Eros Roberto Grau é um jurista brasileiro de destaque, nascido em Santa Maria no dia 19 de agosto de 1940. Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 1963, ele seguiu carreira na advocacia em São Paulo até ser nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2004. Grau também possui doutorado pela Universidade de São Paulo, onde foi professor titular do Departamento de Direito Econômico.
A vida acadêmica e profissional de Eros Grau é repleta de realizações. Aos 35 anos, ele já era livre docente na USP em 1977, e no ano 1990, conquistou o título de Professor Titular do Departamento de Direito Econômico da mesma universidade. Além disso, Grau também exercia a docência em diversas instituições, incluindo a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Fundação Getúlio Vargas.
Em meio às turbulências políticas do Brasil durante a Ditadura Militar, Grau enfrentou perseguição e tortura ao se engajar no Partido Comunista Brasileiro. Ao se tornar um defensor das causas sociais, ele foi nomeado consultor da Bancada Paulista na Assembleia Nacional Constituinte de 1988, onde contribuiu para a revisão constitucional do país.
A atuação de Grau no STF foi marcada por decisões influentes. Em 2005, ele foi relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que questionava a anistia aos crimes políticos cometidos durante o período militar. Grau, que havia sido vítima de tortura na ditadura, defendeu a interpretação restritiva do artigo em questão, o que resultou em uma decisão controversa e criticada por muitos juristas.
Por volta dos 70 anos de idade, Eros Grau decidiu se aposentar voluntariamente do STF. Este ato veio após votar pela aprovação da Lei da Ficha Limpa, uma medida que visa combater corrupção na administração pública. Sua decisão de renunciar foi alvo de discussões, pois ocorreu pouco antes de completar a idade mínima para aposentadoria compulsória.
A carreira intelectual e literária de Eros Grau também é notável. Autor de vários livros sobre direito econômico e constitucional, ele publicou obras como "Planejamento econômico e regra jurídica" (1978), "O Estado, a Empresa e o Contrato" (2005) e "A ordem econômica na Constituição de 1988" (2015). Além disso, Grau também se aventurou no mundo da literatura com obras como "Teu nome será sempre Alice e outras histórias" (2013).
Os prêmios e homenagens recebidos por Eros Grau refletem seu prestígio na área jurídica. Entre eles, destaca-se a Medalha Teixeira de Freitas em 2003, bem como títulos honorários concedidos pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e várias instituições europeias em 2009 e 2015.
A trajetória de Eros Grau é marcada por um percurso intenso e multifacetado. Desde seu ingresso na universidade até seu tempo no STF e suas publicações, ele sempre esteve envolvido em questões cruciais para o direito brasileiro, deixando uma marca significativa nesta área.