Civilização do Vale do Indo (CVI) foi uma civilização da Idade do Bronze nas regiões noroeste do sul da Ásia, que existiu entre 3 300 a.C. e 1 300 a.C., sendo que atingiu seu auge entre 2600 e 1 900 a.C.. Juntamente com o Antigo Egito e a Mesopotâmia, foi uma das três primeiras civilizações da região, compreendendo o norte da África, o oeste da Ásia e o sul da Ásia, e das três, a mais difundida, sendo que seu complexo de centros urbanos abrange uma área que se estende do nordeste do Afeganistão, através de grande parte do Paquistão e o oeste e noroeste da Índia. Floresceu nas bacias do rio Indo, que flui através do Paquistão e ao longo de um sistema de rios perenes, principalmente alimentados por monções, que antes corriam nas proximidades do sazonal rio Gagar, no noroeste da Índia e no leste do Paquistão.
As cidades da civilização eram destacadas por seu planejamento urbano, casas de tijolos cozidos, sistemas elaborados de drenagem e abastecimento de água, aglomerados de grandes edifícios não residenciais e novas técnicas de artesanato (produtos de cornalina, entalhes em selos) e metalurgia (cobre, bronze, chumbo e estanho). As grandes cidades de Moenjodaro e Harapa muito provavelmente chegaram a ter entre 30.000 e 60.000 habitantes, sendo que a própria civilização, durante a sua florescência, pode ter contido entre um e cinco milhões de pessoas. A gradual seca do solo da região durante o III milênio a.C. pode ter sido o estímulo inicial para a urbanização associada à civilização, mas também reduziu o suprimento de água o suficiente para causar seu desaparecimento e a migração de sua população para o leste.
A civilização também é conhecida como Civilização Harapeana, por conta da cidade de Harapa, a primeira a ser escavada no início do século XX no que era então a Índia britânica e agora é o Paquistão. A descoberta de Harapa, e logo depois de Moenjodaro, foi o ponto culminante do trabalho que começou em 1861 com a fundação do Serviço Arqueológico da Índia durante o Raj britânico. No entanto, houve culturas anteriores e posteriores, frequentemente chamadas pré-harapeanas e pós-harapeanas na mesma região. Em 2002, foram relatadas mais de 1000 cidades e assentamentos harapeanos, dos quais pouco menos de cem haviam sido escavados, Entretanto, existem cinco principais locais urbanos: Harapa, Moenjodaro (Patrimônio Mundial da UNESCO), Dolavira, Ganueriual, no Deserto de Cholistão, e Raquigari. As primeiras culturas harapeanas foram precedidas por aldeias agrícolas neolíticas locais, a partir das quais as planícies fluviais foram povoadas.
O idioma harapeano não é diretamente atestado e sua afiliação é incerta, pois a escrita indo ainda não foi decifrada. Um relacionamento com a família de idiomas dravidiano é uma teoria defendidas por uma parte dos estudiosos.
A civilização do vale do Indo é nomeada por conta do sistema do rio Indo, cujas planícies aluviais foram os primeiros locais onde vestígios da civilização foram identificados e escavados. Seguindo uma tradição em arqueologia, a civilização é às vezes chamada de harapeana, por conta de Harapa, o primeiro local a ser escavado na década de 1920; isso é notavelmente verdadeiro no uso empregado pelo Serviço Arqueológico da Índia após a independência da Índia em 1947.
Uma parte dos estudiosos usa os termos "cultura sarasvati", "civilização sarasvati", "civilização indo-sarasvati" ou "civilização sindu-sarasuati", porque consideram o rio Gagar o mesmo que o Sarasvati, um rio mencionado várias vezes no Rig Veda, uma coleção de antigos hinos sânscritos compostos no II milênio a.C.. No entanto, pesquisas geofísicas recentes sugerem que, diferentemente do Sarasvati, cujas descrições no Rig Veda são as de um rio alimentado pela neve, o Gagar era um sistema perene de rios alimentados por monções, que se tornaram sazonais na época em que a civilização diminuiu, aproximadamente há 4000 anos. Além disso, os defensores da nomenclatura "sarasvati" veem uma conexão entre o declínio da civilização e a ascensão da civilização védica na planície gangética; no entanto, historiadores do declínio da civilização do Vale do Indo consideram as duas substancialmente desconectadas.
A civilização do Indo era aproximadamente contemporânea das demais civilizações ribeirinhas do mundo antigo: o Egito ao longo do Nilo, Mesopotâmia nas terras regadas pelo Eufrates e Tigre e a China na bacia de drenagem do rio Amarelo. Na época de sua fase madura, a civilização havia se espalhado por uma área maior do que as outras mencionadas, o que incluía um núcleo de 1.500 km acima do plano aluvial do Indo e de seus afluentes. Além disso, havia uma região com flora, fauna e habitats díspares, até dez vezes maiores, que haviam sido moldados cultural e economicamente pelo Indo.
Por volta de 6 500 a.C., a agricultura surgiu no Baluchistão, nas margens do aluvião do Indo. Nos milênios seguintes, incursões nas planícies do Indo preparam o terreno para o crescimento de assentamentos humanos rurais e urbanos. A vida sedentária mais organizada, por sua vez, levou a um aumento líquido na taxa de natalidade. Os grandes centros urbanos de Moenjodaro e Harapa muito provavelmente chegaram a ter entre 30.000 e 60.000 habitantes e, durante o florescimento da civilização, a população do subcontinente cresceu para algo entre 4 e 6 milhões de pessoas. Durante esse período, a taxa de mortalidade também aumentou, pois as condições de vida próximas de humanos e animais domesticados levaram a um aumento de doenças contagiosas. Segundo uma estimativa, a população da civilização do Indo em seu pico pode ter sido entre um e cinco milhões de pessoas.
A Civilização do Vale do Indo se estendeu do Baluchistão do Paquistão, a oeste, a Utar Pradexe no oeste da Índia, a leste, do nordeste do Afeganistão, no norte, ao estado de Guzerate, no sul da Índia. O maior número de locais harapeanos está nos estados de Guzerate, Hariana, Punjabe, Rajastão, Utar Pradexe, Jamu e Caxemira na Índia, e nas províncias de Sinde, Punjabe e Baluchistão no Paquistão. Os assentamentos costeiros se estenderam de Sutkagan Dor no Baluchistão Ocidental a Lotal em Guzerate. Uma cidade do Vale do Indo foi encontrada no rio Oxo em Xortugai no norte do Afeganistão, no vale do rio Gomal no noroeste do Paquistão, em Manda, Jamu no rio Beas perto de Jamu, Índia, e em Alamgirpur, no rio Hindon, apenas 28 km de Deli. O local harapeano mais ao sul é Daimabad, em Maharashtra. Os sítios arqueológicos harapeanos são encontrados com mais frequência nos rios, mas também no litoral antigo, por exemplo, Balakot, e nas ilhas, por exemplo, Dolavira.
Mergar é um assentamento neolítico (7000–2500 a.C.), a oeste do vale do rio Indo, perto da passagem de Bolã, que deu novas ideias sobre o surgimento da civilização do vale do Indo. Mergar é um dos primeiros locais com evidências de agricultura e pastoreio no sul da Ásia e foi influenciado pelo Oriente Próximo, com similaridades entre "variedades de trigo domesticadas, fases iniciais da agricultura, cerâmica, outros artefatos arqueológicos, algumas plantas domesticadas e animais de rebanho." De acordo com Parpola, a cultura do Oriente Próximo migrou para o vale do Indo e se tornou a civilização do vale do Indo.
