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Edgar Morin

Filósofo, antropólogo e sociólogo francês (1921–2026)

2 min de leitura•30/09/2026
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Edgar Morin (1921–2026) foi um antropólogo, sociólogo e filósofo francês de origem sefardita que deixou uma marca indelével na história do pensamento contemporâneo. Nasceu em Paris, no dia 8 de julho de 1921, filho único de uma família judia sefardita. Seu pai, Vidal Nahoum, era um comerciante originário da Grécia, de onde a família migrou para França durante os tempos das Cruzadas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Edgar participou ativamente da Resistência Francesa como tenente das forças combatentes francesas. É nesse período que ele passa a adotar o pseudônimo Morin, um nome que se tornaria seu emblema intelectual e permaneceu ao longo de sua vida. Após a guerra, seus estudos acadêmicos abrangeram várias disciplinas, incluindo direito, história, filosofia, sociologia e economia.

Em 1950, Morin entrou para o CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique) após ser aconselhado por Georges Friedmann. Nesse período, ele começou a escrever seu livro "O Homem e a Morte" em 1951. Sua obra mais famosa é composta por seis volumes intitulados "La Méthode", que se tornaria uma das maiores obras de epistemologia disponíveis.

Além do trabalho acadêmico, Morin também se envolveu na política e nos movimentos sociais. Em 1960, ele fundou o Centro de Estudos de Comunicação de Massa (CECMAS) na EHESS (École des hautes études en sciences sociales), onde atuou até a criação do Instituto de Sociologia Transdisciplinar em 1973. Seus escritos se destacam pela abordagem transdisciplinar, misturando perspectivas filosóficas com insights sociais e científicos.

Em 2002, Edgar Morin publicou um artigo intitulado "Israel-Palestina: o câncer" no jornal Le Monde. Nele, ele criticava a visão unilateral de Israel sobre o conflito israelo-palestino. O texto foi alvo de uma acusação de difamação racial e apologia de atos terroristas por parte da Associação França-Israel, mas Morin acabou sendo inocentado pela Corte de Cassação.

A contribuição mais significativa de Edgar Morin para a filosofia contemporânea é talvez sua abordagem do que ele chamava de "pensamento complexo". Este paradigma, que distingue entre perspectivas restritas e amplas da complexidade, busca uma compreensão holística dos fenômenos sociais e naturais. Morin não se identifica como um teórico da complexidade, mas sim como um pensador que utiliza essa abordagem para fornecer insights em várias áreas do conhecimento.

Em sua homenagem, Edgar Morin foi agraciado com diversos prêmios nacionais de Portugal, incluindo o grau de Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a Ordem do Infante D. Henrique, em 2023.

A morte de Edgar Morin ocorreu em 29 de maio de 2026, aos 104 anos, no Hospital Americano de Paris, deixando um legado duradouro nas ciências humanas e sociais. Sua obra continua a influenciar debates contemporâneos sobre complexidade, conhecimento e sociedade.

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