Luis Zubeldía é um nome que ressoa tanto no futebol argentino quanto em outras paradas do continente sul-americano, pois sua trajetória como treinador tem sido marcada por reviravoltas, reinvenções e momentos de destaque inesperados. Nascido em 1981 em Santa Rosa, na Argentina, ele iniciou sua carreira como meio-campista no Lanús, um clube que mais tarde se tornaria um ponto de virada em sua vida profissional — não como jogador, mas como treinador. Aposentou-se precocemente aos 23 anos devido a uma lesão grave na perna, mas esse revés não o afastou do esporte. Pelo contrário, abriu caminho para uma nova fase, onde sua inteligência tática e capacidade de adaptação começaram a ser lapidadas, mesmo antes de ele assumir o comando de uma equipe.
A ascensão de Zubeldía como treinador foi meteórica e, ao mesmo tempo, cercada de desafios. Em 2008, aos 27 anos, ele se tornou o técnico mais jovem da história da primeira divisão argentina ao assumir o Lanús, o mesmo clube onde havia iniciado como jogador. Na época, a responsabilidade era imensa, mas também uma oportunidade única. Seu início promissor logo foi interrompido em 2010, quando foi demitido após uma série de maus resultados. Essa experiência, no entanto, serviu como um aprendizado valioso, mostrando que Zubeldía não era apenas um prodígio precoce, mas também alguém capaz de lidar com a pressão e as expectativas que vêm com o cargo.
Nos anos seguintes, Zubeldía expandiu seus horizontes além das fronteiras argentinas, assumindo times em diferentes países e culturas futebolísticas. Sua passagem pelo Barcelona de Guayaquil, no Equador, em 2011, foi curta e terminou em demissão, mas serviu como um teste para sua capacidade de se adaptar a novos ambientes. Depois, no Racing, ele conseguiu um período mais estável, ficando no comando entre 2013 e 2015. Foi também na LDU Quito, em 2015, que ele teve sua primeira experiência no futebol equatoriano, embora tenha durado apenas um ano. Essas experiências, embora muitas vezes breves, foram fundamentais para moldar sua abordagem tática e sua capacidade de trabalhar em diferentes contextos.
Um dos períodos mais turbulentos de sua carreira ocorreu em 2016, quando assumiu o Santos Laguna, no México. Em apenas sete meses, ele obteve um desempenho modesto, com nove vitórias, nove empates e doze derrotas. Essa passagem foi seguida por rápidas mudanças em outros clubes, como o Independiente Medellín e o Alavés, na Espanha, onde ficou por dois meses. Em 2018, ele retornou ao Cerro Porteño, no Paraguai, mas novamente a passagem foi curta. Essas idas e vindas poderiam ter sido vistas como instabilidade, mas, para Zubeldía, cada experiência foi uma oportunidade de aprender e se reinventar, mesmo que os resultados não fossem imediatos.
A volta ao Lanús, em 2018, após dez anos, marcou um período de maior estabilidade. Zubeldía permaneceu três anos no clube, acumulando 53 vitórias, 26 empates e 41 derrotas. Foi um tempo de consolidação, onde ele pôde mostrar que, apesar das demissões anteriores, tinha maturidade para lidar com os altos e baixos do futebol. No entanto, o grande salto de sua carreira veio em 2022, quando retornou à LDU Quito. Dessa vez, o sucesso foi imediato e contundente. Em 2023, ele levou a equipe a conquistar dois títulos: a Copa Sul-Americana e o Campeonato Equatoriano. Esses feitos não só consolidaram sua reputação como um treinador capaz de obter resultados expressivos, mas também chamaram a atenção de clubes maiores e mais exigentes.
Em abril de 2024, Zubeldía desembarcou no São Paulo, um dos clubes mais tradicionais do Brasil, substituindo Thiago Carpini. Sua estreia foi promissora: uma vitória por 2 a 0 contra o Barcelona de Guayaquil, na fase de grupos da Libertadores. Mas foi a sequência invicta que chamou a atenção. Entre Brasileirão e Libertadores, o São Paulo ficou 12 jogos sem perder, com oito vitórias e quatro empates, uma marca histórica para o clube. Na Libertadores, Zubeldía superou até mesmo recordes antigos, como o de José Poy, com uma sequência de 12 jogos sem derrota. Esses resultados não só colocaram o time entre os melhores da competição, mas também garantiram a classificação para a Libertadores de 2025. No entanto, após uma má sequência no Brasileiro de 2025, ele pediu demissão em junho, encerrando uma passagem que, apesar dos altos, teve momentos de instabilidade.
Em setembro de 2025, Zubeldía acertou com o Fluminense, outro gigante do futebol brasileiro. Sua estreia foi emblemática: uma vitória por 2 a 0 contra o Botafogo, no Maracanã, quebrando um tabu de três anos de invencibilidade do rival. No Campeonato Brasileiro daquele ano, o time terminou na quinta colocação, classificando-se para a Libertadores de 2026. Zubeldía também conseguiu uma defesa sólida e organizou a equipe ao redor do meia Lucho Acosta, que se tornou uma peça-chave. Sua sequência de vitórias como mandante foi impressionante: nove jogos sem perder, com 19 gols marcados e apenas um sofrido. Um dos momentos mais marcantes foi a goleada por 6 a 0 sobre seu ex-clube, o São Paulo, em pleno Morumbi.
O auge de sua passagem pelo Fluminense veio no início de 2026, quando a equipe igualou a maior sequência de vitórias como mandante na história do clube, com 16 triunfos seguidos. A marca foi obtida na vitória por 3 a 1 sobre o Bangu, nas quartas de final do Campeonato Carioca. A invencibilidade total chegou a 21 jogos, interrompida apenas por um empate contra o Vasco, nas semifinais do torneio. No entanto, a sequência de maus resultados no Brasileirão de 2026 levou à sua demissão em agosto daquele ano, após 61 jogos no comando, com 30 vitórias, 18 empates e 13 derrotas. Apesar do fim abrupto, sua passagem pelo Fluminense foi repleta de momentos memoráveis e reforçou sua imagem como um treinador capaz de extrair o melhor de equipes, mesmo em contextos adversos.
Ao longo de sua carreira, Zubeldía colecionou títulos e prêmios, mas também enfrentou momentos de incerteza e críticas. Seu estilo de trabalho, muitas vezes pragmático e adaptável, tem sido elogiado por sua capacidade de reorganizar times em curto espaço de tempo. Seja no Equador, no Brasil ou em outros países, ele demonstrou que a resiliência é uma de suas principais características. Embora nem todas as passagens tenham sido longas, cada uma delas contribuiu para moldar sua identidade como treinador. Hoje, aos 45 anos, Zubeldía segue sem clube, mas sua trajetória continua a ser acompanhada de perto por aqueles que veem nele um profissional que, apesar dos percalços, nunca deixou de buscar a excelência no futebol.