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Dias Toffoli

Jurista e magistrado brasileiro, ministro do Supremo Tribunal Federal

4 min de leitura01/09/2026
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José Antonio Dias Toffoli é um dos nomes mais influentes do Judiciário brasileiro contemporâneo, ocupando há mais de uma década o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Nasceu em Marília, interior de São Paulo, em 1967, em uma família de cafeicultores de origem italiana e tradição católica. Filho de um marceneiro e de uma professora, foi o oitavo entre nove irmãos, uma trajetória que contrasta com o perfil muitas vezes elitizado da magistratura nacional. Ainda jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou no tradicional Colégio Pedro II, antes de ingressar na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, uma das mais prestigiadas do país.

Sua carreira profissional começou em meados da década de 1990, quando atuou como advogado em São Paulo. Nesse período, aproximou-se de causas trabalhistas ao se tornar consultor jurídico da Central Única dos Trabalhadores (CUT), um dos principais sindicatos do Brasil. Em seguida, atuou como assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo e, mais tarde, como assessor jurídico da liderança do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, em Brasília. Essa ligação com o partido se consolidaria quando defendeu as campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva em três eleições consecutivas, entre 1998 e 2006.

Com a vitória de Lula em 2002, Toffoli ingressou no governo federal como subchefe de Assuntos Jurídicos na Casa Civil, cargo que ocupou até 2005. Sua passagem pela administração pública incluiu ainda a chefia de gabinete da Secretaria de Implementação das Subprefeituras de São Paulo durante a gestão da prefeita Marta Suplicy. Paralelamente à carreira pública, manteve-se como professor de direito constitucional e direito de família, lecionando em instituições como a Faculdade de Direito do Centro de Ensino Unificado de Brasília (UNICEUB) e a Escola da Magistratura do Distrito Federal.

Em 2007, foi nomeado advogado-geral da União pelo então presidente Lula, um cargo estratégico que o colocou à frente da defesa judicial do governo federal. Sua gestão à frente da Advocacia-Geral foi marcada pela atuação em casos de grande repercussão, como aqueles relacionados a políticas públicas e conflitos federativos. Em outubro de 2009, deu um passo decisivo em sua carreira ao ser indicado para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal, sucedendo o ministro Carlos Alberto Menezes Direito.

A trajetória de Toffoli no STF consolidou sua imagem como um magistrado associado a causas progressistas, embora sua atuação nem sempre seja previsível. Em 2018, tornou-se o ministro mais jovem a presidir a mais alta corte do país, cargo que exerceu até 2020. Durante seu mandato à frente do STF, teve a oportunidade de assumir, ainda que interinamente, a presidência da República, uma prerrogativa constitucional do presidente do Supremo em casos de impedimento ou vacância do cargo. Nesse breve período, sancionou a Lei n.º 13.718, que tipificou como crime a importunação sexual, uma medida emblemática em um cenário de crescente debate sobre violência contra a mulher.

For a da corte eleitoral, Toffoli presidiu o Tribunal Superior Eleitoral entre 2014 e 2016, período em que coordenou a elaboração do anteprojeto do novo Código Eleitoral brasileiro. Sua experiência no TSE reforçou sua autoridade em temas relacionados ao processo democrático, um campo em que o Brasil tem vivido intensos debates sobre integridade eleitoral e legislação partidária. Além disso, sua passagem pela magistratura eleitoral o aproximou de questões como financiamento de campanha e regulação da propaganda política, temas sempre centrais em eleições nacionais.

Toffoli também é conhecido por sua postura discreta, diferente de outros ministros do STF que costumam ter maior exposição midiática. Seu estilo reservado contrasta com a visibilidade de colegas como Gilmar Mendes ou Luís Roberto Barroso, mas não diminui a relevância de suas decisões. Em julgamentos históricos, como os que envolveram a Operação Lava Jato ou pautas de direitos civis, ele tem demonstrado uma abordagem técnica e, em muitos casos, alinhada a interpretações que buscam equilibrar segurança jurídica e avanços sociais.

Fora das cortes, Toffoli mantém uma vida pessoal reservada, mas há curiosidades que o tornam mais próximo do público. Torcedor declarado do Palmeiras, clube paulista de grande tradição no futebol brasileiro, ele é também um apaixonado por música, especialmente pela cultura italiana, herança de seus antepassados. Essa faceta mais humana contrasta com a imagem austera do magistrado, revelando um homem de múltiplas influências, que transitou entre a advocacia militante, o serviço público e a alta magistratura.

Sua trajetória reflete, em muitos aspectos, as transformações políticas e sociais do Brasil nos últimos 30 anos. De um jovem advogado vinculado a causas sindicais e ao PT a um dos principais nomes do Judiciário nacional, Toffoli representa a complexidade de um país onde carreiras públicas muitas vezes se entrelaçam com militância partidária e compromissos ideológicos. Seu nome continua a ser citado em debates sobre o futuro da democracia brasileira, especialmente em um cenário em que o STF segue como um ator central nas definições institucionais do país.

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