
Seção IV (Fls. 87-102): denominada farmacológica - medicinal, por meio de imagens de ampolas e frascos de formas semelhantes às dos recipientes das farmácias antigas. Nessa seção há ainda desenhos de pequenas plantas e raízes, possivelmente ervas medicinais.
A última seção do manuscrito Voynich tem início na folha 103 e prossegue até o fim, sem que haja nessa seção final mais nenhuma imagem, exceto estrelinhas (ou pequenas flores) ao final de alguns parágrafos. Essas marcações fazem crer que se trata de algum tipo de índice.
