tragedias

Christian Atsu

Futebolista ganês

4 min de leitura01/01/2024
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Christian Atsu Twasam nasceu em 10 de janeiro de 1992 em Ada Foah, cidade costeira de Gana, e cresceu num país onde o futebol é uma paixão que transcende classe social e geografia. Desde jovem demonstrou as qualidades que o levariam a uma carreira europeia: velocidade nas extremas, habilidade com a bola e uma intensidade competitiva que chamou a atenção dos olheiros além das fronteiras africanas. Sua trajetória profissional começou no FC Porto, clube português de tradição continental, onde passou pelas categorias de base até dar o salto para o futebol profissional.

No FC Porto, Atsu seguiu o caminho típico de muitos jovens talentos de grande clube: antes de consolidar-se na equipe principal, foi cedido por empréstimo para ganhar experiência. Na temporada 2011-2012, rodou pelo Rio Ave, clube do norte de Portugal, onde estreou em 28 de agosto de 2011 numa partida que terminou com derrota de 1 a 0 para o Olhanense, jogando em casa. Em sua segunda partida pelo novo clube, marcou seu primeiro gol como profissional, contra o Sporting, aos 48 minutos de jogo, embora o Rio Ave tenha perdido a partida por 3 a 2. Ao longo da temporada, acumulou 31 jogos e 6 gols pelo clube, números suficientes para confirmar o potencial que o Porto havia identificado.

No último jogo da temporada pelo Rio Ave, em 12 de maio de 2012, Atsu marcou novamente numa derrota de 5 a 2 para o próprio FC Porto — ironia que talvez tenha servido de cartão de visita extra para o retorno. De fato, voltou ao Porto para a temporada seguinte, 2012-2013, e estreou pelo clube principal em 11 de agosto de 2012 numa vitória de 1 a 0 sobre a Académica. A partir daí, passou a fazer parte do elenco regular, atuando tanto nas competições nacionais quanto nas europeias. Em 15 de fevereiro de 2013, marcou seu primeiro gol pelo Porto, inaugurando o placar numa vitória de 2 a 0 contra o Beira-Mar no Estádio Municipal de Aveiro, pela 19ª jornada da Primeira Liga.

Com o Porto, Atsu conquistou títulos relevantes: o Campeonato Português nas edições de 2010-2011 e 2012-2013, a Taça de Portugal de 2010-2011 e a Supertaça Cândido de Oliveira de 2012. Esses troféus consolidaram sua formação num ambiente vencedor e prepararam o terreno para transferências subsequentes a clubes da Premier League inglesa, onde passaria boa parte de sua carreira. Newcastle United, Chelsea, Éverton e Bournemouth, entre outros, figuram na lista de clubes com que esteve associado na elite do futebol britânico, sempre com a mesma característica de jogador dinâmico e imprevisível nas extremas do campo.

Pela seleção nacional de Gana, Atsu acumulou conquistas e a amargura típica de quem esteve tão perto do pódio mais alto. Em 2015, participou da Copa Africana das Nações e chegou à final com a equipe ganesa, que terminou na segunda colocação — um vice-campeonato que, apesar da derrota na decisão, marcou uma geração de futebolistas ganeses e trouxe orgulho ao país. Atsu era naquele torneio um dos jogadores mais influentes da equipe, reconhecido por jornalistas e analistas como peça fundamental no esquema tático da seleção das Estrelas Negras.

Nos últimos anos de carreira, Atsu rumou para a Turquia para jogar pelo Hatayspor, clube da cidade de Antakya — conhecida historicamente como Antioquia — na região sul do país. Era uma escolha que, para muitos observadores, representava uma etapa de transição numa carreira que havia brilhado no futebol europeu de alto nível. O Hatayspor era uma equipe de menor projeção continental, mas a liga turca oferecia competitividade e, para um jogador em determinada fase da carreira, uma oportunidade de continuar atuando num ambiente profissional sólido.

Na madrugada de 6 de fevereiro de 2023, dois terremotos de magnitude devastadora atingiram o sudeste da Turquia e o norte da Síria em sequência rápida. O primeiro, com magnitude 7,8 na escala Richter, foi um dos mais potentes registrados na região em décadas; o segundo, igualmente violento, aprofundou a destruição horas depois. Antakya estava próxima do epicentro e foi uma das cidades mais duramente atingidas: bairros inteiros desmoronaram, e os edifícios que ainda estavam de pé quando o segundo tremor chegou cederam definitivamente. A tragédia humana foi de escala bíblica: dezenas de milhares de mortos e desaparecidos, uma infraestrutura regional destruída.

Christian Atsu estava no local quando os terremotos ocorreram e desapareceu sob os escombros. Por dias, enquanto as equipes de resgate escavavam os destroços em busca de sobreviventes, o destino do jogador ficou em suspenso angustiante. Seu agente e a federação ganesa acompanharam os trabalhos de busca com a esperança que se alimenta das histórias de resgatados vivos dias depois dos terremotos. Mas o desfecho seria o mais trágico possível: em 18 de fevereiro de 2023, doze dias após o desastre, o corpo de Christian Atsu foi localizado sob os escombros. Ele tinha 31 anos.

A morte de Atsu comoveu o mundo do futebol de uma maneira que vai além da estatística de mais uma vítima numa catástrofe de dimensões inimagináveis. Clubes que o haviam contratado ao longo da carreira prestaram homenagens; a seleção de Gana lamentou a perda de um de seus filhos mais talentosos; fãs em todo o mundo cobriram redes sociais com mensagens que misturavam o luto pela perda do atleta com o horror diante da brutalidade dos terremotos. Em Ada Foah, a cidade costeira onde nasceu, a comunidade chorou um de seus próprios, lembrando não apenas o futebolista internacional que havia chegado longe, mas o filho que havia partido cedo demais.

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