Lauro César Martins Amaral Muniz, mais conhecido como Lauro César Muniz (Ribeirão Preto, 16 de janeiro de 1938) é um autor e escritor brasileiro. Ganhou projeção nacional com a comédia O Santo Milagroso. Autor de sucessos como Escalada, O Salvador da Pátria, Chiquinha Gonzaga, Cidadão Brasileiro e Poder Paralelo.
Lauro nasceu em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Filho do comerciante de algodão Renato Amaral Muniz e da professora Clotilde Martins Amaral Muniz, graduou-se em Engenharia Civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em seguida, fez parte da primeira turma do Curso de Dramaturgia da Escola de Arte Dramática (EAD), formando-se em 1962.
Foi casado com Ivanise Leite entre 1964 e 1968, com quem teve dois filhos, Ricardo e Fernanda. Entre 1972 e 1981 foi casado com Sueli de Godói, adotando a filha dela do primeiro casamento, a atriz Marcela Muniz. Entre 1982 e 1992 foi casado com Regina Célia e teve mais dois filhos: Marília e Renato. Foi casado com a atriz Bárbara Bruno de 2004 a 2021.
Atualmente é casado com Mayara Magri, o qual assumiram publicamente a relação em março de 2022, apesar de terem realizado o casamento em 2021.
Iniciou sua carreira de dramaturgo em 1959 com a peça Este Ovo é um Galo, sátira à Revolução Constitucionalista de 1932. Em 1963, é encenada a peça que lhe daria maior projeção, O Santo Milagroso (obra que trata de maneira inventiva e divertida as contradições religiosas de uma cidade do interior), depois adaptada para cinema e televisão. Na mesma década destacam-se outros textos teatrais seus, A Morte do Imortal e O Líder, este marcado por um viés ideológico e dirigido por Augusto Boal. Em 1966 escreve sua primeira telenovela, Ninguém Crê em Mim, produzida pela TV Excelsior e considerada a primeira "novela de autor" da teledramaturgia. Na mesma emissora escreveria ainda uma adaptação para o formato telenovela do romance O Morro dos Ventos Uivantes. Depois vai para a Rede Tupi, na qual escreve Estrelas no Chão, exibida em 1967, novela na qual tenta uma revolução temática e linguística que só alcançaria sucesso no ano seguinte, com Beto Rockfeller, de Bráulio Pedroso.
Em 1970, escreve uma bem-sucedida novela adaptando o romance As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis, para uma produção da TV Record, emissora na qual faria ainda Os Deuses Estão Mortos e sua sequência Quarenta Anos Depois, duas tramas que abordaram a trajetória de poderosas famílias do interior paulista no período de transição da Monarquia para a República. Sua estreia na Rede Globo acontece em 1972, escrevendo o seriado Shazan, Xerife & Cia.. Três meses depois, foi convocado para substituir o autor Bráulio Pedroso na tarefa de escrever O Bofe. Trabalho considerado satisfatório, Lauro então recebe carta branca para elaborar uma história como autor principal e estreia de fato como novelista na emissora com Carinhoso, que desenvolvera inspirado na trama do filme Sabrina, de Billy Wilder, com Audrey Hepburn, Humphrey Bogart e William Holden. Na novela, os personagens correspondiam aos de Regina Duarte, Cláudio Marzo e Marcos Paulo, respectivamente. Em 1974, começa junto com Gilberto Braga a escrita da novela Corrida do Ouro, outra comédia inspirada nos clássicos de Hollywood, mas acaba levando a empreitada adiante sozinho a partir de um determinado ponto, já que Gilberto, inexperiente à época, não se habituou ao ritmo de trabalho.
Seu primeiro grande sucesso na Globo (e uma das mais representativas telenovelas brasileiras) vem em 1975, no horário nobre das 20h: Escalada, que conta a trajetória de Antônio Dias (Tarcísio Meira), personagem inspirado no próprio pai de Lauro César, da juventude à velhice, passando por suas lutas políticas e sociais, o casamento infeliz, a busca pela felicidade ao lado do grande amor e até mesmo sua incursão no processo de construção de Brasília, indo dos anos 1930 à atualidade, 75. Depois, inova a narrativa em telenovela ao contar três épocas distintas ao mesmo tempo em O Casarão, inquietante e poética abordagem da decadência de uma cidade produtora de café do interior de São Paulo e da transformação comportamental dos personagens ali envolvidos através dos tempos. Traz os bastidores do mundo artístico em Espelho Mágico, interessante trama de metanovela que, devido à complexidade de sua proposta, não alcança nenhum êxito. No ano de 1979 acompanha o grande sucesso de sua peça Sinal de Vida no teatro (obra quase autobiográfica, versa sobre os problemas de um dramaturgo com o meio televisivo e com a repressão política) e a polêmica e pouca aceitação de Os Gigantes, trama do horário nobre. O resultado aquém da expectativa acarreta a saída de Lauro César da Rede Globo.
1981–05: Passagem pela Band e volta à Globo
Ingressa na Rede Bandeirantes e em 1981 vai ao ar sua única novela nessa emissora, Rosa Baiana. Após seu trabalho na Rede Bandeirantes, Lauro escreveu uma história para a TV chilena, La gran mentira, em 1982. Em 1983, com a inesperada morte do ator Jardel Filho e o abandono de Manoel Carlos do roteiro de sua novela Sol de Verão, Lauro volta à Globo e escreve, ao lado de Gianfrancesco Guarnieri, os 17 capítulos finais da história. Em 1984 vai ao ar, às 19 horas, Transas e Caretas, uma interessante trama de comédia sobre o choque entre o comportamento moderno e a tradição, mas que também teve repercussão truncada, principalmente devido à mal resolvida parte final e à ação da Censura, que prejudicou o desenvolvimento da história. No ano seguinte elabora o argumento de Um Sonho a Mais e depois acaba assumindo a autoria da novela (junto com Mário Prata), que enfrentou muitos problemas por ter sido considerada "ousada demais". Também em 1985, já sob a Nova República, estreia a sua peça Direita, Volver, elogiada abordagem do posicionamento da classe média brasileira durante o regime militar. Em 1986 é o ano de sua volta à faixa nobre com o grande sucesso Roda de Fogo, um dos pontos altos de sua carreira, obra desenvolvida com Marcílio Moraes e vista como uma das mais bem escritas telenovelas, importante crítica social ao meio empresarial e político brasileiro que incorporou elementos do thriller do cinema norte-americano e consagrou definitivamente Tarcísio Meira e Eva Wilma na televisão.
Em 1989 preocupado com os rumos do Brasil e consciente de que aquele, no qual seriam realizadas eleições presidenciais diretas depois de quase 30 anos, seria um ano importante para o país—demonstra sua apreensão já no título de outro sucesso seu, exibido naquele ano: O Salvador da Pátria, que fora acusada de fazer uma espécie de "apologia ao contrário" ao então candidato à Presidência pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva. A novela, na verdade, se tratava de uma adaptação do filme O Crime do Zé Bigorna, escrito pelo próprio Lauro César Muniz em 1977, que por sua vez tinha sido baseado em um episódio de mesmo nome escrito pelo autor para o programa Caso Especial, da Rede Globo, em 1974. A novela foi saudada como a primeira da história do horário nobre totalmente livre da antiga censura do regime militar, mas ironicamente sofreu vários cortes oriundos da alta cúpula da emissora, incomodada com a provocativa trama. No início da década de 1990 foi o autor, junto com Dias Gomes e Ferreira Gullar, da novela Araponga (sátira a filmes e livros de espionagem protagonizada por Tarcísio Meira), que, apesar de ter reinaugurado a faixa das 22 horas, fato este muito celebrado pela imprensa na época, perdia em audiência para Pantanal, sucesso de Benedito Ruy Barbosa exibido pela Rede Manchete. Esta foi uma das poucas vezes, desde o fim da Rede Tupi, que uma novela da Globo não conseguiu se manter em primeiro lugar na audiência.


