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George Shearing

Sir George Shearing, Kt, OBE (Londres, 13 de agosto de 1919 - 14 de fevereiro de 2011) foi

4 min de leitura01/01/2024
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Sir George Shearing nasceu em Londres em 13 de agosto de 1919, no seio de uma família humilde do bairro de Battersea, e carregou desde o nascimento uma condição que poderia ter limitado profundamente sua vida: era completamente cego. Em vez disso, a cegueira pareceu aguçar nele uma sensibilidade musical extraordinária, e aos três anos já demonstrava fascínio pelo piano, instrumento que se tornaria a extensão de sua própria voz ao longo de mais de sete décadas de carreira. Quando faleceu em 14 de fevereiro de 2011, em Nova York, aos 91 anos, deixava para trás um legado que havia transformado o jazz de maneira permanente.

As influências formativas de Shearing vieram dos grandes pianistas que dominavam o jazz e o blues nas primeiras décadas do século XX. Nomes como Teddy Wilson, Fats Waller, Earl Hines, Erroll Garner, Art Tatum e Bud Powell moldaram profundamente seu estilo, que combinava o swing fluido do bebop com texturas harmônicas refinadas e uma elegância técnica raras vezes vista no gênero. Esses mestres do piano ensinaram a Shearing que o jazz podia ser ao mesmo tempo rigoroso e emocional, estruturado e improvisado.

Ao final dos anos 1930, ainda na Inglaterra, Shearing começou a tocar profissionalmente com a Ambrose Dance Band, uma das mais populares orquestras de dança da época. Em 1937, realizou sua primeira gravação sob a supervisão do jovem Leonard Feather, crítico e produtor musical que se tornaria uma das vozes mais influentes do jazz britânico. Feather reconheceu o talento excepcional do pianista cego e o incentivou ativamente a buscar horizontes mais amplos, sugerindo que o verdadeiro destino de Shearing estava do outro lado do Atlântico.

Influenciado pelo conselho de Feather, Shearing emigrou em 1947 para Nova York, mergulhando de cabeça na efervescência musical que transformava a cidade no epicentro do jazz mundial. Ali, absorveu com voracidade o bebop — movimento que estava revolucionando o jazz ao introduzir harmonias mais complexas, tempos acelerados e improvisações elaboradas. Sua versatilidade foi rapidamente notada: substituiu Erroll Garner no trio de Oscar Pettiford e liderou um quarteto ao lado do clarinetista Buddy DeFranco.

O grande momento criativo de Shearing chegou quando formou seu quinteto, uma formação inusitada que reunia piano, guitarra, baixo, bateria e vibrafone. O resultado foi um som único, característico e imediatamente reconhecível, que misturava o calor do bebop com uma elegância camerística de inspiração clássica. Por esse conjunto passaram músicos de primeira linha como Cal Tjader, Margie Hyams, Denzil Best, Israel Crosby, Joe Pass e Gary Burton, nomes que seguiriam para carreiras brilhantes. Com esse grupo, Shearing gravou algumas de suas composições mais duradouras, incluindo o standard "September in the Rain" e o hino do jazz moderno "Lullaby of Birdland".

"Lullaby of Birdland" merece atenção especial. Composta em 1952 para o famoso clube de jazz Birdland, em Nova York — batizado em homenagem ao saxofonista Charlie Parker, conhecido como "Bird" —, a peça se tornou um dos standards mais gravados e reconhecidos da história do jazz. Sua melodia inconfundível, ao mesmo tempo lânguida e sofisticada, foi regravada por centenas de artistas ao longo das décadas e permanece como o cartão de visita definitivo de Shearing. O músico escreveu ainda outros dois standards importantes, "Conception" e "Consternation", que integraram permanentemente o repertório do jazz.

Além de pianista e compositor, Shearing teve papel pioneiro no desenvolvimento do jazz afro-cubano nos anos 1950, uma fusão que antecipou em décadas o que seria chamado de latin jazz. Seu quinteto incorporou elementos da música afro-cubana, e foi em seu conjunto que Cal Tjader descobriu o jazz latino. Músicos como Mongo Santamaria, Willie Bobo e Armando Peraza também passaram pelo grupo, levando ritmos caribenhos para dentro do jazz de Nova York numa síntese que marcou gerações.

A longevidade e a adaptabilidade de Shearing foram notáveis. Ao longo das décadas, ele se apresentou em formações reduzidas de trio, duo e solo, tocando ao lado de gigantes como Jim Hall, Hank Jones e Kenny Davern. Colaborou com grandes cantores, entre eles Nat King Cole, Peggy Lee, Carmen McRae, Ernestine Anderson, Mel Tormé e Joe Williams, deixando registros discográficos de enorme beleza em parceria com cada um deles. Sua discografia como líder ultrapassa uma centena de álbuns, e a série de gravações com Mel Tormé para a Concord Jazz, na década de 1980, é considerada uma das parcerias mais felizes de ambas as carreiras.

O reconhecimento que Shearing recebeu ao longo da vida foi proporcional à grandeza de sua contribuição. Em 2007, foi agraciado com o título de Cavaleiro do Império Britânico pela rainha Elizabeth II, tornando-se "Sir George Shearing" — distinção raríssima para um músico de jazz. Antes disso, havia recebido a Ordem do Império Britânico em 1996. A música de Shearing, com sua combinação de elegância europeia, swing americano e vitalidade afro-cubana, representa uma síntese única que continua a inspirar pianistas e amantes do jazz em todo o mundo. Sua história é também um lembrete poderoso de que as limitações físicas raramente conseguem conter o talento genuíno.

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