biografias

Emiliano Zapata

Revolucionário mexicano (1879–1919)

4 min de leitura20/06/2026
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Emiliano Zapata Salazar nasceu em 8 de agosto de 1879 no pequeno vilarejo de San Miguel Anenecuilco, no estado de Morelos, no México. Cresceu num país dominado pela ditadura de Porfirio Díaz, que havia ascendido ao poder em 1876 e governava com mão de ferro, distribuindo cargos e privilégios entre aliados enquanto mantinha a estrutura fundiária que condenava comunidades inteiras à pobreza. O México daquela época era uma sociedade em que traços feudais e proto-capitalistas coexistiam: grandes fazendas, conhecidas como haciendas, avançavam progressivamente sobre as terras das comunidades indígenas independentes, os pueblos, e os trabalhadores rurais frequentemente caíam numa forma de escravidão por dívida chamada peonagem, obrigados a trabalhar nas propriedades dos poderosos sem qualquer perspectiva de saída.

A família de Zapata ocupava uma posição singular nesse contexto. Não era rica, mas tampouco vivia à beira da miséria: mantinha suas próprias terras, evitando a peonagem que sufocava tantas outras famílias. Em gerações anteriores, os Zapata haviam até mesmo apoiado Porfirio Díaz. O próprio Emiliano carregava marcas de um certo refinamento: era conhecido por comparecer a touradas e rodeios com um visual charro elaborado, o traje tradicional do jinete mexicano. Apesar dessa aparência de homem distante das lutas camponesas, Zapata mantinha vínculos profundos com as pessoas de sua localidade natal. Aos cerca de 30 anos, foi escolhido como chefe do vilarejo, tornando-se porta-voz dos interesses de Anenecuilco.

Embora não fosse indígena puro — tinha ancestrais espanhóis e era considerado mestiço —, Zapata rapidamente se engajou nas lutas dos povos indígenas do estado de Morelos. Observou de perto os conflitos entre os habitantes dos vilarejos e os fazendeiros, conflitos quase sempre provocados pelo roubo sistemático de terras. Numa ocasião que o marcou profundamente, testemunhou hacendados incendiarem um vilarejo inteiro. Por anos, tentou resolver esses conflitos por meios legais — recuperando antigos títulos de propriedade, pressionando o governo de Morelos por ações concretas. Quando a inércia das autoridades e os privilégios garantidos aos ricos fazendeiros se tornaram insuportáveis, Zapata passou para a ação direta: simplesmente se apossou das terras em disputa.

A introdução de Zapata ao pensamento anarquista veio por meio de um professor local chamado Otilio Montano, que o expôs às obras do russo Piotr Kropotkin e do mexicano Ricardo Flores Magón. Essa influência ficou registrada no Plano de Ayala, documento de novembro de 1911, e no lema que se tornaria símbolo do movimento zapatista: Reforma, Libertad, Justicia y Ley — Reforma, Liberdade, Justiça e Lei.

A grande ruptura veio em 1910, quando as agitações políticas e sociais culminaram na formação de grupos guerrilheiros por todo o país. Francisco Madero, um capitalista liberal com recursos e apelo popular suficientes para ameaçar o poder de Díaz, surgiu como alternativa eleitoral. Zapata firmou alianças secretas com Madero. Com o início do levante armado, assumiu rapidamente a liderança do Ejército Libertador del Sur — o Exército Libertador do Sul —, operando no estado de Morelos. No norte, Pancho Villa liderava os camponeses de sua região. A combinação das duas forças foi determinante para que Díaz fosse derrubado por Madero em 1911.

O problema é que as promessas de Madero logo se revelaram palavras vazias. A reforma agrária ficou no papel, e Madero não tardou em indicar para o governo de Morelos um simpatizante dos grandes proprietários de terra. Zapata não suportou a traição. Diante do pedido de Madero para que desarmasse e desmobilizasse seu exército, Zapata respondeu com lógica implacável: se as pessoas não conseguiam seus direitos quando estavam armadas, não teriam qualquer chance quando estivessem desarmadas. Madero enviou generais para neutralizá-lo, sem sucesso.

O cenário ficou ainda mais turbulento quando Madero foi destituído por Victoriano Huerta, um antigo general ligado ao regime de Díaz. Huerta concedeu anistia ao próprio Díaz e tentou conter os movimentos indígenas pela reforma agrária. A reação popular engrossou as fileiras de Zapata. Surgiu então Venustiano Carranza, liderando uma facção constitucionalista que se aliou tanto a Villa quanto a Zapata. A coalizão das três forças foi suficiente para derrubar Huerta em julho de 1914. Mas a unidade dos vencedores durou pouco: Zapata recusou-se a comparecer à convenção que escolheria o novo presidente, alegando que nenhum dos convocados havia sido eleito pelo povo. A delegação do estado de Morelos participou do encontro apenas para apresentar o Plano de Ayala.

Emiliano Zapata foi assassinado em 10 de abril de 1919, em Chinameca, no estado de Morelos, numa emboscada armada por forças carrancistas. Tinha 39 anos. Morreu como viveu: em luta. Sua trajetória transformou-o num dos heróis nacionais mexicanos mais reverenciados e no símbolo maior da causa camponesa na América Latina. O zapatismo sobreviveu a seu fundador, e o lema que adotou — terra e liberdade — continua sendo evocado por movimentos sociais em todo o continente. Décadas depois de sua morte, o nome Zapata ainda ressoa como promessa não cumprida e bandeira erguida por aqueles que defendem que a terra pertence a quem nela trabalha.

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