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Laura Cardoso

Atriz brasileira (1927–2026)

4 min de leitura19/08/2026
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Laurinda de Jesus Balleroni, mais conhecida como Laura Cardoso, foi uma das figuras mais emblemáticas da dramaturgia brasileira, uma atriz cuja trajetória transcendeu gerações e estilos, consolidando-se como um dos pilares da televisão e do teatro nacional. Nascida em São Paulo, no bairro do Bixiga, em 1927, ela carregava em sua essência a paixão pelas artes desde a infância, quando transformava caixotes de madeira em palco e encantava sua avó com pequenas encenações. Esse amor pelo teatro foi nutrido também na escola, onde lia histórias para as colegas, descobrindo o prazer da interpretação graças ao incentivo das professoras. Quando adolescente, enfrentou a resistência da família para ingressar no rádio, um meio ainda pouco valorizado, mas que se tornaria o primeiro degrau de uma carreira brilhante.

O rádio foi o campo onde Laura Cardoso lapidou sua voz e sua expressividade, habilidades essenciais para o desenvolvimento de sua carreira. Aos quinze anos, já atuava em radionovelas, um gênero que dominou antes de migrar para a televisão, a nova mídia que chegava ao Brasil na década de 1950. Nesse período, a atriz adotou o nome artístico "Laura Cardoso", que se tornaria sinônimo de profissionalismo e versatilidade. Sua transição para a televisão foi natural, pois as radionovelas já haviam treinado sua capacidade de transmitir emoções apenas com a voz, um talento que seria fundamental na nova era das imagens.

Quando a televisão brasileira deu seus primeiros passos, Laura Cardoso estava lá, participando de programas pioneiros como o Teatro de Walter Forster, um dos primeiros teleteatros ao vivo da TV Tupi. Em 1953, integrou o elenco de Hamlet, uma das primeiras experiências com videotape no país, contracenando com nomes que também fariam história, como Lima Duarte e Lolita Rodrigues. Sua presença nesses programas pioneiros não apenas ajudou a moldar a televisão brasileira como também a estabeleceu como uma das primeiras contratadas da emissora, que viria a se tornar um dos principais veículos de teledramaturgia do país.

A década de 1950 e 1960 foi marcada por sua intensa participação em teleteatros e telenovelas, especialmente na TV Tupi, onde atuou em adaptações de obras literárias e produções originais. Em Os Miseráveis, de 1958, ela interpretou Cosette, um papel que demonstrou sua capacidade de dar vida a personagens profundos e emocionalmente complexos. Na mesma emissora, participou de Quando o Amor É Mais Forte, uma das primeiras novelas diárias do Brasil, um formato que revolucionaria a televisão e que Laura ajudaria a popularizar.

Nos anos seguintes, a atriz expandiu sua carreira para outras emissoras, como a TV Record, onde integrou o elenco de produções como As Pupilas do Senhor Reitor e Os Deuses Estão Mortos. Seu talento, no entanto, não se limitou às telenovelas. Laura Cardoso também se destacou no teatro, estreando nos palcos em 1959 com a peça Plantão 21, dirigida por Antunes Filho, um dos grandes nomes do teatro brasileiro. Essa incursão nas artes cênicas revelou outra faceta de sua arte, consolidando-a como uma atriz completa, capaz de brilhar tanto na televisão quanto no palco.

Na década de 1980, Laura Cardoso ingressou na TV Globo, emissora que se tornaria seu principal palco nas décadas seguintes. Sua estreia na rede ocorreu em Brilhante, em 1981, mas foi a partir de 1983, com a novela Pão Pão, Beijo Beijo, que sua trajetória na Globo ganhou ainda mais fôlego. Na emissora, ela participou de mais de vinte novelas, interpretando personagens memoráveis que iam desde donas de casa até figuras exóticas, como Laksmi em Caminho das Índias. Sua versatilidade permitia que ela transitasse entre gêneros e estilos, sempre com uma entrega que cativava o público.

Entre os papéis que marcaram sua carreira na televisão estão Marta em Fera Radical, Dona Cândida em Felicidade e Dona Lila no seriado infantil Mundo da Lua, da TV Cultura. Nos anos 1990, ela participou de remakes de clássicos como Mulheres de Areia e A Viagem, interpretando Dona Isaura e Dona Guiomar, respectivamente. Esses trabalhos não apenas demonstraram sua capacidade de se reinventar como também ajudaram a perpetuar a memória de produções que já haviam feito sucesso em décadas anteriores.

Além de sua atuação na televisão, Laura Cardoso também deixou sua marca no teatro. Em 1990, ganhou o Prêmio Shell de Melhor Atriz por sua performance em Vem Buscar-Me que Ainda Sou Teu, de Carlos Alberto Soffredini, e, três anos depois, repetiu o feito com Vereda da Salvação, de Jorge Andrade. Esses prêmios consolidaram seu reconhecimento como uma das grandes atrizes brasileiras, capaz de transitar entre os mais diversos gêneros e estilos com igual maestria.

Ao longo de sua vida, Laura Cardoso recebeu inúmeros prêmios e homenagens, refletindo a magnitude de sua contribuição para as artes cênicas brasileiras. Entre eles estão três Prêmios Grande Otelo, cinco Prêmios APCA, dois Prêmios Shell e dois Troféus Imprensa. Em 2006, foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural, um reconhecimento oficial do governo brasileiro à sua trajetória artística. Sua morte em 2026, aos 98 anos, deixou um vazio na dramaturgia nacional, mas também um legado que continuará a inspirar futuras gerações de atores e atrizes.

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