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Glen Hansard

Glen Hansard foi um dos artistas irlandeses mais marcantes das últimas décadas, um homem c

4 min de leitura30/07/2026
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Glen Hansard foi um dos artistas irlandeses mais marcantes das últimas décadas, um homem cuja vida e obra transitaram entre a música visceral das ruas de Dublin e os palcos do cinema internacional. Nascido em 1970 na capital irlandesa, Hansard abandonou a escola aos 13 anos para se dedicar à música, tocando em sarjetas e bares antes de se tornar uma voz fundamental do rock e folk no país. Sua trajetória, no entanto, jamais se limitou a um único gênero ou formato: ele foi guitarrista, compositor, ator e até mesmo um símbolo de como a arte pode nascer das adversidades.

Sua carreira ganhou contornos definitivos em 1991 com a fundação da banda The Frames, um grupo que se tornou pilar da cena musical irlandesa e ajudou a moldar o som de uma geração. Com seis álbuns de estúdio lançados, três deles alcançando o top 10 na Irlanda, os Frames consolidaram Hansard como uma figura indispensável no cenário local. Mesmo após mais de 30 anos de existência, a banda segue em atividade, embora há quase duas décadas não apresente material novo, mantendo viva sua influência através de shows e da admiração de fãs que cresceram ao som de canções como as de *For the Birds* ou *Burn the Maps*.

O ano de 2006 marcou um ponto de virada na carreira de Hansard. Além de lançar o álbum que batizou a dupla The Swell Season ao lado da cantora tcheca Markéta Irglová, ele também estrelou o filme *Once*, uma produção independente que capturava a essência dos encontros musicais improvisados nas ruas de Dublin. O longa, que retratava um relacionamento efêmero entre dois artistas, tornou-se um fenômeno inesperado. A canção "Falling Slowly", composta pela dupla, não só se tornou o hino não oficial do filme como também conquistou o Oscar de Melhor Canção Original em 2008, transformando Hansard e Irglová em nomes conhecidos mundialmente.

A parceria com Irglová foi além da música e do cinema. Os dois viveram um romance intenso que durou dois anos e rendeu mais dois álbuns como The Swell Season, além de um documentário homônimo lançado em 2011. Mesmo após o término do relacionamento, a colaboração artística permaneceu, demonstrando a química única que os unia. Hansard sempre reconheceu a importância de Irglová em sua vida e carreira, chegando a citar que ela o ajudou a encontrar uma nova forma de expressar suas canções, mais íntima e menos dependente da energia frenética dos shows com os Frames.

Em 2012, Hansard iniciou uma carreira solo que revelou sua versatilidade como compositor e intérprete. Seu primeiro disco, *Rhythm and Repose*, trouxe canções como "The Gift", incluída na trilha sonora do filme *A Estranha Vida de Timothy Green*. Nos anos seguintes, ele alternou entre projetos solo e colaborações, sempre mantendo um pé no folk e outro no rock, com letras que transitavam entre a melancolia urbana e a celebração da vida. Seu álbum *Didn’t He Ramble*, de 2015, foi indicado ao Grammy de Melhor Álbum Folk, consolidando seu lugar entre os grandes nomes do gênero.

Hansard sempre nutriu uma admiração profunda por ícones como Leonard Cohen, Van Morrison e Bob Dylan, a quem chamava de sua "santíssima trindade". Essa influência é evidente em sua obra, especialmente na forma como equilibra poesia e musicalidade, criando canções que soam tanto atemporais quanto profundamente pessoais. Seus álbuns solo, como *Between Two Shores* e *This Wild Willing*, são exemplos disso, com faixas que transitam entre a introspecção e a urgência de quem ainda tem muito a dizer.

Apesar de sua trajetória musical consolidada, Hansard também deixou sua marca no cinema, participando de produções como *The Commitments*, um clássico de 1991 que retratava a cena soul de Dublin, e atuando em documentários sobre sua própria carreira. Seu envolvimento com o cinema, no entanto, foi mais do que uma extensão de sua arte: foi uma forma de explorar novas camadas de sua criatividade, como fez em *Once*, que transcendeu a tela para se tornar um marco cultural.

Em julho de 2026, a música irlandesa perdeu um de seus filhos mais brilhantes. Hansard faleceu aos 56 anos em um acidente de motocicleta em Lucan, nos arredores de Dublin, uma cidade que amou e que inspirou grande parte de sua obra. Sua morte prematura deixou um vazio não só na cena musical, mas também na cultura popular, que havia se acostumado a vê-lo como um eterno andarilho das artes, sempre em movimento entre a guitarra, a tela e as letras.

Glen Hansard será lembrado não apenas por suas canções inesquecíveis ou por sua participação em filmes premiados, mas pela forma como viveu a música: como uma necessidade, um ato de resistência e, acima de tudo, uma linguagem universal. Sua obra continua a inspirar novos artistas e ouvintes ao redor do mundo, provando que a arte, quando nasce das ruas e do coração, jamais se apaga.

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