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Glória Menezes

Atriz brasileira (1934–2026)

5 min de leitura19/08/2026
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Glória Menezes, nascida Nilcedes Soares Guimarães em Pelotas, no Rio Grande do Sul, foi uma das figuras mais emblemáticas do entretenimento brasileiro, uma atriz cuja trajetória atravessou décadas e consolidou seu nome como sinônimo de talento e versatilidade. Sua carreira, iniciada nos palcos teatrais e expandida para a televisão e o cinema, refletiu não apenas a evolução das artes cênicas no país, mas também a própria história da cultura popular brasileira. Por trás de uma imagem serena e elegante, Menezes carregava uma determinação que a levou a romper barreiras e se tornar uma das primeiras grandes protagonistas das telenovelas, gênero que ajudou a moldar. Filha de imigrantes portugueses, ela carregava em seu nome a herança familiar — uma composição curiosa que, segundo ela mesma, foi decisiva para a escolha de seu nome artístico: Glória, pela universalidade, e Menezes, pelas suas raízes lusitanas e pela sonoridade que, segundo acreditava, trazia sorte.

Sua formação começou na Escola de Arte Dramática da USP, em São Paulo, onde não apenas estudou, mas também fundou o grupo Jovens Independentes, ao lado de nomes que viriam a se destacar no teatro brasileiro. Foi nesse ambiente que Glória Menezes deu seus primeiros passos profissionais, ganhando prêmios de revelação e chamando a atenção pela intensidade de suas interpretações. Sua estreia no cinema veio de forma inesperada, graças à indicação de um diretor que a viu no teatro. Em *O Pagador de Promessas*, filme de Anselmo Duarte que se tornaria um marco do cinema nacional, Menezes assumiu o papel de Rosa, esposa de um homem simples que enfrenta a intolerância religiosa ao tentar cumprir uma promessa. A obra, que conquistou a Palma de Ouro em Cannes e foi indicada ao Oscar, marcou sua entrada no cenário cinematográfico com uma performance que já revelava sua capacidade de transmitir profundidade emocional em personagens complexos.

A televisão, entretanto, foi o campo onde Glória Menezes verdadeiramente brilhou. Na década de 1950, quando as telenovelas ainda davam seus primeiros passos no Brasil, ela se tornou uma das pioneiras do gênero, protagonizando produções que definiram não só sua carreira, mas também o formato das narrativas televisivas no país. Seu primeiro trabalho na TV foi em *Um Lugar ao Sol*, na TV Tupi, em 1959, mas foi ao lado de Tarcísio Meira, seu marido por 59 anos, que ela formou uma das duplas mais icônicas da televisão brasileira. O casal não apenas dominou as telas como também se tornou um símbolo de elegância e parceria profissional, estrelando novelas que marcaram época, como *Irmãos Coragem* e *Cavalo de Aço*. Essa parceria começou em *2-5499 Ocupado*, considerada a primeira telenovela diária do Brasil, e se estendeu por anos, consolidando-os como um dos pares mais queridos do público.

Ao longo dos anos 1960 e 1970, Menezes continuou a expandir sua atuação, transitando entre dramas históricos e comédias, sempre com um tom que equilibrava sofisticação e acessibilidade. Seu talento foi reconhecido não apenas pelo público, mas também pela crítica, que a premiou inúmeras vezes, incluindo um Prêmio APCA e três Troféus Imprensa. Na década de 1980, ela diversificou ainda mais seu repertório, participando de produções como *Jogo da Vida* e *Guerra dos Sexos*, onde mostrou sua habilidade em explorar personagens cômicos e dramáticos com igual maestria. Em *Brega & Chique*, por exemplo, ela deu vida a figuras femininas fortes e determinadas, contribuindo para a consolidação de uma nova imagem da mulher nas telenovelas.

Um dos momentos mais marcantes de sua carreira veio em 1990, quando interpretou Laurinha Figueiroa em *Rainha da Sucata*, uma vilã tão complexa que sua cena final — a primeira de suicídio explícito na televisão brasileira — chocou e emocionou o público. A performance lhe rendeu ainda mais prestígio, culminando em um Troféu Imprensa de Melhor Atriz em 1992 por sua atuação em *Deus nos Acuda*. Ao longo das décadas seguintes, Menezes continuou a trabalhar em produções de peso, como *Senhora do Destino* e *A Favorita*, além de participar de séries como *Louco por Elas*, demonstrando uma capacidade de adaptação que poucos atores conseguem manter por tanto tempo.

Sua trajetória foi celebrada não apenas por seus pares, mas também por instituições que reconheceram sua contribuição para as artes no Brasil. Prêmios como o Troféu Oscarito, do Festival de Gramado, e o Troféu Mário Lago atestam o respeito que ela conquistou ao longo de mais de seis décadas de carreira. Glória Menezes, entretanto, sempre manteve uma postura discreta, evitando os holofotes excessivos e focando no trabalho. Em entrevistas, ela revelava um carinho especial pelo teatro, gênero que, segundo ela, lhe dava a liberdade de experimentar sem as limitações impostas pela televisão ou pelo cinema.

Fora das telas, sua vida pessoal também chamou atenção, especialmente seu casamento com Tarcísio Meira, uma união que se tornou um exemplo de parceria duradoura na cultura brasileira. Juntos, eles formaram não apenas um casal, mas uma dupla artística que ajudou a definir o que se entendia por "casal perfeito" nas novelas da época. A morte de Meira, em 2021, após 59 anos de união, foi um golpe duro para Menezes, mas ela continuou sua carreira com a mesma dedicação de sempre, demonstrando uma resiliência que impressionava.

Glória Menezes faleceu em agosto de 2026, aos 91 anos, deixando um legado que transcende as telas. Ela foi muito mais do que uma atriz: foi uma pioneira que ajudou a moldar a televisão brasileira, uma mulher que enfrentou preconceitos e barreiras em uma época em que o meio artístico era dominado por homens, e uma profissional que soube se reinventar sem perder sua essência. Seu nome está gravado na história das artes cênicas do país, não apenas por seus papéis memoráveis, mas também por sua capacidade de inspirar gerações de artistas. Em uma carreira que atravessou quase sete décadas, Glória Menezes provou que o talento, quando aliado à persistência, pode resistir ao tempo e deixar marcas profundas na cultura de um povo.

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