No final do século XIII, enquanto o Sultanato de Rum desmontava e a Anatólia fragmentava-se em pequenos principados turcos, um chefe tribal de origens relativamente obscuras consolidava seu poder numa região fronteiriça com o Império Bizantino, na Bitínia. Seu nome era Osmã I, e de seu nome derivaria o adjetivo que daria identidade a um dos maiores impérios da história. O que começou como um beilhique — um principado de fronteira habitado por guerreiros turcomanos — transformar-se-ia, ao longo de dois séculos e meio, num Estado transcontinental que dominaria o Mediterrâneo, o Oriente Médio e grande parte da Europa por mais de seiscentos anos.
A expansão otomana foi rápida e metódica. Os sucessores de Osmã cruzaram o estreito para os Bálcãs em meados do século XIV, estabelecendo uma cabeça de ponte na Europa que nunca seria eliminada. Adrianópolis — rebatizada Edirne — caiu em 1369 e tornou-se capital otomana europeia. Os reinos cristãos da Sérvia, Bulgária e Bósnia foram gradualmente submetidos ou absorvidos. A batalha do Kosovo em 1389 foi um marco simbólico fundamental: embora tecnicamente inconclusiva, solidificou o domínio otomano sobre a Sérvia e criou uma ferida na memória nacional sérvia que duraria séculos.
O ponto de inflexão decisivo foi a conquista de Constantinopla em 29 de maio de 1453 por Maomé II, que tinha apenas 21 anos. O jovem sultão preparou a campanha durante meses, mandando construir fortalezas no Bósforo para cortar os suprimentos da cidade e empregando canhões enormes, alguns fundidos por um engenheiro húngaro, capazes de demolir as muralhas milenares que haviam resistido a incontáveis cercos anteriores. A queda da cidade pôs fim ao Império Bizantino e transformou os otomanos numa potência de primeira ordem: Maomé passou a ser chamado "Kayser-i Rum" — César dos Romanos — reivindicando a herança imperial.
O século XVI foi o apogeu do poderio otomano. Sob Selim I, o Império expandiu-se vertiginosamente para o sul e o leste: o Egito mameluco foi conquistado em 1517, e Selim assumiu o título de Califa, tornando-se o protetor oficial dos lugares sagrados do Islã. Seu filho, Solimão I — conhecido no Ocidente como "o Magnífico" e entre os próprios otomanos como "o Legislador" —, governou de 1520 a 1566 e levou o Império ao ápice de seu poder. Sob Solimão, Belgrado caiu em 1521, a ilha de Rodes foi tomada aos Cavaleiros Hospitalários em 1522, e o exército otomano sitiou Viena em 1529, atingindo o ponto mais avançado da expansão para o coração da Europa. No Mediterrâneo, a frota otomana dominava o mar, e no Oriente Médio os otomanos controlavam 32 províncias e numerosos estados vassalos.
A administração de um território tão vasto e diverso exigiu sofisticação institucional. O sistema de devshirme recrutava meninos cristãos das províncias balcânicas, convertia-os ao Islã e os treinava para servir ao sultão como soldados de elite — os janízaros — ou como funcionários do governo. Paradoxalmente, muitos dos mais altos cargos do Império foram ocupados por homens de origem cristã que haviam ascendido por esse sistema meritocrático. A capital Constantinopla, rebatizada Konstantiniyye pelos otomanos, era a maior e mais cosmopolita cidade da Europa Ocidental e do Oriente durante grande parte do período otomano, com bairros habitados por muçulmanos, cristãos ortodoxos, armênios, judeus e europeus.
A partir do final do século XVII, o Império começou a encontrar dificuldades crescentes frente à modernização militar europeia. O segundo cerco de Viena, em 1683, terminou em derrota humilhante, e o Tratado de Karlowitz de 1699 foi o primeiro grande recuo territorial otomano, devolvendo a Hungria aos Habsburgo. No século XVIII, enquanto os Impérios russo e austríaco reformavam seus exércitos, o sistema militar otomano foi ficando progressivamente para trás. As guerras do final do século custaram territórios importantes e expuseram a fragilidade estrutural do Estado.
A resposta foi o Tanzimat, um abrangente programa de reformas iniciado em 1839. O Édito de Gülhane proclamou a igualdade jurídica de todos os súditos do Império, independentemente de religião ou etnia, aboliu punições arbitrárias e iniciou uma modernização do sistema legal, educacional e administrativo. As reformas foram profundas, mas também geraram resistências internas e não impediram novas perdas territoriais, especialmente nos Bálcãs, onde movimentos nacionais inspirados pelo modelo europeu foi desmembrando o Império ao longo do século XIX.
A Revolução dos Jovens Turcos de 1908 instalou uma monarquia constitucional e prometeu renovação, mas as desastrosas Guerras dos Bálcãs de 1912–1913 expulsaram os otomanos de quase toda a Europa. O Comitê União e Progresso radicalizou-se e conduziu o Império à Primeira Guerra Mundial ao lado da Alemanha. Foi uma aposta fatal. Durante o conflito, o governo otomano perpetrou o genocídio armênio — a deportação e extermínio sistemático da população armênia da Anatólia, que resultou em centenas de milhares a mais de um milhão de mortos —, além de massacres contra populações assírias e gregas. A derrota na guerra e a ocupação pelas potências aliadas pareciam anunciar o fim da presença turca na Anatólia.
O que veio a seguir foi inesperado. Mustafa Kemal, general que havia se destacado em Gallipoli, organizou um movimento de resistência na Anatólia e derrotou as forças gregas, francesas e armênias num conflito que durou de 1919 a 1922. O Tratado de Lausanne de 1923 reconheceu as fronteiras da nova Turquia. Em 1 de novembro de 1922, Mustafa Kemal aboliu o sultanato, extinguindo formalmente o Império Otomano após mais de seiscentos anos de existência. A República da Turquia foi proclamada no ano seguinte, com Atatürk — pai dos turcos — como primeiro presidente, iniciando uma radical transformação laica do Estado que os otomanos haviam construído sob a bandeira do Islã.