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Augusto Cury

Psiquiatra e escritor brasileiro

4 min de leitura05/08/2026
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Augusto Jorge Cury é um dos nomes mais conhecidos no Brasil quando o assunto é psicologia popular e desenvolvimento pessoal. Nascido em Colina, interior de São Paulo, em 1958, ele construiu uma trajetória marcada pela medicina, psiquiatria e pela elaboração de uma teoria própria sobre o funcionamento da mente. Formado em Medicina pela Faculdade de São José do Rio Preto e com pós-graduação na PUC-SP, Cury expandiu seus estudos nos Estados Unidos, onde obteve um doutorado internacional em Psicologia Multifocal pela Florida Christian University. Sua trajetória, no entanto, não se limita à academia: ele também se destacou como professor, conferencista e, mais recentemente, como pré-candidato à presidência do Brasil em 2026.

O que realmente chama a atenção em Cury é a Teoria da Inteligência Multifocal, um conjunto de ideias que propõe uma nova forma de entender como a mente humana processa informações e emoções. Publicada em 1999 no livro *Inteligência Multifocal*, a teoria defende que a inteligência não é apenas uma questão de raciocínio lógico, mas também de como interpretamos nossas experiências e gerenciamos nossas emoções. Com mais de 30 elementos essenciais, como o controle dos pensamentos e a capacidade de se colocar no lugar do outro, a proposta busca oferecer ferramentas para que as pessoas tenham maior domínio sobre suas vidas. Embora Cury não esteja vinculado a universidades, suas ideias ganharam espaço em escolas e projetos sociais, como a Escola da Inteligência, que atua na formação emocional de crianças e adolescentes.

Além de sua produção teórica, Cury também desenvolveu projetos práticos voltados para a saúde mental. O Programa Freemind, por exemplo, foi criado como uma ferramenta de prevenção e tratamento de transtornos psíquicos, especialmente em ambientes como clínicas, escolas e casas de acolhimento para dependentes químicos. A proposta é usar técnicas de inteligência emocional para ajudar indivíduos a lidar com vícios e problemas psicológicos. No entanto, apesar do apelo popular, suas iniciativas não seguem os padrões científicos tradicionais, o que gera controvérsias entre profissionais da área.

Sua presença no cenário internacional é outro ponto marcante. Livros como *O Vendedor de Sonhos*, que ganhou o prêmio de melhor ficção da Academia Chinesa de Literatura em 2009, foram traduzidos para mais de 70 países, consolidando Cury como um fenômeno editorial. A obra, inclusive, foi adaptada para o cinema em 2016, sob direção de Jayme Monjardim, ampliando ainda mais seu alcance. No Brasil, ele já foi homenageado com títulos como Cidadão Honorário de Barretos e Ribeirão Preto, reconhecimentos que refletem seu impacto local. Em 2025, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Emil Brunner World University, um evento que, curiosamente, teve pouca repercussão na grande mídia.

Apesar do sucesso editorial, Augusto Cury não está livre de críticas, especialmente da comunidade científica. Seu doutorado pela Florida Christian University, uma instituição cristã nos EUA, já foi alvo de questionamentos sobre o rigor acadêmico. Embora a universidade seja legalmente reconhecida nos Estados Unidos, sua atuação no Brasil gerou polêmicas, incluindo denúncias de venda de títulos sem o devido respaldo acadêmico. Cury, por sua vez, sempre defendeu suas metodologias como uma alternativa à psicologia tradicional, argumentando que a ciência convencional muitas vezes negligencia aspectos emocionais e subjetivos do ser humano.

Outro ponto controverso diz respeito às promessas de cura de doenças psicológicas, como o autismo, que Cury alega ter tratado com sucesso através de sua abordagem. Em trechos de seus livros, ele relata casos de melhora em pacientes autistas por meio da "Psicoterapia Multifocal", baseada na "democracia das ideias" e na "arte de pensar". Essas afirmações, no entanto, não encontram respaldo na comunidade científica, que exige evidências rigorosas, revisão por pares e metodologias testáveis. Para especialistas, o risco é criar falsas expectativas em famílias que buscam soluções para condições complexas e ainda sem cura definitiva.

Mesmo com as controvérsias, Cury mantém uma base fiel de leitores e seguidores. Seu discurso, que mescla espiritualidade, filosofia e autoajuda, ressoa com um público que busca respostas simples para problemas emocionais profundos. Em um mundo cada vez mais acelerado e ansioso, suas obras oferecem um convite à reflexão sobre como pensamos, sentimos e agimos. Seja como escritor, palestrante ou até mesmo figura pública, ele representa uma corrente de pensadores que desafiam os limites entre ciência, religião e autoconhecimento.

Sua pré-candidatura à presidência em 2026 pode ser vista como mais um capítulo de uma trajetória já repleta de ousadia. Ao lançar-se como candidato pelo partido Avante, Cury expôs suas ideias para além dos livros e palestras, propondo uma agenda que, segundo ele, prioriza a saúde mental, a educação emocional e a reconstrução de valores sociais. Seja qual for o desfecho dessa empreitada política, o psiquiatra segue como uma figura polarizante: para uns, um visionário que democratiza o acesso ao autoconhecimento; para outros, um autor cujas teorias carecem de fundamentação científica.

Independentemente das opiniões, é inegável que Augusto Cury ocupa um espaço único no imaginário brasileiro. Em uma época em que a saúde mental ganha cada vez mais visibilidade, suas obras continuam a vender milhões de exemplares e a inspirar discussões sobre como a mente humana pode ser compreendida e transformada. Se sua teoria um dia será validada pela ciência ou permanecerá como uma abordagem alternativa, o tempo dirá. Por enquanto, ele segue como um fenômeno cultural, um reflexo das buscas e anseios de uma sociedade em constante transformação.

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