Ellen Gracie Northfleet GCRB • GOMM (Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 1948) é uma jurista brasileira que marcou história ao se tornar a primeira mulher a integrar o Supremo Tribunal Federal (STF). Seu caminho para a corte supremo foi desenhado através de uma carreira multifacetada, que incluiu estudos acadêmicos intensivos e experiência no serviço público.
Ellen iniciou seus estudos na Faculdade de Direito da Universidade do Estado da Guanabara (atual UERJ), transferindo-se para a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde obteve o Bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais. Sua formação acadêmica não parou por aí; ela também cursou Antropologia Social na mesma instituição. Essa base sólida lhe permitiu atuar como advogada liberal antes de ingressar no serviço público.
Em 1973, Ellen foi nomeada procuradora da República, cargo que ocuparia até 1989. Durante esses anos, ela exerceu múltiplas funções e participou de importantes conselhos administrativos, como o Conselho Penitenciário do Rio Grande do Sul e o Conselho Deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento da Região Sul.
Com a passagem para o serviço público, Ellen seguiu uma carreira que a levou ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), onde foi desembargadora. Em 1997, ela foi eleita Presidente do TRF-4, cargo que ocupou até 2000.
O ano de 2000 marcou o início de uma nova fase em sua carreira judicial. Indicada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, Ellen Gracie assumiu a posição de ministra do STF, substituindo Octavio Gallotti. Este feito não apenas lhe conferiu um lugar na Suprema Corte do Brasil, mas também solidificou seu status como uma voz singular dentro do judiciário nacional.
Como ministra do STF, Ellen atuou com determinação e consistência, participando de decisões históricas. Em 2004, no entanto, enfrentou críticas por sua votação em um caso envolvendo a interrupção da gravidez fetal com anencefalia, uma decisão que gerou debates sobre técnicas jurídicas e conduta ética.
A nomeação de Ellen Gracie como ministra do STF representa não apenas o avanço das mulheres na esfera judicial, mas também a evolução constante dos direitos humanos no Brasil. Seu papel foi crucial em várias decisões que moldaram as políticas públicas e a interpretação da Constituição Federal.
Ao longo de sua carreira, Ellen Gracie não apenas desempenhou funções jurídicas fundamentais, mas também contribuiu para o desenvolvimento do direito brasileiro. Seus anos como ministra do STF foram marcados por decisões que influenciaram significativamente os rumos da justiça no Brasil, deixando um legado indelével na história judicial do país.