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Dissolução da União Soviética

Colapso da União Soviética em 1990–1991

6 min de leitura01/01/2024
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No final do dia 25 de dezembro de 1991, Mikhail Gorbachev pronunciou as últimas palavras de seu mandato como secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e, em seguida, transferiu os códigos de lançamento nuclear para Boris Iéltsin, o primeiro presidente eleito da Federação Russa. Horas depois, a bandeira vermelha com a foice e o martelo foi arriada do Kremlin pela última e definitiva vez, substituída pela tricolor russa. No dia seguinte, 26 de dezembro, o Soviete das Repúblicas — câmara alta do Soviete Supremo da União Soviética — votou pela dissolução formal da União por meio da Declaração número 142-Н. A maior entidade política da história moderna havia chegado ao fim após sete décadas de existência.

A dissolução não foi um evento súbito. Foi o resultado acumulado de anos de tensões, reformas fracassadas, crises econômicas e movimentos de independência que corroíam o tecido político da União a partir de dentro. Para compreender como tudo isso chegou ao ponto de ruptura, é preciso recuar ao menos até 1985, quando Gorbachev foi eleito secretário-geral pelo Politburo, apenas quatro horas após a morte de seu predecessor, Konstantin Chernenko. Com 54 anos, Gorbachev era o membro mais jovem do Politburo e chegou ao poder com uma agenda de revitalização econômica que logo revelou exigir transformações muito mais profundas.

Duas políticas definiriam sua gestão: a glasnost, que propunha maior transparência e liberdade de expressão, e a perestroika, que buscava reformar as estruturas econômicas e políticas soviéticas. Ambas produziram consequências que Gorbachev não havia previsto. A glasnost permitiu que movimentos nacionalistas em diversas repúblicas ganhassem voz pública e se organizassem politicamente. A perestroika enfraqueceu as estruturas centralizadas sem criar em seu lugar mecanismos funcionais de mercado ou governança descentralizada.

Em 1986, Gorbachev libertou Andrei Sakharov, o mais proeminente dissidente soviético, que retornou a Moscou após anos de exílio interno em Gorki. O gesto simbólico confirmava que uma nova era havia começado. Em 1989, introduziu eleições competitivas limitadas para o Congresso dos Deputados do Povo, quebrando o monopólio absoluto do Partido Comunista sobre a política soviética. A proibição formal de outros partidos políticos só seria suspensa em 1990, mas o processo havia sido iniciado.

As nações bálticas foram as primeiras a testar os limites desse novo ambiente. A Estônia declarou soberania dentro da União em 16 de novembro de 1988. A Lituânia foi além: em 11 de março de 1990, declarou a plena restauração de sua independência. A Letônia e a Estônia seguiram nos meses seguintes, assim como a Geórgia. A cadeia de declarações de independência revelava que a lógica centrífuga do nacionalismo étnico era mais forte do que qualquer projeto de reforma.

O enfraquecimento progressivo do poder central atingiu um momento crítico em agosto de 1991, quando comunistas da linha dura e elites militares tentaram um golpe para afastar Gorbachev e reverter as reformas. O golpe fracassou, mas o paradoxo foi que seu fracasso acelerou exatamente o colapso que pretendia evitar. Moscou perdeu dramaticamente sua capacidade de influenciar as repúblicas, que aproveitaram o caos para proclamar independência em sequência. A secessão dos estados bálticos foi reconhecida internacionalmente em setembro de 1991.

Em 8 de dezembro de 1991, os líderes de três das repúblicas fundadoras da União — Boris Iéltsin da Rússia, Kravtchuk da Ucrânia e Shushkevich da Bielorrússia — assinaram os Acordos de Belaveja, pelos quais reconheceram mutuamente suas independências e criaram a Comunidade dos Estados Independentes como organização substituta da União Soviética. O Cazaquistão foi a última república a proclamar independência, fazendo-o em 16 de dezembro. Poucos dias depois, em 21 de dezembro, quase todas as ex-repúblicas soviéticas aderiram à CEI ao assinar o Protocolo de Alma-Ata, com exceção da Geórgia e dos três estados bálticos.

Diante do esvaziamento completo de sua autoridade, Gorbachev não tinha mais nada para administrar. Sua renúncia em 25 de dezembro foi o ato final de um processo que ele havia iniciado sem prever onde terminaria. A Rússia, como a maior e mais populosa herdeira da União, tornou-se o Estado sucessor de facto, assumindo o assento permanente da URSS no Conselho de Segurança da ONU e a responsabilidade sobre o arsenal nuclear soviético.

As causas da dissolução foram múltiplas e se reforçaram mutuamente. A estagnação econômica crônica tinha raízes na ineficiência do planejamento central e na incapacidade de inovar tecnologicamente. O ônus da corrida armamentista com os Estados Unidos durante a Guerra Fria consumiu recursos que nunca estiveram disponíveis para modernizar a economia civil. O forte nacionalismo étnico dentro das quinze repúblicas que compunham a União — cada uma com língua, cultura e história próprias — criava forças centrífugas que o modelo político soviético conseguia reprimir, mas nunca eliminar. E as próprias reformas de Gorbachev, ao abrir espaço para a expressão política e ao enfraquecer as estruturas de controle, aceleraram a ruptura que pretendiam evitar.

O desaparecimento da União Soviética encerrou formalmente a Guerra Fria e reconfigurou completamente a geopolítica mundial. Quinze novos Estados surgiram no mapa, e a trajetória de cada um seria marcada por décadas de transição difícil. Algumas repúblicas mantiveram laços estreitos com Moscou por meio da CEI e da Organização do Tratado de Segurança Coletiva. Outras buscaram aproximação com o Ocidente e a União Europeia. O colapso de 1991 não resolveu as tensões étnicas, econômicas e políticas acumuladas ao longo de décadas — em muitos casos, apenas as transferiu para novos contextos, onde continuariam a se manifestar nas décadas seguintes.

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