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Diego Maradona

Futebolista argentino (1960–2020)

5 min de leitura17/07/2026
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Diego Armando Maradona foi um dos maiores ícones do futebol mundial, uma figura que transcendeu os gramados para se tornar um símbolo de paixão, talento e controvérsia. Nascido em 30 de outubro de 1960, em Lanús, na Argentina, cresceu em Villa Fiorito, uma região humilde de Buenos Aires, onde a bola de futebol se tornou sua maior companheira desde os três anos de idade. Filho de uma família de origem galega e indígena, Maradona carregava em si a herança de lutas e superações, traços que mais tarde moldariam sua personalidade dentro e fora dos campos. Seu pai, Diego "Chitoro" Maradona, descendente de guaranis, e sua mãe, Dalma "Doña Tota" Franco, de ascendência italiana, formavam um lar simples, mas repleto de valores que o ajudariam a enfrentar os desafios de uma carreira repleta de altos e baixos.

A trajetória de Maradona no futebol começou de forma precoce. Aos oito anos, foi descoberto por um olheiro enquanto jogava em um time de bairro, o Estrella Roja. Pouco depois, ingressou nas categorias de base do Argentinos Juniors, um clube de porte modesto em Buenos Aires, mas conhecido por sua excelência na formação de jovens talentos. Aos nove anos, já chamava atenção pela habilidade com a bola, driblando colegas e encantando quem o via jogar. Seu técnico, Francis Cornejo, chegou a duvidar da idade do garoto ao vê-lo atuar, tamanha era a maturidade em seu jogo. Aos quinze, disputava partidas preliminares e, aos dezessete, já era promovido ao time profissional. No Argentinos, Maradona desenvolveu um estilo único, mesclando criatividade, velocidade e uma técnica refinada, características que o tornariam uma lenda.

Sua passagem pelo Argentinos Juniors durou cinco anos, período em que se consolidou como um dos principais talentos do futebol argentino. Mesmo em um clube de menor expressão, Maradona atraía multidões e se destacava pela capacidade de decidir jogos com passes precisos, chutes potentes e dribles desconcertantes. Seu desempenho chamou a atenção da Seleção Argentina, que o convocou pela primeira vez ainda na adolescência. Era o início de uma carreira que o levaria a se tornar não apenas um jogador, mas um fenômeno cultural e esportivo, capaz de mobilizar nações e inspirar gerações.

O auge de Maradona, no entanto, veio com a Seleção Argentina. Na Copa do Mundo de 1986, no México, ele não apenas liderou sua equipe ao título como protagonizou um dos momentos mais icônicos da história do futebol. Com o apelido de "El Pibe de Oro" e a alcunha de "Deus" por seus compatriotas, Maradona foi responsável direto por 71% dos gols da Argentina na campanha vitoriosa, marcando cinco gols e dando cinco assistências. Seu desempenho naquela edição, que ficou conhecida como "A Copa do Maradona", incluiu o famoso "Gol do Século", uma obra-prima contra a Inglaterra nas quartas de final, e a "Mão de Deus", momento polêmico em que ele usou a mão para marcar um gol. Aquele Mundial não só coroou sua genialidade como também o transformou em um herói nacional, reverenciado como uma divindade em seu país.

Além de suas conquistas com a Argentina, Maradona também deixou sua marca no futebol italiano. Transferido para o Napoli em 1984, ele levou um clube tradicional, mas que vivia na sombra das potências do norte, ao topo da Itália. Com ele, o Napoli conquistou dois títulos do Campeonato Italiano e disputou de igual para igual com gigantes como Milan, Juventus e Inter de Milão. Maradona se tornou um ídolo no sul do país, onde sua personalidade carismática e seu estilo de jogo cativaram os torcedores. Além disso, ele quebrou recordes de transferência duas vezes: primeiro quando foi do Barcelona para o Napoli por 6,9 milhões de euros, um valor recorde na época.

Sua carreira, porém, não foi isenta de polêmicas. Maradona enfrentou problemas com drogas, que resultaram em dois banimentos dos gramados, em 1991 e 1994. O segundo caso, uma suspensão após um exame antidoping na Copa do Mundo de 1994, marcou o fim de sua trajetória na Seleção Argentina. Além disso, suas declarações contundentes contra dirigentes da FIFA, como João Havelange e Joseph Blatter, e até mesmo contra outros craques como Pelé, renderam-lhe conflitos e críticas. Também teve dois filhos fora do casamento que não reconheceu, o que contribuiu para a imagem controversa que o acompanhou ao longo da vida.

Fora dos campos, Maradona foi uma figura complexa, amada e criticada em igual medida. Na Argentina, sua devoção beirava o fanatismo, a ponto de surgir até uma "Igreja Maradoniana", que o venerava como uma divindade. Internacionalmente, foi eleito o melhor jogador do século XX em votação popular pela FIFA em 2000, ficando em terceiro lugar na classificação de especialistas. Também foi eleito o quinto melhor jogador da história pelo IFFHS no mesmo ano. Seu legado transcendeu o esporte, influenciando até mesmo a cultura popular.

Após encerrar a carreira como jogador, Maradona tentou a vida de treinador, mas sem o mesmo sucesso. Seu estilo de comando era tão intenso quanto seu jogo, e seus projetos nos bancos duraram pouco. Mesmo assim, sua influência permaneceu forte, especialmente entre os torcedores do Napoli, que até hoje o consideram um símbolo de luta e paixão. Maradona faleceu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória em sua casa em Tigre, deixando um vazio imenso no futebol mundial.

Diego Maradona não foi apenas um grande jogador, mas uma figura que encapsulou as contradições do esporte: gênio e polêmica, heroísmo e controvérsia, amor e ódio. Seu nome está gravado na história não só por seus gols e assistências, mas por sua capacidade de emocionar, provocar e inspirar. Ele foi, acima de tudo, um espelho da alma argentina — intensa, rebelde e inesquecível.

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