Alexander Franklin James, conhecido como Frank James, nasceu em 10 de janeiro de 1843 no Missouri e morreu em 18 de fevereiro de 1915. Irmão mais velho do lendário Jesse James, Frank se tornaria uma figura igualmente icônica do Velho Oeste americano, embora seu destino final fosse radicalmente diferente do de Jesse: enquanto o irmão caiu assassinado por um membro de sua própria gangue, Frank sobreviveu, se entregou às autoridades e viveu mais três décadas num anonimato relativo, carregando o peso de uma fama que ele mesmo ajudou a construir.
A formação de Frank James como fora da lei não pode ser compreendida fora do contexto da Guerra Civil Americana, que começou em 1861 quando ele tinha dezoito anos. O Missouri era um estado dividido, com forte presença tanto de simpatizantes da União quanto de confederados, e a família James pertencia à facção confederada da porção ocidental do estado. Em setembro de 1861, o jovem Frank integrou a Guarda do Estado de Missouri numa tentativa de cercar a cidade de Lexington, mas a operação fracassou, ele adoeceu e foi capturado pelas tropas da União, sendo libertado mediante juramento de lealdade ao governo federal. Esse juramento seria ignorado em seguida.
A virada decisiva na trajetória de Frank James foi o ingresso nas guerrilhas confederadas, os chamados bushwhackers, grupos irregulares que operavam numa guerra de emboscadas e represálias brutais que pouco tinha de convencional. Frank começou pelo bando de Fernando Scott e depois migrou para o grupo mais poderoso, comandado por William Clarke Quantrill. Foi no contexto desse conflito de baixa intensidade e alta violência que ele participou de um dos episódios mais sombrios de toda a guerra civil americana: o Massacre de Lawrence, ocorrido em 21 de agosto de 1863, quando as forças de Quantrill invadiram a cidade de Lawrence, no Kansas, e assassinaram aproximadamente duzentos civis, em sua maioria desarmados. O episódio chocou tanto a opinião pública da época quanto a memória histórica posterior.
Após o fim da guerra, Frank obteve a liberdade condicional em julho de 1865, mas a paz durou pouco. Junto com Jesse e alguns companheiros de guerrilha, ele organizou o que viria a ser uma das gangues mais famosas da história americana, dedicada a assaltos a bancos e comboios ferroviários. Durante anos, a dupla James tornou-se objeto de uma perseguição intensa pelos detetives da agência Pinkerton, que chegaram a atacar a fazenda da família, ferindo sua mãe e matando um irmão mais novo. Esse episódio, longe de conter a gangue, alimentou ainda mais a narrativa popular de vítimas que resistiam ao poder das grandes corporações, conferindo aos James uma aura de rebeldes folclóricos que o senso comum da época acolheu com simpatia.
O episódio mais desastroso da carreira criminosa de Frank James foi o ataque à cidade de Northfield, Minnesota, em 7 de setembro de 1876. O que parecia mais um assalto rotineiro ao banco local terminou em catástrofe: a resistência inesperada dos moradores da cidade transformou a operação num confronto violento que custou a vida ou a liberdade da maior parte da gangue. Apenas Frank e Jesse conseguiram escapar, mas a gangue estava na prática destruída. Seguiram-se anos de vida errante e semiclandestina, até que em abril de 1882 Jesse foi assassinado por Robert Ford, um membro de seu próprio bando que buscava a recompensa oferecida pelo governador.
Cinco meses após a morte do irmão, Frank James tomou uma decisão surpreendente: apresentou-se voluntariamente ao governador Crittenden em Jefferson City, Missouri, entregando pessoalmente seu revólver. No gesto, havia algo de teatral e algo de genuinamente exausto. Ele declarou que havia sido caçado por vinte e um anos, que vivera literalmente na sela e que nunca conhecera um dia de paz perfeita. A rendição ocorreu com a compreensão tácita de que ele não seria extraditado para Minnesota, onde o julgamento pelo assalto de Northfield seria mais severo.
O processo judicial de Frank James foi longo e complexo. Ele foi julgado por dois crimes específicos: um roubo a trem em Winston, Missouri, em julho de 1881, no qual morreram o engenheiro e um passageiro, e um assalto à folha de pagamento do Corpo de Engenheiros do Exército em Muscle Shoals, Alabama, em março do mesmo ano. Em ambos os julgamentos foi absolvido. No de Missouri, testemunhou em sua defesa o ex-general confederado Joseph Orville Shelby, uma figura com enorme prestígio entre a população sulista. O Missouri manteve jurisdição legal sobre outras possíveis acusações, mas elas nunca chegaram a julgamento. Minnesota nunca conseguiu extraditá-lo.
Absolvido e livre, Frank James precisou reinventar sua vida. Nos trinta anos que se seguiram à sua rendição, ele trabalhou em uma variedade impressionante de ocupações: foi vendedor de sapatos em St. Louis, operador de telégrafo para a AT&T em St. Joseph, comissário de apostas num hipódromo de Nova Orleans, vendedor numa loja de calçados em Dallas, e participante de um grupo de investimentos que adquiriu um espetáculo de Oeste Selvagem. Fez palestras em cidades do Texas, onde sua fama lhe garantia audiências curiosas. Em Hollywood nascente, houve interesse em usar seu nome e sua história.
A ironia final de sua vida foi o retorno à James Farm, a propriedade da família no Missouri, onde passou seus últimos anos recebendo visitantes e oferecendo passeios guiados pelo local por vinte e cinco centavos. O homem que durante décadas fugiu de toda forma de atenção institucional tornava-se, na velhice, uma atração turística voluntária. Morreu em 18 de fevereiro de 1915, aos setenta e dois anos, deixando a esposa Annie Ralston James e um filho. Foi enterrado no cemitério de Hill Park, na porção oeste de Independence, Missouri, longe da fama e da perseguição que marcaram os anos mais intensos de sua existência.
O obituário publicado pelo New York Times resumiu com precisão clínica o arco de sua vida: em 1882 ele se rendeu, nunca esteve numa penitenciária e nunca foi condenado por nenhuma das acusações que pesavam sobre ele. Poucas sentenças capturam de forma mais eficiente o paradoxo da figura de Frank James: bandido por décadas, absolvido por completo perante a lei, e celebrado pela posteridade como símbolo de uma fronteira americana que já era, mesmo enquanto existia, mais mito do que realidade.


