Em 2006, o Brasil realizou sua quinta eleição presidencial desde a promulgação da Constituição Federal de 1988. Este momento histórico foi marcado pela crescente reorganização das forças políticas brasileiras, com o Partido dos Trabalhadores (PT) assumindo a Presidência do país após três tentativas infrutíferas. O Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), que havia governado durante oito anos, viu sua influência diminuir à medida que a política econômica adotada pelo novo governo se aproximava das medidas implementadas por Fernando Henrique Cardoso.
Durante as eleições, um temor global existiu, principalmente entre os mercados financeiros internacionais, de que o PT pudesse desestabilizar a economia e descumprir contratos. No entanto, à medida que as políticas do governo Lula avançavam, uma percepção gradual começou a tomar forma: o PT assumia o lugar do PSDB como representante do Brasil na esfera da social-democracia.
As eleições presidenciais de 2006 foram realizadas em dois turnos. O primeiro turno ocorreu em 1 de outubro, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencendo em dezesseis estados, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) dominava nos estados do Sul e Centro-Oeste. Este resultado levou a um segundo turno entre os dois principais candidatos.
No primeiro turno das eleições presidenciais, Lula obteve 41,02% dos votos válidos, enquanto Alckmin conquistou 35,97%. No exterior brasileiro, Alckmin ainda teve vantagem sobre Lula, com 44,82% dos votos contra 39,80%.
No segundo turno das eleições presidenciais, realizada em 29 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva venceu com 58,29% dos votos válidos. Geraldo Alckmin registrou um recorde histórico ao receber menos votos no segundo turno do que no primeiro, marcando a continuidade das políticas de governo Lula.
O processo eleitoral em si reflete as regras brasileiras para escolha presidencial: se nenhum candidato alcançar a maioria simples dos votos válidos (50% mais um voto), o segundo turno é realizado. Todos os candidatos que possuem cargos executivos devem se desincompatibilizar até 2 de abril.
Antes do período eleitoral, vários partidos buscam apoios mútuos para maximizar o tempo de propaganda gratuita em rádio e televisão. A aliança entre César Maia (Rio de Janeiro) e Geraldo Alckmin foi firmada na "Coligação por um Brasil Decente", formada pelos PSDB e pelo PPS, com apoio informal do PSDC.
Em vários partidos menores, como o PCO, a candidatura própria foi mantida, apesar da rejeição de algumas das posições ideológicas do PT. A cientista política Ana Maria Rangel concorreu pelo PRP, enquanto o advogado José Maria Eymael representou o PSDC.
Esta eleição presidencial de 2006 não apenas marcou um novo capítulo na história política brasileira, mas também abriu caminho para uma nova era de políticas governamentais e redefinição das forças partidárias no cenário político nacional.