Em 1985, Tancredo Neves venceu as eleições para presidente, encerrando a ditadura militar no Brasil. No entanto, sua morte antecipada e a subsequentemente controversa atuação do vice-presidente José Sarney abriram caminho para um período de instabilidade política e econômica. A promulgação da nova Constituição em 1988 determinou que as eleições diretas para presidente fossem realizadas em 1989, marcando o retorno completo à democracia após mais de duas décadas de regime militar.
No contexto político das eleições de 1989, vinte e dois candidatos disputaram a presidência, um recorde na história do país. Entre os principais nomes figuravam Fernando Collor de Mello (PRN), Lula da Silva (PT), Leonel Brizola (PDT) e Mário Covas (PSDB). A eleição foi realizada em dois turnos: o primeiro em 15 de novembro, comemorando o centésimo aniversário da proclamação da República, e o segundo em 17 de dezembro. A disputa entre Collor e Lula no segundo turno provocou controvérsias na mídia, especialmente quando a Rede Globo foi acusada de favorecer Collor durante o debate presidencial.
A eleição de 1989 marcou um momento crucial para os partidos políticos brasileiros. Enquanto muitos partidos estavam pouco mobilizados, a participação elevada da população nas urnas reforçou a importância do voto direto. Outro aspecto interessante foi que Lívia Maria, candidata pelo Partido Nacionalista (PN), se tornou a primeira mulher a disputar o cargo mais alto na República.
Os desafios econômicos de período anterior ao pleito presidencial não foram esquecidos durante as campanhas. O governo Sarney enfrentava uma crise inflacionária que atingiu altos níveis, com taxas anuais superiores a 367%. Plano Cruzado, Cruzado II e os planos Bresser e Verão falharam em controlar a inflação, levando ao descontentamento popular.
A chegada da Internet ao Brasil em 1988 foi um marco tecnológico que antecipou as conexões digitais que viriam a definir o futuro. No entanto, a propagação inicial dessa tecnologia ficou limitada até o início do governo Fernando Henrique Cardoso.
A eleição de 1989 não apenas selou o fim da era militar no Brasil, mas também estabeleceu novas normas e expectativas para a democracia brasileira. O recorde de candidatos na disputa presidencial e a participação feminina significativa foram marcas inéditas que contribuíram para a história eleitoral do país.
A vitória de Collor no segundo turno, apesar das controvérsias, inaugurou um novo capítulo na política brasileira. Sua administração foi marcada por polêmicas, incluindo o famoso impeachment em 1992, que culminou com sua saída do cargo.
Em resumo, as eleições presidenciais de 1989 representaram um marco significativo na história política e social do Brasil, marcando a transição para uma democracia mais participativa.