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Incêndio do Santika Club

O incêndio do Santika Club, uma discoteca/boate de Watthana, bairro de Banguecoque, capita

4 min de leitura01/01/2024
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Na madrugada do primeiro dia de 2009, pouco mais de meia hora após a virada do ano, um incêndio catastrófico consumiu a boate Santika Club, no bairro de Watthana, em Bangcoc, capital da Tailândia. O fogo eclodiu às 0h35 no horário local, quando cerca de mil pessoas ainda comemoravam o início do novo ano dentro do estabelecimento. A tragédia matou pelo menos 61 pessoas, com fontes tailandesas apontando para 66 vítimas fatais, e feriu mais de 210 indivíduos, entre os quais dezenas de estrangeiros de países como Austrália, Bélgica, Canadá, França, Finlândia, Japão, Nepal, Holanda, Singapura, Coreia do Sul, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.

O Santika Club era um dos estabelecimentos noturnos mais frequentados de Bangcoc, uma cidade conhecida por sua vida noturna intensa e pela grande atração que exerce sobre turistas de todo o mundo. Na noite do réveillon, a casa estava superlotada, com uma multidão que muito provavelmente excedia a capacidade máxima permitida de frequentadores. A atmosfera festiva daquela noite tornava qualquer pensamento sobre segurança ou emergência algo distante da mente de quem estava ali para celebrar.

A causa exata do incêndio nunca foi oficialmente determinada pelos investigadores. As versões que circularam foram variadas e, por vezes, contraditórias. Muitas testemunhas afirmaram que o fogo teria sido causado por fogos de artifício estocados no sótão da boate, ou por faíscas que eram regularmente lançadas pelo estabelecimento como parte do espetáculo de entretenimento. Outras hipóteses apontavam para um curto-circuito elétrico. Análises posteriores sugeriram que o fogo pode ter começado no forro do teto ou nas estruturas de isolamento do telhado, onde materiais inflamáveis, incluindo plásticos utilizados para proteger o estabelecimento das chuvas típicas do clima tropical tailandês, haviam sido usados em abundância. A teoria mais aceita é a de que as chamas se espalharam silenciosamente pelo teto antes de se tornarem visíveis, o que explica por que o incêndio só foi percebido cerca de dez minutos após a meia-noite.

A velocidade com que o fogo se alastrou foi dramática. Os materiais plásticos utilizados na construção do teto e nas paredes de isolamento térmico da boate liberaram fumaça altamente tóxica quando entraram em combustão. Médicos que atenderam as vítimas nos hospitais da cidade relataram que muitos dos feridos e mortos foram derrubados pela inalação dessa fumaça em questão de minutos, antes mesmo de conseguirem encontrar uma saída. O calor intenso e as chamas rápidas também causaram queimaduras graves e mortes por estampido.

A situação foi agravada de forma decisiva pelas condições estruturais do estabelecimento. O Santika Club tinha apenas uma saída de emergência principal acessível ao público. Havia uma segunda saída voltada para uso de funcionários, praticamente desconhecida dos frequentadores. Um terceiro acesso de emergência existia no terceiro andar, mas estava permanentemente fechado por questões de segurança patrimonial, com o argumento de que a abertura desse acesso poderia facilitar furtos. A combinação entre o grande número de pessoas, a fumaça tóxica e a escassez de saídas criou um cenário de pânico em que muitos não conseguiram escapar a tempo.

Os feridos foram atendidos em 19 hospitais distintos de Bangcoc, com a maior parte sendo levada ao Hospital Bangcoc, o maior da cidade. O trabalho de identificação das vítimas foi lento e doloroso: apenas 29 dos 61 corpos foram identificados de imediato, sendo 28 tailandeses e um singapuriano. Os demais corpos, muitos carbonizados de forma que impossibilitava o reconhecimento visual, foram recolhidos e levados para um estacionamento em frente à boate enquanto aguardavam os procedimentos de identificação. Alguns corpos só foram identificados mais de uma semana após o incêndio, por meio de exames odontológicos e testes de DNA.

A inspeção do sistema de segurança da boate revelou falhas graves. O estabelecimento contava com apenas um extintor de incêndio, número absolutamente insuficiente para um local do porte e da frequência do Santika Club. Além disso, o alvará de funcionamento da boate havia sido registrado junto às autoridades como "comércio de alimentos", não como casa noturna, o que significava que, pela legislação tailandesa, o estabelecimento deveria fechar suas portas à meia-noite. Em vez disso, operava como boate noturna, o que levantou sérias questões sobre como as autoridades competentes haviam permitido essa situação.

O primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, visitou pessoalmente o local do incêndio e expressou seu consternamento publicamente. Em declaração que resumia o espanto geral diante das irregularidades reveladas, ele questionou como tinha sido possível que alguém entrasse no estabelecimento com fogos de artifício para lançá-los no interior da boate. O proprietário do Santika Club foi responsabilizado junto com outros doze diretores da empresa. Agravante adicional surgiu quando o corpo de um estudante de 17 anos foi encontrado entre as vítimas, indicando que o estabelecimento havia permitido o acesso de menores de idade, infração pela qual o proprietário já havia sido responsabilizado anteriormente.

O incêndio do Santika Club deixou um legado amargo na história da Tailândia e motivou revisões nas regulamentações de segurança para estabelecimentos noturnos em todo o país. A tragédia evidenciou como a negligência estrutural, a fiscalização deficiente e a superlotação podem transformar um momento de celebração em catástrofe, um padrão infelizmente repetido em incêndios em boates ao redor do mundo ao longo das décadas.

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