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Guerra de Independência dos Estados Unidos

Conflito armado entre a Grã-Bretanha e as Treze Colônias na América do Norte

7 min de leitura01/01/2024
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A Guerra de Independência dos Estados Unidos, Guerra Revolucionária Americana, Guerra Americana da Independência, Guerra da Revolução Americana, ou simplesmente Guerra Revolucionária nos Estados Unidos, foi um conflito armado entre o Reino da Grã-Bretanha e as Treze Colônias na América do Norte, que haviam declarado sua independência como os Estados Unidos da América. Logo após a Guerra dos Sete Anos, começou a crescer nas colônias britânicas na América um sentimento de descontentamento com a metrópole, baseado em diferenças filosóficas e políticas exacerbadas com o azedamento dos laços entre a Coroa e os povos da colônia. Após a introdução da Lei do selo de 1765, os Patriotas (como se chamavam os americanos pró-independência) protestaram contra a ideia de "tributação sem representatividade" e iniciaram boicotes contra os ingleses; um grupo conhecido como "Filhos da Liberdade" acabou destruindo um carregamento de chá no ancoradouro de Boston. O governo britânico respondeu fechando os portos da cidade e passou medidas punitivas contra Massachusetts. Os colonos, por sua vez, instituíram as "Resoluções de Suffolk", estabelecendo um governo paralelo para tentar tirar dos ingleses o controle das áreas fora da cidade de Boston. Representantes das colônias americanas estabeleceram então o Congresso Continental para coordenar os esforços de resistência e estabelecer comitês e convenções para efetivamente tomar o poder.

Em abril de 1775, os britânicos tentaram desarmar as milícias rebeldes que tomaram a zona rural de Massachusetts, precipitando o primeiro confronto armado da guerra. Os milicianos americanos então cercaram Boston e, finalmente, em março de 1776, forçaram os ingleses a evacuar. Ao mesmo tempo, os revolucionários tentaram invadir Quebec para tentar trazer os canadenses ao conflito, mas falharam. A 2 de julho de 1776, com a escalada da violência por todas as Treze Colônias, o Congresso Continental votou por independência, proclamando-a dois dias depois, em 4 de julho. Sir William Howe, comandante do exército britânico nas Colônias estadunidenses, ordenou um contra-ataque e suas forças lançaram uma invasão ao norte, conquistando a cidade de Nova Iorque e partes de Nova Jérsei, abalando a moral dos revolucionários americanos. Contudo, vitórias rebeldes em Trenton e Princeton restauraram a confiança na causa americana. Em 1777, os britânicos, sob comando do general John Burgoyne, lançaram uma grande campanha para limpar de rebeldes os estados de Nova Iorque e Vermont, isolando a região da Nova Inglaterra. O comando inglês, porém, não agiu de forma coesa, com o general Howe preferindo realizar uma campanha própria, capturando a Filadélfia. Sem apoio, Burgoyne acabou sendo derrotado na decisiva Batalha de Saratoga, em outubro de 1777.

O resultado da campanha de Saratoga foi importante, pois convenceu a França (rival da Inglaterra) a entrar no conflito ao lado dos americanos em 1778. No ano seguinte, a Espanha, através do Pacte de Famille, se aliou aos franceses e aos americanos. Os britânicos tiveram de mudar de estratégia, com o general Charles Cornwallis movendo tropas para uma ampla campanha no sul, onde a presença lealista era mais forte, porém isto não se traduziu em vantagem. Em 1780, as tensões cresceram e ameaçaram escalar o conflito para longe do continente americano, por exemplo com a deflagração da Guerra Anglo-Holandesa. Os ingleses começaram a sofrer uma série de reveses (como na importante Batalha de Cowpens), forçando Cornwallis a recuar até Yorktown, na Virgínia, onde planejou uma evacuação. Então, a marinha francesa derrotou a armada britânica em Chesapeake, cortando a rota de fuga dos ingleses. Um exército franco-americano, sob comando de Jean-Baptiste de Rochambeau, o conde de Rochambeau, e George Washington marchou sobre Yorktown e forçou a rendição de Cornwallis e suas tropas.

A guerra nas Treze Colônias sempre dividiu opiniões no Parlamento da Grã-Bretanha, com os Whigs se opondo aos Tories, estes últimos favoráveis à continuação do conflito. Após a rendição de Cornwallis, em outubro de 1781, o movimento antiguerra na Inglaterra ganhou força. Em 1782, os parlamentares britânicos votaram por encerrar todas as operações militares na América do Norte, embora as hostilidades que haviam se alastrado na Europa continuassem; o Reino Unido afinal derrotaria os espanhóis em Gibraltar e na Batalha do Cabo de São Vicente, enquanto também venciam os franceses na Batalha de Saintes. Na Índia, o Reino de Mysore havia se aliado aos franceses contra a Inglaterra, mas o conflito por lá só terminou em 1784. Em 3 de setembro de 1783, os dois principais beligerantes assinaram o Tratado de Paris, formalmente encerrando a guerra, onde o Reino Unido reconheceu a soberania dos Estados Unidos como uma nação independente. O envolvimento da França no conflito se mostrou decisivo para a vitória americana, mas, no geral, os franceses ganharam muito pouco e viram sua economia entrar em colapso. A Espanha foi outra que, apesar de estar no lado dos vitoriosos, não conseguiu conquistar muita coisa. Os holandeses, que também estavam em guerra contra a Inglaterra, acabaram sofrendo grandes perdas financeiras e territoriais.

Ao fim da Guerra dos Sete Anos, em 1763 (e a Guerra Franco-Indígena), o Reino Unido da Grã-Bretanha emergiu triunfante contra a França na América do Norte, mas terminou muito endividado. Os impostos na Inglaterra já estavam muito altos e foi decidido que os colonos americanos deveriam contribuir mais. O Parlamento da Grã-Bretanha então aprovou a Lei do selo de março de 1765, que colocou uma taxação direta sobre as colônias que começou formalmente em 1 de novembro. O novo imposto irritou os colonos americanos, que argumentavam que os seus "direitos como ingleses" significavam que novos impostos não podiam ser cobrados deles, pois eles não tinham representação no Parlamento. Naquele momento, na verdade, muitos colonos rejeitavam a solução de representatividade afirmando que suas "circunstâncias locais" tornavam isso impossível.

A resistência civil impediu que a lei do selo fosse implementada e boicotes a produtos britânicos entraram em vigor. Esta resistência foi inesperada e gerou uma "irritação violenta e natural" entre os britânicos.

Uma mudança de governo na Grã-Bretanha acabou por revogar a lei do selo, mas o novo parlamento aprovou a Lei Declaratória de 1766, que dizia que "as colônias e plantações na América eram, são e serão subordinadas e dependentes da Coroa Imperial e do Parlamento do Reino Unido".

Os americanos declararam que leis internas impostas a eles, como a lei do selo, eram ilegais, mas não as externas, como taxas nos serviços de alfândega. Em 1767, o Parlamento britânico passou uma lei criando as chamadas Tarifas Townshend, que instituiu taxas sobre vários bens britânicos exportados para as colônias. Os americanos denunciaram isso como ilegal também, já que o objetivo destas tarifas era aumentar a renda do Estado e não regulamentar o comércio.

Em 1768 a violência começou a tomar conta de Boston, a cidade com os maiores portos da região da Nova Inglaterra. Um dos motivos das queixas eram as atitudes anticontrabando tomadas pelo governo britânico e o envio de quatro mil soldados ingleses para ocupar a cidade. O Parlamento em Londres ameaçou decretar os cidadãos de Massachusetts como traidores. Os colonos americanos não se intimidaram e formaram associações para boicotar bens britânicos, embora menos eficientes que antes, pois as tarifas Townshend eram muito usadas. Em março de 1770, cinco colonos em Boston foram mortos quando soldados ingleses abriram fogo contra uma multidão que protestava em frente à casa do governador real. Esta ação foi considerada ultrajante pelas Treze Colônias. Em 1770, o Parlamento tentou aplacar os americanos ao revogar todos os impostos, menos o do chá.

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