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Lista de tornados no Brasil

Artigo de lista da Wikimedia

5 min de leitura30/07/2026
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O Brasil, frequentemente associado a chuvas intensas e ventos fortes, nem sempre é lembrado como um território propenso a tornados. No entanto, registros históricos e estudos científicos revelam que o país já enfrentou diversos eventos tornádicos, especialmente em regiões de clima subtropical e temperado, onde a convecção severa é mais comum. A documentação desses fenômenos, embora ainda recente em comparação a países como os Estados Unidos, tem avançado graças a iniciativas como a Plataforma de Registros de Tempo Severo (PRETS), vinculada à Universidade Federal de Santa Maria. Essa rede, integrada à PREVOTS, reúne observadores voluntários e instituições como o INMET e a Defesa Civil para validar e catalogar casos, embora muitos eventos ainda passem despercebidos devido à falta de relatos ou à sobrecarga de dados.

A Bacia do Rio da Prata, que abrange o sul e centro-sul do Brasil, além de partes da Argentina, Uruguai e Paraguai, é uma das regiões mais ativas do mundo em tempestades severas. Embora a frequência anual de tornados nessa área ainda não seja precisa, estudos indicam que mais de 400 horas por ano — o equivalente a mais de 17 dias — são marcadas por convecção intensa, com ventos acima de 120 km/h, granizo de grande porte e fenômenos como bow-echoes e derechos. Essa região se destaca não apenas pela quantidade de tempestades, mas também pela intensidade de seus eventos, comparáveis a regiões como o "Dixie Alley" nos EUA. No entanto, diferentemente de outras áreas globais com alta incidência de tornados, como o leste da China, a Bacia do Rio da Prata não é a segunda região mais tornádica do mundo, mas sim uma das mais propensas a tempestades severas.

Um estudo da Universidade Harvard oferece uma explicação para essa aparente contradição: a rugosidade da superfície na América do Sul, especialmente devido à Floresta Amazônica e ao Planalto Central, pode reduzir o cisalhamento vertical do vento e a vorticidade próxima ao solo, fatores essenciais para a formação de tornados. Segundo a teoria, isso suprimiria a ocorrência de eventos tornádicos, mesmo em uma região com tanta atividade convectiva. No entanto, pesquisas posteriores desafiaram essa ideia, demonstrando que ambientes com rugosidade moderada ou alta ainda podem produzir tornados, embora muitas vezes de menor intensidade. A ciência ainda busca compreender plenamente os mecanismos que tornam a Bacia do Rio da Prata tão propensa a tempestades severas, mas não necessariamente a tornados em grande escala.

A previsão de tornados e tempestades severas no Brasil depende fundamentalmente de ferramentas como a radiossondagem, que utiliza modelos como GFS, WRF e ECMWF para identificar condições favoráveis. Instituições como a MetSul Meteorologia e o Sigma Meteorologia monitoram esses dados em tempo real, fornecendo alertas para comunidades em risco. Embora a tecnologia tenha avançado, a cultura de relatar tornados ainda enfrenta desafios, como a subnotificação em áreas rurais ou a dificuldade em distinguir tempestades intensas de tornados propriamente ditos. Por isso, muitos eventos podem passar despercebidos ou serem erroneamente classificados.

Entre junho de 2018 e fevereiro de 2025, a PREVOTS registrou 1.451 casos de danos causados por tornados ou trombas-d’água em todo o Brasil, o que representa uma média de 216 eventos por ano. A maior concentração ocorre no noroeste do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina, oeste do Paraná e sul e centro do Mato Grosso do Sul. Essas regiões são conhecidas por sua topografia e condições climáticas favoráveis à formação de tempestades organizadas, incluindo supercélulas, que podem gerar tornados. No entanto, outras áreas do país também apresentam risco, embora muitas vezes subestimado.

Um exemplo disso é a Depressão Periférica Paulista, no centro-leste de São Paulo, onde o modelo de risco de Daniel Henrique Candido (2012) identificou uma probabilidade anual superior a 30% de ocorrência de tornados. A região é marcada pela interação entre a brisa marítima, a Serra do Mar e o ar quente acumulado na depressão, criando condições ideais para o desenvolvimento de mini-supercélulas e supercélulas marginais. Esses sistemas, embora menores e menos organizados do que suas contrapartes clássicas, ainda são capazes de produzir tornados, muitas vezes de intensidade inferior, mas com potencial destrutivo considerável.

Apesar dessa propensão, muitos episódios tornádicos nessas áreas são subestimados ou mal interpretados. Em dezembro de 2025, por exemplo, tornados nos municípios de Rio das Pedras e Mombuca, em São Paulo, desenvolveram-se em ambientes que haviam sido classificados pela PREVOTS como propensos apenas a "tempestades esparsas e isoladas". Situações semelhantes ocorreram em Cotia, em março de 2025, e em Ourinhos, em fevereiro de 2026, onde tornados se formaram em condições sinóticas aparentemente favoráveis apenas a tempestades pouco organizadas. Esses casos destacam a importância de uma vigilância constante e de modelos preditivos mais refinados.

Outra região que tem chamado a atenção dos pesquisadores é a Metropolitana de Belém, no Pará, onde estudos da UFSM apontam uma incidência média de tornados, embora muitos deles sejam de escala menor, conhecidos como misociclônicos. Esses fenômenos, não associados a supercélulas, são mais difíceis de prever e muitas vezes passam despercebidos. Em municípios como Ananindeua e Santarém, a maioria dos casos registrados envolve ventos fortes localizados, mas capazes de causar danos significativos. A região, embora menos estudada do que o sul do Brasil, demonstra que o fenômeno tornádico não se restringe a áreas de clima temperado.

A evolução no registro e estudo de tornados no Brasil reflete um avanço na compreensão dos padrões climáticos do país. Embora ainda haja muito a ser descoberto, as evidências mostram que o Brasil não é imune a esses eventos. A integração entre ciência, tecnologia e comunidade voluntária tem sido fundamental para preencher lacunas históricas, mas o desafio persiste: como garantir que cada tornado seja identificado e estudado, independentemente de sua localização ou intensidade. Enquanto isso, a população segue exposta a riscos muitas vezes invisíveis, até que o céu se manifeste com toda a sua força.

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