Luis de la Fuente Castillo é uma figura proeminente no futebol espanhol, atuando tanto como jogador quanto treinador, e atualmente comanda a Seleção Espanhola. Nascido em 1961 na cidade de Haro, na província de La Rioja, ele representa uma conexão interessante entre o futebol basco e a identidade cultural da região. Embora La Rioja não seja oficialmente considerada parte do País Basco, o Athletic Bilbao, conhecido por sua política de contratar apenas jogadores de origem basca ou riojana, abriu exceções para atletas como De la Fuente, que iniciaram suas trajetórias em clubes locais antes de se destacarem nacionalmente.
Sua carreira como atleta começou nas categorias de base do Haro Deportivo, time de sua cidade natal, antes de ingressar no Bilbao Athletic, a equipe reserva do Athletic Bilbao, em 1978. Com apenas 17 anos, ele estreou no time principal em 1981, substituindo um jogador em um empate sem gols contra o Valencia. A partir de 1982, De la Fuente se estabeleceu como lateral-esquerdo titular, disputando 146 partidas pelo clube e marcando um gol decisivo que ajudou o Athletic a liderar La Liga na 30ª rodada da temporada 1982-83, encerrando um jejum de 27 anos sem títulos nacionais. Sua versatilidade, velocidade e capacidade ofensiva fizeram com que fosse utilizado ocasionalmente como meio-campista, sempre com o aval do técnico Javier Clemente, que o considerava um jogador completo e fundamental para as conquistas do clube na década de 1980.
Além das duas Ligas consecutivas e da Copa del Rey de 1984, De la Fuente também contribuiu para a Supercopa da Espanha naquele mesmo ano. Sua primeira passagem pelo Athletic durou até 1987, quando se transferiu para o Sevilla, onde permaneceu por quatro temporadas. Retornou ao Bilbao em 1991, mas sua segunda passagem foi breve, com apenas 22 jogos, antes de se mudar para o Alavés, onde encerrou a carreira em 1994. Embora nunca tenha sido convocado para a seleção principal da Espanha, ele representou as categorias de base do país, consolidando seu nome no futebol nacional.
Após pendurar as chuteiras, De la Fuente iniciou uma nova etapa como treinador, começando em times modestos bascos como o Portugalete e o Aurrerá, onde ganhou experiência em divisões inferiores. Em 2006 e 2009, comandou o Bilbao Athletic, o time reserva do Athletic Bilbao, antes de assumir o Alavés em 2011, seu último clube como jogador. Seu trabalho chamou atenção das categorias de base da Espanha, onde atuou entre 2013 e 2018, liderando a equipe Sub-19 à vitória na Eurocopa da categoria em 2015. Também treinou as seleções Sub-18 e Sub-21, guiando esta última ao título da Eurocopa Sub-21 em 2019 e ao bronze nos Jogos Olímpicos de 2020, disputados em 2021 devido à pandemia.
A ascensão de De la Fuente ao comando da Seleção Espanhola ocorreu em dezembro de 2022, quando foi anunciado como sucessor de Luis Enrique. Desde então, ele tem conduzido um processo de renovação no time, apostando em jovens talentos e mesclando experiência com inovação tática. Seu trabalho resultou em conquistas significativas, como a vitória na Liga das Nações da UEFA de 2022-23, um título que não vinha sendo alcançado há mais de uma década. Na Eurocopa de 2024, ele levou a Espanha ao título, vencendo a Inglaterra na final, e ainda alcançou o vice-campeonato na edição seguinte da Liga das Nações, demonstrando consistência e capacidade de adaptação.
A confiança depositada pela Real Federação Espanhola de Futebol se refletiu na renovação de seu contrato, inicialmente estendido até a Copa do Mundo de 2026 e depois ampliado até a Eurocopa de 2028. Seu estilo de liderança, combinado com resultados expressivos, tem consolidado sua imagem como um técnico estratégico e visionário, capaz de extrair o melhor de seus jogadores. Em 2024, foi eleito Melhor Treinador do Mundo pela IFFHS, um reconhecimento que coroou sua trajetória de sucesso no comando técnico.
De la Fuente representa um exemplo de resiliência e evolução no futebol espanhol. Sua história, que vai da modestia de Haro até o comando da seleção nacional, é marcada por uma trajetória que valoriza tanto a tradição quanto a modernidade. Seu conhecimento das categorias de base e sua capacidade de identificar e desenvolver talentos têm sido fundamentais para os êxitos recentes da Espanha, que volta a figurar entre as principais potências do futebol mundial sob seu comando. Com uma abordagem que equilibra o pragmatismo com a ousadia, ele se estabelece como uma figura central no futuro do esporte no país.

