Luiz Alberto Maguito Vilela nasceu em 24 de janeiro de 1949 na cidade de Jataí, no interior de Goiás, em uma trajetória que percorreria praticamente todos os degraus possíveis da política brasileira, do vereador interiorano ao governador de estado, do senador ao vice-presidente de banco público. Formado em Direito, Vilela construiu uma carreira cuja longevidade e abrangência o tornaram um dos políticos mais influentes da história recente de Goiás e um dos principais nomes do Movimento Democrático Brasileiro em âmbito nacional.
Seu apelido, "Maguito", surgiu de modo curiosamente informal: em 1976, quando presidia a Associação Esportiva Jataiense, sua participação ativa no futebol local rendeu-lhe o apelido que o acompanharia pela vida toda, tornando-o mais conhecido do que seu nome civil. Antes disso, havia ingressado em 1972 como professor da rede estadual de Goiás, função que exerceu até 1977. Em 1976, foi eleito vereador de Jataí pela Aliança Renovadora Nacional, permanecendo na Câmara Municipal até 1983 e chegando a presidir a Casa. Era ainda a época do bipartidarismo forçado pelo regime militar, e Vilela logo migraria para o MDB quando o pluripartidarismo foi restaurado.
Nas eleições estaduais de 1982, já filiado ao MDB, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Goiás com um mandato notável: liderou a bancada do governo Iris Rezende e propôs o fim das aposentadorias para parlamentares, medida que revelou desde cedo um perfil de reformador. Em 1986, elegeu-se deputado federal constituinte, participando ativamente da elaboração da Constituição Federal de 1988 — o texto fundador da redemocratização brasileira. No plenário constituinte, seu voto favoreceu bandeiras como o voto aos 16 anos, a proteção do emprego contra demissão injusta, o turno ininterrupto de seis horas e a limitação de juros. Ainda na Câmara, apresentou a Emenda ES24701-8, conhecida como a Lei do Impeachment, instrumento que seria acionado pela primeira vez em 1992 contra Fernando Collor e novamente em 2016 contra Dilma Rousseff.
Em 1990, candidatou-se a vice-governador na chapa de Iris Rezende, sendo eleito. Exerceu o mandato de março de 1991 a abril de 1994, quando renunciou para disputar o governo estadual. Venceu as eleições e assumiu como governador de Goiás em 1º de janeiro de 1995, cargo que exerceu até 2 de abril de 1998. Seu governo seria marcado por uma combinação pouco comum de ambição social e atração de investimentos. O programa Solidariedade Humana atendeu 150 mil famílias carentes com a doação diária de pão e leite e uma cesta básica mensal, beneficiando quase um milhão de pessoas ao longo de quatro anos, com cinco milhões de cestas distribuídas. O programa Luzes no Campo levou eletrificação rural a 95% das propriedades do estado, beneficiando 43 mil produtores. Na infraestrutura, foram pavimentados dois mil quilômetros de vias estaduais.
Paralelamente, Maguito atraiu grandes empresas para Goiás, entre elas Perdigão, Mitsubishi e Nestlé, além de firmas europeias. Em quarenta meses de governo, mais de 1.500 novos empreendimentos foram instalados no estado, com investimentos superiores a cinco bilhões de reais e geração de quase cem mil novos empregos. Pesquisa do Datafolha no período o apontou como o governador mais popular do Brasil.
Eleito senador em 1998, exerceu mandato até 2006, atuando em comissões relevantes como a de Constituição e Justiça e a de Assuntos Sociais. Tentou voltar ao governo estadual em 2002 e em 2006, mas foi derrotado nas duas ocasiões. Em 2007, foi nomeado vice-presidente do Banco do Brasil pelo ministro Guido Mantega. Em 2008, elegeu-se prefeito de Aparecida de Goiânia com mais de 81% dos votos válidos, tornando-se o primeiro ex-governador a ocupar a prefeitura daquele município. Reeleito em 2012 com quase 64% dos votos, encerrou o segundo mandato em 2016 com aproximadamente 70% de aprovação popular. Seu filho Daniel Vilela seguiu os passos do pai e tornaria-se governador de Goiás.
Luiz Alberto Maguito Vilela morreu em 13 de janeiro de 2021, em São Paulo, vítima de complicações da Covid-19 — havia sido internado após contrair o vírus e não resistiu. Tinha 71 anos. Deixava um legado político de quase cinco décadas, marcado pela capacidade de transitar entre diferentes cargos e arenas sem jamais perder o enraizamento com Goiás e com as demandas das populações mais vulneráveis que governou.
